Tá tudo dominado
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Tá tudo dominado

Suspeitos de sempre do PMDB indicaram, apadrinharam e aplaudiram Segóvia na Polícia Federal

José Nêumanne

09 Novembro 2017 | 12h17

Segóvia, indicado por Sarney e apadrinhado por Padilha, assume Polícia Federal Foto: Dida Sampaio/Estadão

O que dizer de um policial federal especializado em informação (leia-se “araponga”), que passou pelo Maranhão e foi indicado por José Sarney para dirigir a .PF, tendo obtido para isso o apoio entusiástico e insistente de Eliseu Padilha, que ACM apelidou de Eliseu Quadrilha e, tendo sido enfim escolhido por Temer, está sendo aplaudido de seca a meca pelo PMDB do Senado e da Câmara, com suas bancadas recheadas de suspeitos? Fernando Segóvia tem ou não tem tudo para fazer aquilo que o líder do governo no Senado, Romero Jucá, o Caju da Odebrecht, considere ideal para realizar aquilo que ele chamou de “estancar a sangria” (leia-se conter o ímpeto “punitivista” da Operação Lava Jato) na gravação feita pelo delator premiado Sérgio Machado? A única resposta que me ocorre às questões é “está tudo dominado”. O resto é conversar pra enganar trouxa.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na quinta-feira 9 de novembro de 2017, às 7h30m)

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Abaixo, a íntegra da degravação do comentário:

Eldorado 9 de novembro de 2017 Quinta-feira

O presidente Michel Temer (PMDB) oficializou ontem a nomeação do delegado de carreira Fernando Segóvia como diretor-geral da Polícia Federal, substituindo o também delegado Leandro Daiello. A que conclusão leva esta notícia?

Em nota divulgada por volta das 16 horas, o ministério confirmou a troca, antecipada pelo Estado. O governo assume o compromisso de não haver nenhuma mudança e interferência nos rumos da Lava Jato.

“O Ministério da Justiça comunica que o senhor Presidente da República escolheu nomear o Delegado Fernando Segóvia como novo diretor-geral do Departamento de Polícia Federal. Nesta mesma oportunidade, o ministro da Justiça expressa ao Delegado Leandro Daiello seu agradecimento pessoal e institucional pela competente e admirável administração da Polícia Federal nos últimos seis anos e dez meses” diz o comunicado. A saída de Daiello vinha sendo negociada desde quando Alexandre de Moraes ainda era titular do ministério. Daiello se dizia cansado, sob pressão da família e com a sensação de que já fez tudo o que tinha de fazer à frente do cargo. Ele já havia adiado a aposentadoria para permanecer no cargo.

A nota traz ainda um breve currículo do novo comandante da PF. “Segóvia é advogado formado pela Universidade de Brasília, com experiência de 22 anos na carreira. Foi superintendente regional da PF no Maranhão e adido policial na República da África do Sul, tendo exercido parcela importante de sua carreira em diferentes funções de inteligência nas fronteiras do Brasil.” A larga experiência de Segóvia em inteligência de fronteiras é valorizada pelo governo como questão prioritária no combate ao crime organizado. Havia a expectativa de uma coletiva de imprensa para que Temer anunciasse a troca, mas ficou definido que Torquato escolheria o formato do anúncio. Minutos depois da reunião, a assessoria do ministério divulgou a nota oficial.

Como tudo o que acontece no governo Temer é tudo lorota pra enganar cidadão. Segóvia foi colocado no posto pelo bando que Joesley Batista definiu como Orcrim do Planalto em sua delação e que Sérgio Machado denunciou há muito tempo. Segóvia é a solução para todo o grupo citado na delação do cearense, que tem sido desqualificada, mas os fatos estão confirmando. Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves e Geddel Vieira Lima estão na cadeia: Rodrigo da Rocha Loures, o homem da mochila na pizzaria Camelo, em prisão domiciliar. Michel Temer, Moreira Franco e Eliseu Padilha, que é citado como o assessor que mais insistiu pela nomeação, estão no Palácio mandando na República. É o mais descarado ato público da história do crime organizado tomando o poder no Brasil. Os prognósticos mais pessimistas dão conta do estancamento da sangria, como definia outro membro da orcrim, Romero Jucá, o Caju da Odebrecht, ou seja o desmantelamento total da Lava Jato. Os mais otimistas ousam imaginar que não vai dar para a cúpula interferir em investigações reveladoras. Seja como for, já dá para perguntar o que foi feito dos sonhos das multidões nas ruas pedindo o fim da impunidade.

Em manifestação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (8), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, defendeu a transferência do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral para uma penitenciária federal de segurança máxima. Depois de tudo o que foi revelado no Rio Gilmar Mendes manterá Cabral em Benfica?

Cabral em Benfica nós é que mal ficamos, não é, Haisen?PU

E ele está em Benfica porque o ministro do STF Gilmar Mendes, do STF, decidiu no mês passado atender a um pedido do ex-governador para mantê-lo na unidade prisional de Benfica, suspendendo a transferência de Cabral para o presídio federal de Campo Grande (MS), conforme havia sido determinado pelo juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal, do Rio.

O Ministério Público Federal (MPF) pediu a transferência de Cabral para uma penitenciária federal depois que o ex-governador citou em depoimento que o juiz federal Marcelo Bretas tem familiares que vendem bijuterias. A afirmação ocorreu quando o ex-governador justificava as compras de joias feitas por ele e pela mulher, Adriana Ancelmo, na H. Stern supostamente com dinheiro oriundo de corrupção.

A novidade ontem é que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, fez um despacho ao Supremo pedindo o cumprimento da ordem do juiz, negada pelo também presidente do Tribunal Superior Eleitoral. E também ontem em mais uma manobra ardilosa Sérgio Cabral deu uma de humilde e pediu desculpas pelo que definiu como destempero, mas foi apenas truque de bandido para coagir o juiz que determinou a transferência.

“É por esta razão que, para evitar que o paciente exerça sua condição de líder de organização criminosa, com força política e poder de influência inegáveis no Estado do Rio de Janeiro, para obter e gozar de benefícios indevidos no cárcere e receber informações privilegiadas aptas a causar embaraços, intimidação e ameaçar ostensiva ou veladamente o magistrado competente para processar e julgar diversas ações penais que tramitam contra ele, é necessária sua transferência para um dos presídios federais (nenhum deles se encontra situado no Rio de Janeiro), onde certamente o aparato institucional da segurança pública impedirá o recebimento pelo paciente de informações inadequadas e privilégios irregulares”, argumentou a procuradora-geral da República.

Ontem, na primeira audiência em que ficou frente a frente com o juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, desde a polêmica envolvendo sua transferência para um presídio federal, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral Filho (PMDB) pediu desculpas  duas vezes ao juiz.

“Eu me exaltei, e peço desculpas. O senhor nunca faltou com o respeito comigo”, disse Cabral.

SONORA 0911 DESCULPA

Isso em nada altera dois fatos que Gilmar Mendes desconsiderou em sua decisão de soltador geral da República. Primeiro, Cabral ameaçou, sim, Bretas, usando uma velha tática de sua nova profissão delinqüente. E Gilmar usou a autoridade para desautorizar o mesmo juiz da primeira instância, como se fosse seu inimigo. Aquele papo de garantia de direitos individuais é mera lorota. E à sombra das togas do Supremo o Brasil segue sendo o país da impunidade, como denunciou Sebastião Barbosa, jornalista paraibano, sobrinho de Margarida Maria, líder camponesa assassinada por latifundiários nos tempos em que ainda nos era permitido sonhar com o fim da impunidade.

Com a ameaça de deputados do Centrão de obstruir votações na Câmara e os sinais de desembarque dados pelo PSDB, o presidente Michel Temer avalia antecipar para janeiro de 2018 a reforma ministerial, a princípio prevista para abril, quando candidatos às eleições terão de deixar os cargos. Qual é o nome disso?

O nome disso é chantagem, apesar de auxiliares do presidente dizerem que o governo não vai ficar refém do bloco formado por partidos médios, como PP, PR e PTB, mas está à procura de uma solução para o impasse.

A crise política se agravou terça-feira quando aliados da base deram ultimato ao Palácio do Planalto, exigindo a exclusão do PSDB do primeiro escalão. Os tucanos controlam quatro ministérios e se dividiram no apoio a Temer durante a votação da segunda denúncia contra ele, por obstrução da Justiça e organização criminosa.

“Ou muda (o Ministério) ou não vota mais nada aqui”, afirmou ao Estado o deputado Arthur Lira (AL), líder da bancada do PP, a quarta maior da Câmara, com 45 parlamentares. Na véspera, em sinal de protesto, Lira chegou a faltar à reunião convocada por Temer com outros líderes aliados no Planalto.

O Centrão pode impedir que seja votada a reforma da Previdência, como avisa o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Mas não pode garantir os três quintos de votos dos congressistas para aprovar uma mudança na Constituição. Uma coisa é certa: esta é a Republica dos Chantagistas. Eles estão no poder e ao governo só resta atendê-los para manter o foro privilegiado de Temer, Moreira e Padilha.

O que me diz das candidaturas de Tasso e Perilo à presidência do PSDB, o partido que está saindo do governo por pressão do Centrão?

O senador Tasso Jereissati (CE) lançou oficialmente ontem a sua candidatura à presidência do PSDB defendenod um código de ética “mais rigoroso” e de um novo estatuto que contemple adoção do sistema de compliance (conjunto de boas práticas) para fiscalização interna do partido e seus integrantes. Esta é conversa para microfone. Os inimigos de Tasso dizem que na verdade ele está articulando o fortalecimento da candidatura de Ciro Gomes, seu afilhado de antanho, na eleição do ano que vem.

Seu adversários será Marconi Perilo, que, no governo de Goiás, foi aliado secreto de Lula, Dilma e do PT.

Como dizia Vianinha, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. E lá se vão pro beleléu os sonhos das multidões por uma política mais limpa. Só nos restará mesmo a náusea, à la Jean-Paul Sartre.

Perillo (GO), apoiado pelo presidente licenciado da sigla, senador Aécio Neves (MG), que também é mais sujo do que pau de galinheiro.

É verdade que o Brasil está se olhando no espelho e não gosta do que viu, como disse Wesley Batista na CPI da JBS?

O sócio da JBS Wesley Batista disse ontem que colaboradores da Justiça brasileira estão sendo “punidos e perseguidos” por dizer a verdade. Ele foi etido há quase dois meses por suposta prática do crime de insider trading – uso de informação privilegiada para lucrar no mercado financeiro SONORA 0911 WESLEY

No país da impunidade, na República dos chantagistas, tendo sido beneficiado pela mais exagerada e descarada delação premiada da história da Justiça Penal no Brasil, o sócio da JBS exercita seu cinismo, pois nada mais tem o que fazer no silêncio da cela na qual não está preso porque falou a verdade, mas por ter cometido crimes que, se devidamente punidos, o conduziria ao lado de seu irmão Joesley ao cumprimento de 2 mil anos de penas, como descreveu Marcelo Godoy no Estadão em reportagem recente. A respeito dos delatores presos e dos delatados soltos, é preciso observar que se trata de uma variante de meia verdade. Delatores estão presos porque delinqüiram e os delatados que estão soltos gozam o absurdo da jabuticaba jurídica do foro privilegiado, pois tem muito bamba do empresariado cumprindo pena por não ter mandato político. Delatores são por definição meliantes e estão presos por isso. Ele e o irmão, aliás, devem uma história completa de como viraram bilionários sob as asas, não da Panair, mas do PT. E Rodrigo Janot, que patrocinou sua premiação, saiu da Procuradoria Geral sem explicar por que o fez, mas também sem nenhum prestígio com a população, que sabe muito bem o que ele fez com nossos sonhos.

SONORA O que foi feito devera Elis Regina e Milton Nascimento