Eduardo Braga é o novo ministro da Previdência

Estadão

07 Dezembro 2010 | 10h15

Com ex-governador do Amazonas na equipe, o senador Alfredo Nascimento deve ser reconduzido ao Ministério dos Transportes

Vera Rosa, Eugênia Lopes / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

O ex-governador do Amazonas e senador eleito Eduardo Braga será o ministro da Previdência Social no governo de Dilma Rousseff. Apesar das restrições do PMDB à pasta, que tem a maior fatia do orçamento vinculada ao pagamento de aposentadorias e pensões, a cúpula do partido decidiu aceitar a oferta e indicar o ex-governador para o cargo.

Marcos de Paula/AE

Marcos de Paula/AE

 Este é o terceiro ministério acertado entre o PMDB e Dilma. No xadrez ministerial, o PMDB ficará com as pastas de Minas Energia, sob o comando do senador Edison Lobão (MA), e da Agricultura, que continuará nas mãos de Wagner Rossi. O Ministério do Turismo, hoje dirigido pelo PT, também será entregue ao PMDB. O mais cotado para ocupar a vaga é o deputado Pedro Novais (MA).

Com Braga na Previdência, o senador Alfredo Nascimento (PR) deve ser reconduzido ao Ministério dos Transportes. Dilma gosta dos dois amazonenses, que são adversários políticos.

Na prática, o PMDB do vice-presidente eleito Michel Temer (SP) reivindica cinco ministérios. A Secretaria de Assuntos Estratégicos poderá ser a quinta vaga do partido. Filiado ao PMDB, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, permanecerá na equipe de Dilma, mas a sigla alega que a escolha é da cota pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O PSB também está fazendo contatos com o futuro ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, para definir o seu espaço na Esplanada. Obrigado pelo partido a desistir de sua candidatura à Presidência, o deputado Ciro Gomes (CE) deverá perder seu afilhado político no primeiro escalão. A Secretaria dos Portos pode continuar sob controle do PSB, mas uma ala do partido insiste na nomeação do deputado Márcio França (SP) para o cargo. Hoje, a secretaria é comandada por Pedro Brito, ligado a Ciro.

Além da Secretaria dos Portos, o PSB deverá chefiar outros dois ministérios: o da Integração Nacional e o da Micro e Pequena Empresa, que ainda será criado. Ciro, por sua vez, é lembrado para ocupar a presidência de uma estatal. O Banco do Nordeste do Brasil (BNB) é uma das opções para alocar o deputado. Em viagem à Europa com um dos filhos, Ciro já foi cogitado para presidir o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas acabou descartado. O BNDES continuará a ser dirigido por Luciano Coutinho.

O presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, está em Brasília para acertar os últimos detalhes da participação dos socialistas na equipe de Dilma. Fernando Bezerra Coelho, ex-prefeito de Petrolina, é dado como certo para comandar a Integração Nacional. Sua indicação também conta com o aval dos governadores Jaques Wagner (Bahia) e Marcelo Déda (Sergipe). Nas eleições, Bezerra Coelho desistiu de disputar uma vaga ao Senado a pedido de Campos e apoiou Humberto Costa (PT), com a promessa de que seria recompensado.

Para ao Ministério da Micro e Pequena Empresa, que ainda não saiu do papel, o mais citado é o senador Antonio Carlos Valadares (SE). Sua escolha permite que o presidente do PT, José Eduardo Dutra, assuma uma cadeira no Senado. Dutra é o primeiro suplente de Valadares.