A Gazeta: Hartung desiste de disputar em Vitória

Redação

29 Maio 2012 | 10h12

Por A Gazeta

Após cerca de um ano de especulações e de deixar alguns partidos e pré-candidatos à espera da sua decisão, o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) disse não à disputa para o comando da Prefeitura de Vitória. “Trata-se de uma decisão madura e coerente com a minha trajetória política”, resumiu o peemedebista, em texto intitulado “carta a Vitória”.

No documento, Hartung afirma que “outros nomes colocados no processo eleitoral da Capital terão a oportunidade de debater e discutir os melhores caminhos para a cidade, cabendo ao eleitor a escolha pela melhor proposta”.

Ele destaca que, nas últimas semanas, houve “intensificação dos apelos de lideranças políticas, sindicais, empresariais, comunitárias e religiosas para que assumisse a candidatura à Prefeitura de Vitória” e cita que exerceu quase 30 anos de mandato. “Uma longa e gratificante jornada, mas que, naturalmente, representou muitos sacrifícios para a minha família”, completa.

Depois da decisão, Hartung não quis dar entrevista e ainda não se posicionou em favor de nenhum dos nomes colocados. Entre os pré-candidatos lançados em Vitória há três ligados ao grupo político dele – o deputado federal Lelo Coimbra (PMDB), que tenta se viabilizar; o deputado estadual Luciano Rezende (PPS), que estaria mais próximo do ex-governador; e o ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), que tenta se reaproximar dele. Também estão no páreo: a deputada federal Iriny Lopes (PT), o deputado estadual José Esmeraldo (PR) e o vereador Sérgio Magalhães (PSB), o Serjão.

Com a desistência de Hartung, que aparecia em primeiro lugar nas pesquisas sobre a sucessão em Vitória, a expectativa agora é de que cada partido tente viabilizar o seu nome, buscando apoios, e que a corrida na Capital só seja decidida em dois turnos.

Por enquanto, o cenário é de indefinição até no PMDB. Apesar de Lelo estar à disposição, após a saída de Hartung o nome do senador Ricardo Ferraço voltou a circular como opção para a disputa. Em março, Ferraço negou interesse.

A Carta

Decisão madura

“Em razão das definições acerca das eleições municipais deste ano, anuncio que não sou candidato à Prefeitura de Vitória. Trata-se de uma decisão madura e coerente com a minha trajetória política”.

Família

“Após muitas consultas e reflexões, decidi que não participarei do pleito como candidato. Esta decisão tem conexão inclusive com minha própria trajetória. Exerci quase 30 anos de mandatos conquistados em sete eleições. Uma longa e gratificante jornada, mas que, naturalmente, representou sacrifícios para minha família”.

Contribuição

“Com a convicção de ter contribuído com nosso Estado, considero que outros nomes colocados no processo eleitoral da Capital terão oportunidade de debater e discutir os melhores caminhos para a cidade, cabendo ao eleitor a escolha pela melhor proposta”.Partidos agora intensificam construção de alianças

Com a confirmação da desistência do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) de concorrer à Prefeitura de Vitória, os partidos que têm pré-candidatos próprios pretendem intensificar os diálogos para fortalecer suas chapas.

O presidente regional do PSDB, deputado César Colnago, ressaltou que o partido “vai buscar todas as forças” com projeto de oposição à gestão do prefeito João Coser (PT). “Vamos aguardar a posição do PMDB”, disse o tucano.

Pré-candidato pelo PSB do governador Renato Casagrande, que havia manifestado apoio ao nome de Hartung, o vereador Sérgio Magalhães, o Serjão, disse que vai buscar o apoio do ex-governador “porque é fundamental”.

“Ele é a maior liderança, junto com Casagrande. Defendo a multiplicidade de candidatos. Minha proposta não é de oposição, nem de continuidade. O que é bom vamos dar continuidade e o que é ruim, vamos descartar”, disse Serjão.

No PT, que tentava ficar com a vaga de vice de Hartung, o presidente estadual, José Roberto Dudé, disse que agora cabe aos 185 delegados decidirem pela confirmação do nome da deputada Iriny Lopes.

Já o pré-candidato do PR, deputado estadual José Esmeraldo (PR), afirmou que, com a desistência de Hartung, “é praticamente nula” a chance de o bloco formado por PR, PDT e PSC fazer composição no primeiro turno “com qualquer outro pré-candidato”.