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Lula diz que deixar a política seria o mesmo que deixar de respirar

Jennifer Gonzales

28 Dezembro 2010 | 17h23

Jair Stangler

Em sua última coluna “O presidente responde”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a hipótese de deixar a política, para ele, não existe. “Seria o mesmo que deixar de me alimentar ou respirar”, disse. A coluna, que é publicada em dezenas de jornais de todo o País em resposta a questões enviadas por leitores.

“Eu não posso jogar pela janela a experiência acumulada de fazer um governo que é considerado muito bem-sucedido”, continuou o presidente em resposta ao mesmo leitor. “Quero levar a países pobres, da América Latina e da África, os modelos que nós construímos de combinar o crescimento econômico com políticas eficazes de transferência de renda”.

Lula reafirmou seu compromisso para viabilizar as reformas Política e Tributária e disse também pretender refazer as caravanas da cidadania realizadas entre 1991 e 1994. “Quero verificar o que nós construímos nestes oito anos de mandato, divulgar o que é pouco divulgado, mostrar esse novo Brasil pujante, de gente que passou a se alimentar, que foi integrada à cidadania, esse Brasil que acredita no amanhã”, disse.

Dilma já surpreendeu

Outro leitor perguntou a Lula como Dilma vai surpreender o Brasil. “Acho que a principal surpresa vai ser em relação à sua capacidade de comandar, de produzir, de fazer as coisas andarem, de fazer acontecer. Ela já demonstrou isso ao longo de meus dois mandatos e, se o governo tem hoje altíssimos índices de popularidade, uma boa parcela dessa aceitação se deve ao que ela nos ajudou a realizar”, respondeu Lula.

O presidente acrescentou que Dilma já surpreendeu ao participar da disputa eleitoral, algo inédito em sua vida. “Superou concorrentes de grande experiência, que tinham se dedicado a fazer política durante toda a vida. Ela tem uma grande capacidade de aprender e de se adaptar a situações novas e extraordinárias”, disse, lembrando que Dilma enfrentou a ditadura e foi torturada e também venceu um câncer.

Descascando o abacaxi

Um leitor lembrou ainda que Lula tinha o sonho de ser motorista de caminhão e acabou dirigindo o Brasil, “um enorme caminhão carregado de abacaxis que ele vem descascando com jeito e felicidade”. Lula afirmou ter gostado da comparação. “O abacaxi é uma das frutas mais saborosa que eu conheço. Pois é, o Brasil é isso, um caminhão carregado de coisas muito boas, positivas, cercadas de outras negativas. Felizmente, nós estamos conseguindo iniciar o processo de retirada das cascas e dos espinhos, ou seja, de começar a eliminar as desigualdades sociais e regionais, de acabar com o complexo de vira-latas, de retirar da situação de pobreza dezenas de milhões de pessoas. Estamos impulsionando o que é bom, que é o crescimento econômico e a geração de empregos, e eliminando o que é ruim, que é a exclusão de milhões de pessoas dos benefícios do progresso. E meu governo conseguiu avançar porque contou com o apoio, paciência e aprovação do povo brasileiro”, declarou. “Se seguirmos no bom caminho, de combinar crescimento econômico com inclusão social, em menos de 10 anos seremos a quinta economia do mundo e não teremos mais miséria no País. Para isso, lutei minha vida toda”, concluiu.

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