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Petrobrás não é ‘organização criminosa’, diz ex-diretor à CPI

terça-feira 10/06/14

Paulo Roberto Costa é investigado pela PF

O Estado de S. Paulo

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, que ficou quase dois meses preso durante as investigações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, prestou depoimento nesta terça-feira, 10, à CPI em curso no Senado. Aos parlamentares, Costa negou acusações de lavagem de dinheiro e rebateu as críticas contra a estatal.

O ex-diretor foi preso pela PF em março e solto no mês passado, por ordem do Supremo Tribunal Federal. Ele é réu em processo por suposto desvio de recursos da Petrobrás, entre 2009 e 2014, de contratos superfaturados de obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

Além desses contratos, a CPI tem por objetivo investigar a aquisição da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA).

“Eu não me considero um ‘homem bomba’ da Petrobrás. Os contratos de grande valor são aprovados por um presidente e sete diretores”, disse.

Costa também negou as acusações de superfaturamento em obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Sobre sua relação com o doleiro Alberto Youssef, também preso pela PF, o ex-diretor confirmou conhecê-lo, mas disse que não sabia que ele era doleiro.

Durante a sessão, que durou quase cinco horas, Costa respondeu 70 perguntas. Ao comentar a compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), o ex-diretor afirmou que não teve participação na negociação, mas disse que também considerava a compra um bom negócio naquele momento. Igual avaliação foi feita pelo também ex-diretor Nestor Cerveró, apontado pela presidente Dilma Rousseff como autor do relatório “falho” que orientou a decisão de comprar a refinaria, em 2006.

Acompanhe os principais momentos:

14h52 - Foram feitas ao todo 70 perguntas ao ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa. A sessão foi encerrada.

14h51 - Paulo Roberto Costa afirma que sua saída da direção da Petrobrás foi amistosa e natural, em razão de mudanças no comando da estatal, quando a atual presidente, Graça Foster, assumiu.

14h45 - Ao responder às perguntas do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), Paulo Roberto Costa voltou a defender a estatal: “A Petrobrás é empresa séria e chegou onde chegou pela competência de seus quadros. O que estão imputando à Petrobrás, é uma falácia. E isso vai ser esclarecido no momento oportuno”, afirmou, complementando que a Petrobrás não é uma “empresa bandida”.

14h29 - Na época, a PF também apreendeu na casa de Paulo Roberto Costa mais de US$ 180 mil também em dinheiro vivo. Sobre a quantia, o ex-diretor da Petrobrás afirmou que se trata de um valor que “acumulou durante a vida” enquanto dirigiu a estatal.

14h24 - Paulo Roberto Costa disse que os mais de R$ 762 mil em dinheiro vivo apreendidos pela Polícia Federal em sua casa eram para fazer pagamentos. Ele foi questionado pela senadora se não podia efetuar os pagamentos via transação bancária, mas o ex-diretor disse que preferia fazer com dinheiro. “Eu podia (fazer por transação bancária), mas não tem nada que me impeça de ter dinheiro na minha casa”, afirmou.

14h17 - O ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa afirmou que nunca atuou no financiamento de campanhas eleitorais. “Não atuei, isso não me competia e nem deveria ser da minha participação na companhia”, disse.

14h13 -  Paulo Roberto Costa termina de responder a pergunta com a voz embargada.

14h08 - “Eu não me considero um ‘homem bomba’ da Petrobrás. Os contratos de grande valor são aprovados por um presidente e sete diretores”, disse o ex-diretor da estatal ao responder pergunta de senadora. Paulo Roberto Costa afirmou ainda que “é uma ilação” dizer que ele “comandava organização criminosa dentro da Petrobrás”. “Isso é uma maluquice, uma ilação, um despropósito”, disse. Ele negou que tenha tido contato com o doleiro Alberto Youssef.

14h - A sessão foi retomada com a resposta de Paulo Roberto Costa às questões formuladas pelo senador Humberto Costa.

13h53 - A sessão foi suspensa por 5 minutos.

13h47 – O senador Humberto Costa (PT-PE) lê prestações de contas de empresas que já trabalharam com a Petrobrás e fizeram doações de campanha a políticos e partidos. O senador, que destacou nomes de integrantes do PSDB e diretórios da legenda entre os beneficiários, pergunta se as empresas de Paulo Roberto Costa também fizeram doações eleitorais. “(Faço essa pergunta porque) Se tenta imputar ao governo do presidente Lula e ao governo da presidente Dilma o que a mídia e parte da oposição chamam de aparelhamento da Petrobrás (pelo PT). (…) Acho importante desmistificar essas ideia de que os governo Lula e Dilma instalaram cupins eleitorais para aparelhar a empresa.”

13h34 – Paulo Roberto Costa negou ter orientado parentes a sumir com provas de interesse da Operação Lava Jato, de acordo com afirmações da Polícia Federal. Nega ainda irregularidades no patrimônio de suas filhas e genros.

13h18 - Paulo Roberto Costa explica a origem do dinheiro apreendido em sua casa: “A quantidade de dólar e de euro não sei qual é o problema. Várias pessoas têm dólar e euro guardados em casa.” Sobre as anotações de entrada e dinheiro, Costa reconhece os dados, mas diz que “Primo” — codinome referente a Youssef, segundo a PF — não faz menção ao doleiro. Sobre a descrição “Primo”, Costa disse ser “apenas uma citação”.

13h14 – O relator da CPI questiona sobre as buscas feitas pela PF na casa do ex-diretor, durante a Operação Lava Jato. Foram apreendidos dinheiro e documentos com notas sobre entrada e saída de dinheiro, algumas delas com supostas menções ao doleiro Alberto Youssef, de acordo com a PF.

13h04 - Ex-diretor diz que ‘Petrobrás errou’ ao divulgar orçamento de Abreu e Lima. Leia a reportagem.

12h57 - Paulo Roberto Costa: “Jamais fiz nenhum contrato com a Petrobrás pela Eco Global”, disse negando ser lobista da empresa. Sobre a denúncia de que teria ganho um veículo Land Rover de Alberto Youssef, Costa afirmou que aceitou receber o veículo em troca do valor da consultoria prestada para Eco Global. “Eu sou uma empresa de consultoria. Se ele quer pagar dessa maneira, não tenho nada contra. Não fechei contrato, mas efetuei esse trabalho e isso pode ser comprovado.”

12h48 - Paulo Roberto Costa afirmou desconhecer que Alberto Youssef fosse doleiro, também preso pela PF na Operação Lava Jato. Disse apenas saber que ele havia “tido um problema em 2005″, ligado a um processo do Banestado. Quando o conheceu, afirmou Costa, o doleiro já tinha outros investimentos nas áreas hoteleira e de turismo. Costa afirmou já ter prestado consultoria a Youssef para avaliar a compra de uma empresa, mas disse não ter relação com outras empresas ligadas ao doleiro.

12h42 - Paulo Roberto Costa: “Me sinto aqui extremamente magoado. Meu nome foi destruído. É uma coisa que me fere profundamente. Acho que isso foi feito de forma não adequada. Isso é falso”, afirmou o ex-diretor ao comentar as investigações contra ele. Costa voltou a negar irregularidades na Petrobrás e diz que as investigações foram fundamentadas em “falsas premissas”. “Acho que a PF, o MPF deveriam aprofundar as investigações. A Petrobrás é uma empresa que orgulha o povo brasileiro.” “Um dia a história vai explicar e vai se chegar à conclusão de quem inventou essa história falaciosa.”

12h36 - O relator da CPI agora faz perguntas sobre as investigações da Polícia Federal contra o diretor. Lê ainda as denúncias do Ministério Público Federal que aponta irregularidades envolvendo o ex-diretor e cita a participação do doleiro Alberto Youssef.

12h29 - A sessão foi suspensa por alguns minutos a pedido de Paulo Roberto Costa.

12h05 - Paulo Roberto Costa fala sobre a consultoria Costa Global. Sua filha é uma das sócias. Entre seus clientes, o ex-diretor menciona empresas fornecedoras de serviço, da área de mineração entre outros. A lista completa dos clientes, segundo Costa, foi apreendida pela Polícia Federal durante a Operação Lava Jato. As consultorias são formalizadas por contrato, de acordo com ele.

11h58 - As perguntas são formuladas pelo senador  José Pimentel (PT-CE), relator da CPI. Agora ele questiona Paulo Roberto Costa sobre empresas que seriam ligadas a ele e prestariam serviços à estatal, de acordo com investigações da PF.

11h40 - Petrobrás não é ‘organização criminosa’, diz ex-diretor à CPI. Leia a reportagem.

11h30 - Paulo Roberto Costa: “Não é diretor da Petrobrás que define qual empresa vai participar (de licitações). Há um cadastro”, diz o ex-diretor para explicar contratos de obras na refinaria. Segundo ele, diretores não negociam valores com as empresas, ação de responsabilidade da área de Serviços da estatal. O resultado é levado para avaliação dos demais diretores. “Nenhum contrato foi aprovado pela diretoria de Abastecimento e eu não assinei nenhum contrato porque não tinha autonomia.”

11h22 - Paulo Roberto Costa nega erro ou superfaturamento no projeto da refinaria Abreu e Lima. Segundo ele, a Petrobrás divulgou dados ainda em fase inicial, quando ainda não havia projeto definido ou licitação, o que explica a diferença entre o preço inicialmente estimado e o valor final.

11h18 - Paulo Roberto Costa afirma que a refinaria Abreu e Lima não deu prejuízos à Petrobrás. Segundo ele, a refinaria precisou de ajustes em razão da necessidade da aquisição de dois trens de refino.

10h59 - Paulo Roberto da Costa também defende a refinaria de Abreu e Lima, cujos contratos para obras são investigados pela PF pela suspeita de superfaturamento. Costa é réu em processo que apura suposto desvio de recursos da estatal em negociações desta refinaria, entre 2009 e 2014.

10h53 - Paulo Roberto Costa: “Não acho que por conta dessas cláusulas a Petrobrás deixaria de fazer o negócio.” De acordo com Paulo Roberto da Costa, o principal objetivo da estatal com a aquisição era se aproximar do mercado dos EUA.

10h52 - Paulo Roberto Costa: “Ter refinaria é algo muito importante e estratégico”, afirma Paulo Roberto Costa ao explicar a compra de Pasadena. “Não sabia (dessas cláusulas). Não foi colocado isso na reunião da diretoria. No meu ponto de vista, concordo com o que Nestor Cerveró falou. Indenpendente das cláusulas, foi um bom negócio.” Para o ex-diretor, a cláusula Put Option [que obriga uma das partes da sociedade a comprar a outra em caso de desentendimento] é normal naquele tipo de negociação. Já a Marlim[que garantia à sócia da Petrobrás um lucro mínimo] era uma cláusula importante também para a Petrobrás.”

10h45 - Paulo Roberto Costa: ”Minha participação na compra (de Pasadena) foi nenhuma.” Segundo ele, o comando da aquisição era ligada à área internacional, comandada pelo então diretor Nestor Cerveró. Paulo Roberto Costa afirma que integrantes de sua equipe prestaram apoio e para ele, naquele momento, em 2006, a aquisição da refinaria parecia um bom negócio.

10h44 – Senador José Pimentel (PT-CE), relator da CPI, faz perguntas sobre a aquisição da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA). O senador quer saber se o ex-diretor tinha conhecimento sobre as cláusulas do contrato de compra e a estatal fez um bom negócio.

10h37 - Paulo Roberto Costa encerrou sua fala inicial. Neste momento, os parlamentares começarão a fazer perguntas.

10h36 - O ex-diretor nega as acusações feitas contra ele e sobre os métodos adotados pela Petrobrás: “Alguns veículos colocaram dados ao meu respeito sem fundamento. Isso praticamente pôs uma pedra na minha carreira na Petrobrás. Eu não caí de paraquedas na diretoria da Petrobrás. Fui por competência técnica. Colocaram minha figura numa situação extremamente delicada. Me sinto muito constrangido.” E complementou: “Trinta e cinco anos na Petrobrás não se joga na lata do lixo como jogaram. Fiquei oito anos na diretoria. Ninguém fica (nesse cargo) se ele não for capaz.”

10h32 - Paulo Roberto Costa começa sua fala resgatando sua trajetória na estatal. Explica que, após deixar a estatal, em 2012, abriu uma consultoria na área de petróleo, a Costa Global.

10h21 - É aberta a sessão da CPI da Petrobrás.  O presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), convida o ex-diretor Paulo Roberto Costa para compor a mesa. Ele terá 20 minutos para falar antes de ser questionado pelos parlamentares.