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AéCIO NEVES

Em visita a Pernambuco, Aécio promete choque de infraestrutura no Nordeste

No Estado já governado por seu adversário Eduardo Campos (PSB), senador tucano faz agendas políticas na tentativa de conquistar eleitor nordestino

Lilian Venturini

18 Junho 2014 | 10h56

Pedro Venceslau (enviado especial) e Angela Lacerda  

 

Recife – (última atualização às 22h12) Na primeira agenda política após ser oficializado candidato à Presidência pelo PSDB, no sábado, o senador Aécio Neves prometeu nesta quarta-feira, 18, em Pernambuco, terra do ex-governador e pré-candidato ao Planalto Eduardo Campos (PSB), dar “um choque de infraestrutura no Nordeste”.

O caminho para dar tal “choque” será, segundo o tucano, seu programa “Novo Nordeste”, a ser anunciado em agosto. Ontem, Aécio não deu detalhes sobre esse plano cujo foco é a região onde o PT costuma vencer com larga vantagem nas eleições presidenciais e é o maior reduto eleitoral da presidente Dilma Rousseff, pré-candidata à reeleição.

A opção dos tucanos de priorizar agora o Nordeste decorre da avaliação de que o senador foi bem sucedido no período de pré-campanha no movimento de aproximação com os paulistas do partido. Além de ter atraído para a sua área de influência líderes locais em São Paulo, candidato pacificou sua relação com dois desafetos internos no Estado: o ex-governador José Serra e o governador Geraldo Alckmin.

O candidato a vice na chapa de Aécio deve também sair de São Paulo. O mais cotado para o posto é o senador tucano Aloysio Nunes Ferreira. Aécio, porém, não perdeu a esperança de contar com o apoio de um partido dissidente da base aliada de Dilma, como o PSD. Nesse caso, a vaga da vice seria cedida.

O comitê de Aécio avalia que, com votação expressiva em São Paulo e em sua terra natal, Minas Gerais, o tucano já garantiria a ida ao 2.º turno. Para vencer a eleição, porém, é necessário a ampliação do apoio no Nordeste. “Vamos apresentar na campanha uma proposta formulada por nordestinos para promover um choque de infraestrutura no Nordeste”, disse o senador em eventos realizados ontem no Recife.

A ideia, segundo Aécio, é concluir as obras inacabadas e com sobrepreço na região, além de fazer grandes investimentos em programas sociais. A principal inspiração do senador é o programa “Travessia”, usado como uma das maiores vitrines de sua gestão no governo mineiro. “O Travessia é um programa exitoso em Minas Gerais e pode atender as demandas dessa região. Nós investimos três vezes mais per capta na região nordeste de Minas Gerais, que tem um IDH parecido com o do Nordeste brasileiro, do que nas regiões mais ricas”, afirmou.

Aécio reiterou que vai manter e aperfeiçoar programas como Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida. Outra proposta do programa Novo Nordeste é um projeto que recupere para o semiárido a capacidade de investimentos em irrigação.
Em sua visita ao Recife, Aécio incluiu um encontro reservado com o governador João Lyra (PSB), vice que assumiu o comando do Estado após Campos se desincompatibilizar do cargo em abril. “Tenho uma relação pessoal com o João Lyra que extrapola nossas figuras”, disse.

Aécio lembrou que o irmão do governador, Fernando Lyra, foi uma dos “grandes amigos” de seu avô, Tancredo Neves. Questionado sobre a possibilidade de receber apoio do governador, Aécio frisou que sabe dos compromissos dele com Campos, mas deixou no ar a possibilidade. “Vamos ver o que vai acontecer lá na frente.”

Momento. A visita aconteceu no momento que a base política de Campos vive a eminência de um racha. Apesar de ser oficialmente aliado do pré-candidato do PSB ao Planalto, Lyra se afastou dele após não ser ungido candidato à reeleição – Campos escolheu Paulo Câmara, secretário da Fazenda, como sucessor.

Além do esfriamento da relação, Lyra vem sendo fortemente criticado até por aliados do PSB por ter ordenado na terça-feira uma ação da Polícia Militar de reintegração de posse do terreno do Cais José Estelita.

A atuação da PM, que ocorreu pouco antes da partida do Brasil contra o México, resultou em detidos e feridos. Aliado de Campos e ex-presidente do PSB pernambucano, Milton Coelho criticou a ação no Facebook, bem como a ex-ministra Marina Silva, vice na chapa pessebista. Questionado sobre a ação da PM, Aécio preferiu não entrar na polêmica. “Não cabe a mim julgar a ação da PM”, afirmou.