O fel nosso de cada dia
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O fel nosso de cada dia

Mesmo pessoalmente bem, não posso deixar de registrar meu susto e meu espanto com meu País

José Nêumanne

28 Setembro 2017 | 17h15

 

Soldados do Exército cobrem a cara com lenços com caveiras – retrato do Brasil Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Estou agora pondo os pés no Brasil aos pouquinhos, após duas semanas em Paris, com rápidas passagens por Milão e Genebra e pulinhos em Annecy, Versalhes e Giverny. A sensação é de desamparo. Apesar das ameaças do Estado Islâmico na Europa, a tranquilidade que qualquer cidadão sente nas ruas das cidades europeias não pode sequer ser colocada na mesma frase em que descreveria o desespero e a angústia da mistura de medo da violência, vergonha pelo comportamento de nossos homens públicos e a completa desfaçatez com que o Estado brasileiro nos humilha, nos enoja e nos massacra, chegando na correspondência pelo correio ou no noticiário dos jornais e emissoras de rádio e televisão. O Brasil se resume a medo e náusea. E o resto é desesperança.

Mesmo estando pessoalmente bem, muito bem, bem até demais, não posso deixar de registrar meu susto e meu espanto.

Abraço, espero que pelo menos não nos falte o fel que nos têm servido esses canalhas. Desculpe a dolorosa franqueza,

Nêumanne