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Enquanto taxa de juros cai, reforma da Previdência, que agonizava, agora respira por aparelhos

José Nêumanne

07 Dezembro 2017 | 10h42

Policiais fazem da prisão do chefe do tráfico na Rocinha uma farra geral Foto: Reprodução

O Banco Central reduziu ontem, à noite, a taxa Selic em 0,50 ponto porcentual, de 7,5% para 7% ao ano. O Banco Central reduziu ontem, à noite, a taxa Selic em 0,50 ponto porcentual, de 7,5% para 7% ao ano. Os dados de melhora da economia, que ainda são tímidos, ganham mais solidez e credibilidade com essa queda. Grande ajuda poderá dar a reforma da Previdência, cujo projeto a ser votado já foi mitigado demais, embora ainda signifique um abanco importante para otimizar as contas públicas abaladíssimas pelas desastradas indigestões de Lula e Dilma, que no mandato tampão o vice dela, Temer, tem tentando reduzir. O impacto positivo no mercado pode não ser sustentável se a economia prevista não for a esperada. Mas certamente há uma espera ansiosa para uma boa solução para o problema. Na semana passada, agonizava. Agora respira por aparelhos.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na quinta-feira 7 de dezembro de 2017, às 7h30m)

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Abaixo, a íntegra da degravação do comentário:

Eldorado – 7 de dezembro de 2014 – Quinta-feira

Com a inflação sob controle e a atividade ainda em marcha lenta, a taxa de juros de referência do Brasil caiu para o menor patamar da história. O Banco Central reduziu ontem, à noite, a taxa Selic em 0,50 ponto porcentual, de 7,5% para 7% ao ano. Esta é uma boa notícia?

Sim, principalmente porque foi o décimo corte consecutivo. Antes do anúncio, a Selic mais baixa, de 7,25%, havia sido registrada ainda no primeiro governo de Dilma Rousseff. E também porque, além do corte desta quarta, o BC já sinalizou a intenção de promover nova redução de juros no próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), em fevereiro do ano que vem. Desta vez, no entanto, a tendência é de baixa de 0,25 ponto porcentual, para 6,75% ao ano – um novo piso histórico.

Os dados de melhora da economia, que ainda são tímidos, ganham mais solidez e credibilidade com essa queda.

E o que pode ser feito para manter e incrementar essa boa novidade?

Um passo importante para o mercado seria a possibilidade da aprovação da reforma da Previdência. Ontem também tivemos uma reviravolta política capaz de dar outro choque positivo na economia. O PMDB, partido com a maior bancada da Câmara, anunciou que fechou questão para tentar obrigar seus 60 deputados a votarem a favor da reforma da Previdência. Com a decisão da legenda do presidente Michel Temer, a expectativa do governo é de que outras siglas da base aliada sigam o exemplo e também fechem questão a favor da matéria nos próximos dias.

Não há, no entanto, previsão de punição para deputados que não seguirem a decisão do partido, informou o ministro Moreira Franco, da Secretaria-Geral da Presidência. “Se tivesse punição prevista, você estava ameaçando o companheiro”, declarou o ministro após deixar a reunião da executiva.

Parlamentares da base de Temer estão otimistas quanto à possibilidade de votar logo, mas o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, não é tão otimista.

SONORA 0712 MAIA

Na verdade, o projeto a ser votado já foi mitigado demais, embora ainda signifique um abanco importante para otimizar as contas públicas abaladíssimas pelas desastradas indigestões de Lula e Dilma, que no mandato tampão o vice dela, Temer, tem tentando reduzir. O impacto positivo no mercado pode não ser sustentável se a economia prevista não for a esperada. Mas certamente na uma espera ansiosa para uma boa solução para o problema, que inverteu o clima da semana passada para esta.

Em seu primeiro e provavelmente único discurso na tribuna da Câmara desde que foi eleito pela primeira vez em 2010, o deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca (PR-SP), anunciou nesta quarta-feira, 6, que não vai concorrer à reeleição. O que você tem a dizer a respeito?

Em rápida fala, Tirirca disse que vai abandonar a vida política por ter se decepcionado com o trabalho parlamentar. Em agosto passado, ele anunciou sua intenção de deixar a política. “Subo nessa tribuna pela primeira vez e pela última vez. Não por morte. Porque estou abandonando vida pública. (…) Saio decepcionado mesmo”, declarou Tiririca. Ele afirmou que, após o segundo mandato, percebeu que “não dá para fazer muita coisa”. “Costumo dizer que parlamentar trabalha muito e produz pouco”, disse, elencando “mordomias” que parlamentares têm direito, como um salário líquido de R$ 23 mil. Em entrevista ao Estadão/Broadcast em 4 de agosto, Tirica já tinha dito que estava propenso a encerrar a carreira parlamentar em 2018, quando acaba o seu segundo mandato, por estar desiludido com a política. Na entrevista, ele criticou o Congresso Nacional e que não tem “jogo de cintura” exigido para ser político. “Não vai mudar. O sistema é essa. É toma lá, dá cá”, afirmou.

Em entrevista a Roberto Cabrini no SBT o deputado já tinha declarado que recebeu proposta de propina para votar contra o impeachment de Dilma e nas votações contra a investigação de Temer. Neste caso o assédio, segundo ele, foi muito maior. O desprendimento do deputado milionário de votos e que elegeu à sua sombra vários colegas de Casa é corajoso e parece também único. É um cala-boca nos preconceituosos que atacaram sua atuação como se ele fosse um estorvo no Legislativo. No fim está se revelando um estorvo no bom sentido apenas para os esquemas corruptos dominantes no Congresso. Para o cidadão, ele é um exemplo a ser seguido. Mas quem vai segui-lo? Duvido e faço pouco.

Em votação unânime, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) recebeu denúncia contra o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), no âmbito da Operação Acrônimo, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. E daí, e daí?

Pimentel teria participado de suposto esquema de favorecimento da Odebrecht, em troca de vantagens indevidas, quando era ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Apesar de virar réu, Pimentel não será afastado do exercício do mandato. Os 10 ministros que votaram entenderam que não há motivos para retirá-lo do cargo de governador porque os fatos não têm relação com o cargo e porque ele não estaria agindo para dificultar as investigações.

Esse é o primeiro caso em que o STJ discute se deve afastar governadores ao torná-los réus, depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter decidido que o tema deve ser analisado pelo próprio STJ caso a caso. Em maio, o Supremo eliminou a necessidade de autorização prévia de Assembleias Legislativas estaduais para processamento de governadores, mas derrubou a previsão de afastamento automático, que constava em algumas constituições estaduais.

Ou seja, a legislação, que não muda e já deveria ter mudado, continua facilitando o ambiente de tolerância e leniência que reina nos tribunais quando estes julgam os políticos donos do poder e, em conseqüência também, do foro privilegiado. Chamo a atenção para o fato de Pimentel ser um dos quadros mais endeusados e tidos antigamente como promissores do PT, cuja corrupção anda meio fora de moda com as luzes todas iluminando o quadrilhão do PMDB, um sócio bem aquinhoado, mas não majoritário, no furto generalizado nos cofres públicos nos anos passados recentes. Pimentel sempre foi o garoto dourado de Dilma Rousseff, que, entre suas falas tatibitates incompreensíveis, sempre vendeu o peixe de ser honesta, porque não tem conta no exterior. Trata-se de um peixe podre. É mentira.

Imagens que circulam na internet mostram fotos estilo “selfie” de policiais junto com o bandido Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, preso ontem, de manhã. Isso pode, Nêumanne?

Claro que não pode. Em algumas das imagens, os policiais e o traficante aparecem sorrindo – em uma delas, uma policial está quase apoiada no ombro de Rogério e ambos estão sorrindo. Apesar de retratarem uma triste realidade, esses selfies são um escárnio para a sociedade que ainda conta com a polícia para combater e não para comemorar com o crime.

O Secretário de Segurança do Rio, Roberto Sá, disse que os policiais que fizeram selfies com Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157,  serão investigados pela Corregedoria Interna da Polícia Civil. O secretário afirmou que “houve uma euforia dos policiais, mas é possível que se tenha passado do ponto”.

SONORA 0712 SA

Segundo o secretário, o caso será objeto de apuração interna e os policiais envolvidos nas fotos deverão ser ouvidos.

“Não deve glamorizar criminosos, ele é mais um dos 4 mil criminosos que a polícia prende por mês. Foi uma prisão emblemática, houve uma euforia, mas pelas fotos é possível que se tenha passado do ponto. Mas temos que entender a euforia e evitar qualquer tipo de atitude que possa glamorizar esses criminosos”, disse o secretário, em coletiva no Centro Integrado de Comando e Controle da Polícia, no centro.

Rogério foi preso na Favela do Arará, zona norte do Rio de Janeiro, quando a polícia realizava uma operação integrada na comunidade, e na Mangueira e Tuiuti, na zona norte do Rio de Janeiro. Um efetivo de 2,9 mil homens das Forças Armadas, membros das polícias Civil, Militar e Federal participaram da ação.

Na minha infância, meu pai me levava exemplares da revista O Cruzeiro abordando a saga de bandidos mequetrefes tratados como astros do crime pela policia para valorizar seu trabalho. Chegaram a ser feitos filmes sobre Mineirinho e Cara de Cavalo. Mas na hora da prisão eram tratados e fotografdos como animais. Hoje vivemos a era da glamurização em que os bandidos ganham renome, como antigamente, mas são tratados como celebridades. O motivo é o mesmo. A polícia vende a ilusão de que a prisão de Rogério 157 é uma batalha vencida numa guerra. Mentira: nada mudou no negócio lucrativo da venda de entorpecentes nem a violência que assola uma das cidades mais lindas do planeta. Está tudo como dantes no “cartel” – e não no quartel – de Abrantes. A luta continua, porque o crime continua.

Líderes palestinos disseram ontem que o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel pelos Estados Unidos, anunciado pelo presidente Donald Trump, representa uma declaração de guerra contra muçulmanos, que levará a conflitos intermináveis e destruirá as chances de criação de dois Estados para solucionar o conflito palestino-israelense. Quer dizer que o tiro de Trump saiu pela culatra?

Não necessariamente. Mudando a política mantida por Washington durante décadas, o presidente Donald Trump anunciou a transferência da embaixada dos EUA de Tel-Aviv para Jerusalém. Segundo ele, isso não significará o abandono da busca de um acordo de paz na região. Mas, em contraste com posições de governos anteriores, ele não apresentou a criação de dois Estados como o resultado necessário desse processo. “Os EUA apoiarão a solução de dois Estados se ela for acordada por ambos os lados”, declarou Trump em discurso na Casa Branca.

O anúncio foi condenado de maneira unânime por países do Oriente Médio. A única exceção foi Israel, onde o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu celebrou o “dia histórico” para seu país. Manifestantes saíram às ruas na Faixa de Gaza para protestar contra a decisão horas antes do anúncio formal do presidente americano. Ativistas palestinos convocaram três “dias de fúria” contra a medida.

Visto aqui de longe, a impressão é de que Trump está tentando tapar o sol com a peneira sobre seus problemas internos que podem levá-lo até ao impeachment como o escândalo da combinação com os russos. Isso torna a situação no Oriente Médio bem mais complicada do que já é, mas pode ser que internamente ele atinja seu objetivo cumprindo promessas de campanha. Como diria um colega dele, o Bruno Veríssimo de Chico Anysio, o mundo que se exploda, ora

SONORA Onde está a honestidade? Noel Rosa