Partilha ministerial já desagrada PT e PMDB

Estadão

01 Dezembro 2010 | 13h11

Bancadas dos dois partidos na Câmara afirmam que nomes definidos não foram negociados com o Congresso e apontam riscos para a governabilidade

Denise Madueño, Eugênia Lopes e Christiane Samarco / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

O PT e o PMDB na Câmara estão convencidos de que, por enquanto, só o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está satisfeito com a montagem do ministério de Dilma Rousseff. E já ameaçam criar problemas para a presidente eleita. Parlamentares dos dois partidos ficaram irritados com a indicação à revelia das bancadas do petista Paulo Bernardo para as Comunicações e do peemedebista Sérgio Côrtes, na pasta da Saúde.

Ignorados no processo de escolha, petistas e peemedebistas – incluído aí o vice-presidente eleito, deputado Michel Temer (PMDB-SP) – não conseguiram, até agora, emplacar seus indicados e sentem-se desprestigiados. Os mais nervosos advertem que está em jogo a governabilidade no mandato de Dilma, porque serão os deputados que vão votar os interesses do Palácio do Planalto no Congresso.

Os nomes do PT e do PMDB já divulgados não passaram pelas bancadas federais, nem tampouco são ministros com os quais os parlamentares que dão sustentação ao governo no Congresso se identificam. A exemplo do que fez Lula, os dois partidos apontam uma manobra para impingir mais uma vez aos deputados o apadrinhamento de ministros na cota da bancada.

O último motivo de irritação de peemedebistas foi a notícia de que o governador do Rio, Sérgio Cabral, acertou com Dilma, na noite de segunda-feira, a indicação de Sérgio Côrtes para substituir José Gomes Temporão na Saúde. Isso, depois de os deputados terem se queixado no passado de o governo transformar o PMDB em “barriga de aluguel” para nomear Temporão e Nelson Jobim, que deve ficar na Defesa.

Os peemedebistas irritaram-se ainda com Cabral, que indicou Côrtes sem consultar o partido. A tal ponto que Temer – que insiste em fazer Moreira Franco ministro de sua cota pessoal – recebeu manifestações de solidariedade na bancada.

No PT, a reclamação é semelhante. Os deputados não se consideram representados pelo futuro primeiro escalão. Guido Mantega (Fazenda), Miriam Belchior (Planejamento), Fernando Haddad (Educação), Antonio Palocci (Casa Civil), Gilberto Carvalho (Secretaria Geral), apesar de petistas, não são escolhas da bancada. No caso de Haddad, as críticas são maiores. Petistas afirmam que o ministro fez campanha só para o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), escanteando os 17 deputados de São Paulo.

Disciplinados, os petistas não ameaçam retaliação ou enfrentamento com o governo. O mesmo não ocorre com o PMDB.

“Os deputados do PT vão votar tudo, mas a bancada do PMDB para votar tem de ter apoio do governo”, resumiu um peemedebista insatisfeito.

O PMDB quer ficar com quatro ministérios na área de infraestrutura. Deverão comandar Minas e Energia, Cidades e Agricultura. Dilma ofereceu a Previdência aos peemedebistas, ontem, mas o partido não quer a pasta. O partido argumenta que hoje tem o comando das Comunicações, que vai para as mãos de Paulo Bernardo. Na divisão interna do PMDB, dois ministérios serão ocupados por indicação dos deputados e dois pelos senadores. O alvo da cobiça é o Ministério das Cidades. O deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS) tem o apoio da bancada. “Se não tiver deputado ministro, vai ter crise”, alertou um parlamentar.