Futrica oficial
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Ministro da Justiça faz denúncia grave e importante, mas não cita fatos que a embasem

José Nêumanne

02 Novembro 2017 | 11h51

Jardim não levou em conta que quem fala muito dá bom dia a cavalo Tânia Rêgo/Agência Brasil

Ou o ministro da Justiça, Torquato Jardim, dá nome aos bois (comandantes da PM, deputado estadual e bandidos do tráfico e das milícias, que, segundo ele disse a jornalistas, vivem em conluio permanente) ou sai imediatamente do curral, pedindo demissão. Quanto à reação das autoridades estaduais do Rio – o governador Pezão o interpelará na Justiça; o secretário de Segurança, Roberto Sá, se solidarizou com os PMs; e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, também tentou tirar sua casquinha, é barulhenta, inócua e hipócrita. Todos fazem parte da cúpula do governo fluminense, cuja obra resultou na falência e na penúria do Estado, tendo como resultados a condenação do ex-chefe Sérgio Cabral a 72 anos de prisão e a vergonha generalizada. Deviam ser menos eloquentes e anunciar medidas concretas para mudar a lamentável situação.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107.3 – na quinta-feira 2 de novembro de 2017, às 7h30m)

Para ouvir clique aqui e, seguida, no play

Para ouvir Fuá na casa de Cabral, com Mestre Ambrósio, clique aqui

Abaixo, a íntegra da degravação do comentário:

Eldorado 2 de novembro de 2017 – Quinta-feira

SONORA 0211 SA

SONORA Fuá na casa de Cabral Siba do Mestre Ambrósio

https://www.youtube.com/watch?v=AxABjVDRtKY Começar no 2:23

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB),  decidiu que vai entrar com uma “interpelação judicial” contra o ministro da Justiça, Torquato Jardim, que denunciou a interferência do crime organizado na escolha dos comandos da PM. Quem tem razão nessa guerra de denúncias e respostas?

Pezão disse ao Estado que o objetivo do procedimento é para que o ministro “informe o que ele tem contra a cúpula (da polícia) e os policiais”.  Após reunião com comandantes de batalhões de Polícia Militar do Rio de Janeiro, o governador declarou que vai exigir na Justiça que o ministro Torquato Jardim explique as declarações polêmicas sobre o comando da segurança pública do Estado.

No blog de Josias de Souza, do UOL, o ministro da Justiça afirmou que Fernando Pezão e Roberto Sá, secretário de Segurança, não controlam a polícia e que comandantes de batalhões são ‘sócios de crime organizado’.

Roberto Sá fez um anúncio nesta quarta-feira:

SONORA 0211 SA

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) também cobrou de Israel, onde faz turismo pago pelo povo, que Torquato Jardim, apresente provas das acusações que fez contra a cúpula de segurança pública do Rio.

De fato, ou Jardim dá nome aos bois ou pede pra sair do curral. Ou seja, assina a carta de demissão imediatamente. Leio o último parágrafo do editorial do Estadão Nomes aos bois, que define bem esse dilema: Se realmente estivesse preocupado com o sigilo de investigações em andamento, o ministro da Justiça não teria se entregado ao mexerico. Já que o fez, então que assuma a responsabilidade, quer dando os nomes de quem suspeita, quer deixando o Ministério, para ser substituído por alguém que tenha mais cuidado com o que fala.

Quanto à reação das autoridades estaduais do Rio é barulhenta, inócua e hipócrita. Todos fazem parte da cúpula do governo fluminense, cuja obra resultou na falência e na penúria do Estado, tendo como resultado a condenação do ex-chefe Sérgio Cabral e 72 anos de prisão e à vergonha generalizada. Podiam ser menos eloqüentes e apresentar fatos concretos de que estão fazendo algo para mudar a situação.

Por falar em explicações, você não acha que Rodrigo Maia está devendo explicações ao distinto público que está pagando 550 dólares de diárias para que Sua Excelência passeie no exterior neste momento?

De fato, o relato da agenda da viagem de Maia e mais nove deputados por Israel, Palestina, Itália e Portugal é um vexame que se repete em tours parlamentares do gênero. A informação vinda de Israel, primeira parada do passeio, dá conta de reuniões oficiais breves a portas fechadas, cancelamentos e pouco contato com a imprensa, a agenda em Israel do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e da comitiva de mais nove deputados foi encerrada com passeio turístico pela Cidade Velha de Jerusalém e visita a Belém, na Cisjordânia. A reunião com o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, que havia sido divulgada pela assessoria de Maia, não ocorreu. As outras duas reuniões previstas, com o presidente do Parlamento, Yuli Edelstein, e o ministro de Segurança Pública, Gilad Erdan, duraram cerca de 20 minutos. Em ambas, houve apenas uma conversa formal e troca de cortesias. A comitiva em seguida reuniu-se, mais uma vez a portas fechadas, com representantes de empresas israelenses de segurança pública.

Na terça, o grupo se deslocou para Ramalá. Ali, colocaram uma coroa de flores sobre o túmulo do líder Yasser Arafat e depois se reuniu por cerca de 20 minutos com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro palestino, Rami Hamdallah. A ida a Belém limitou-se à visita à Igreja da Natividade, que está sendo restaurada, O périplo começou na última sexta (27) e incluirá ainda dias em Portugal.

A comitiva, à qual se agregou a mulher de Rodrigo Maia, é formada por Baleia Rossi (PMDB-SP), Marcos Montes (PSD-MG), José Rocha (PR-BA), Alexandre Baldy (Podemos-GO), Benito Gama (PTB-BA), Cleber Verde (PRB-MA), Heráclito Fortes (PSB-PI), Orlando Silva (PC do B-SP) e Rubens Bueno (PPS-PR), e hospedou-se no David Citadel, hotel cinco estrelas em Jerusalém cuja diária gira em torno de R$ 1.400 por quarto.

Os trajetos aéreos estão sendo realizados com um avião da FAB. O valor de uma passagem aérea com o trajeto São Paulo-Tel Aviv–Roma-São Paulo (sem incluir Portugal) teria o custo de R$ 28.500 em classe executiva, de acordo com o site da companhia Air France.

O dinheiro público também banca hospedagem, transporte local e alimentação. A diária é de US$ 550 (R$ 1.808) para cada um dos deputados.Na semana passada, a assessoria de Rodrigo Maia afirmou que ele abriria mão do recebimento das suas.

Ao todo, cada deputado receberá US$ 2.750 (R$ 8.921), por 5 diárias -o custo das outras 4 corre por conta do parlamentar. Ou seja, as diárias, somadas, custarão quase R$ 90 mil aos cofres públicos.

Antes da partida, a assessoria de Maia informou que o objetivo da viagem seria fortalecer “a diplomacia parlamentar e debater temas de interesse do Brasil, como geopolítica, comércio bilateral, cultura e turismo”.

Na Itália, o único compromisso é uma cerimônia no “monumento votivo militar brasileiro”, marcado para hoje. O local fica em Pistoia (norte do país) e foi feito em substituição ao cemitério onde jaziam brasileiros que morreram em combate na Segunda Guerra Mundial.

De lá, a comitiva vai a Lisboa. O sábado é reservado apenas para “agenda privada” em Lisboa, e a volta ao Brasil será no domingo.

Esse relato desmascara o fato escancarado de que o presidente da Câmara chefia uma viagem sem explicação num momento em que sua presença é necessária no Brasil para discutir assuntos importantes como a votação das reformas, sem as quais o equilíbrio das contas públicas vai para o beleléu.

E o que você me diz da conversa em que o líder do PMDB, Baleia Rossi (SP), reclama com seus colegas da repercussão negativa da viagem ao exterior de uma comitiva de parlamentares, captada pela “CBN”?

A rádio teve acesso ao diálogo porque ligou para um dos deputados que está na comitiva, e ele não desligou o celular após a gravação da entrevista. O aparelho captou o áudio. Na conversa, Rossi comenta com colegas que foi procurado pela imprensa para falar do assunto. Ele diz que a viagem durará nove dias, mas a Câmara pagará cinco diárias. Um vexame.

Esse vexame coincide com uma carta anônima que recebi pelo e-mail e que me foi encaminhada por você, Emanuel. A diatribe pretende desmentir a informação que dei aqui de que o turista acidental participou de uma reunião do empresário que controla a Oi com 5% das ações, Nelson Tanure, reivindicando o uso de dinheiro público para salvar a empresa, que já foi chamada de telegangue e tele verde-amarela. De acordo com a carta, ambos os comentários estão errados. Ambos não encontram qualquer amparo na realidade. Ambos desinformam os seus ouvintes. Ambos difamam Baleia Rossi. O deputado não conhece nenhum dirigente ou acionista da empresa Oi nem acompanha suas demandas junto ao governo.  Em 3 de outubro último, foi convidado para um encontro no Palácio do Planalto no qual marcou presença apenas ao seu final pois se reuniria com o presidente da República na sequencia. O bom jornalismo exige que os citados, criticados ou acusados sejam ouvidos e tenham direito de defesa antes de serem atacados. Por alguma razão desconhecida, esse princípio elementar foi ignorado nas agressões a Baleia Rossi.

Sou comentarista e não passa pela cabeça de ninguém, principalmente do diretor da Eldorado Emanuel Bomfim, que eu tenha de pedir licença a pessoas criticadas em meus comentários para ouvi-las antes de manifestar minha opinião. Quem estão mal informados são quem escreveu a carta anônima. No Brasil há liberdade de opinião. Além disso, se o texto confirma a participação na reunião, eu difamei o deputado em quê? Tudo papo pra boi dormir. Eles estão atrás é de dinheiro público!!

Em que você baseia essa informação?

Basta fazer um breve relato do que saiu na imprensa nesta semana. A coluna do Estadão, de anteontem, na nota, “Conta Outra” diz que a iniciativa da AGU de incluir a possibilidade de o governo editar uma medida provisória para resolver situação da Oi já havia sido descartada em janeiro. Na ocasião, o Planalto considerou inviável dispor de MP para salvar empresa privada. O Jornal Valor Econômico informou que “Risco Jurídico ameaça plano de recuperação que inclui multas da Anatel.” A discussão aqui é se as dívidas da Oi com a Anatel entrarão no plano de recuperação judicial. Para o juiz da recuperação judicial, Fernando Cesar Ferreira Viana, a 7ª  Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, em decisões liminares, sim. Para os procuradores federais, e para os juízes federais, não. Com isso, o governo acha que a tentativa da Oi de dar um tratamento especial aos créditos públicos pela via judicial, é uma manobra arriscada, que traz insegurança jurídica, com alto risco de o plano ser invalidado posteriormente. Enquanto isso, o Valor traz a lume que “Conselhos da Oi amplia pressão para firmar acordo com credor do “G6”. Ou seja, o grupo do Tanure continua pressionando a diretoria da Oi, mesmo após as claras mensagens da Anatel e da AGU. A assinatura desse acordo com o G6 geraria a obrigação de  Oi pagar a esse grupo de credores uma taxa de remuneração, ainda que eles não coloquem dinheiro no negócio e que o plano de recuperação aprovado seja diferente do atual e com suporte de outro grupo de credores. Estamos falando de uma remuneração que pode superar R$ 700 milhões (10% do caixa atual da Oi). O Valor diz que a assinatura com o G6 prejudicaria as conversas que a diretoria da Oi vem conduzindo com outro grupo de credores. O interesse de Tanure no plano do “G6” deve-se à substancialmente menor diluição que provocaria em sua participação, além de prever o pagamento das despesas do Société Mondiale (sem especificar quais). Segundo a Folha de S.Paulo,  “Chineses levam à AGU proposta da Oi”, vão dizer que a Oi vai precisar de R$ 10 bilhões para e tornar viável e que  planejam comprar a Oi sob duas condições: a aprovação pelo congresso de uma lei que transforma a concessão na telefonia em autorização, e a negociação, em separado, da dívida de cerca de R$ 20 bilhões em multas da Anatel. O negócio da China aí gente! Para encerrar, o Valor, também informou que “Protagonista na Oi, Tanure acumula acusações na CVM”, e que ao longo de dez anos, já sofreu quatro acusações por ter faltado com o dever de diligência ou lealdade perante às companhias aberta nas quais atuou, como acionista e no conselho de administração”. É o que venho falando, Nelson Tanure tem um passado de afundar as empresas. Olhem só, o caso da Gazeta Mercantil.

Estamos de olho! Querem dinheiro público,  o nosso, para pagar a incompetência privada!

SONORA Fuá na casa de Cabral Siba do Mestre Ambrósio

https://www.youtube.com/watch?v=AxABjVDRtKY