A caminho do centro
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A caminho do centro

PSDB avança rumo à candidatura de Alckmin a presidente em 2018. Falta convencer eleitor

José Nêumanne

28 Novembro 2017 | 11h38

PSDB dá primeiro passo para indicar Alckmin como sua opção para centro em 2018 Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Discutir aliança eleitoral agora é colocar o carro à frente dos bois, como dizia meu avô Chico Ferreira. A hora agora é de aparar arestas e, sobretudo, de unir forças para aprovação da reforma da previdência. É decepcionante que o PSDB ainda esteja a exigir de forma demagógica e irresponsável que o governo torne a reforma, que, segundo reportagem do Estado de ontem, só atingirá um terço dos trabalhadores, não se decida por um fechamento de questão que adie esse problema terrível de caixa para a próxima gestão, seja ela qual for. Afinal, o partido já cuspiu no eleitor e rasgou sua história. Se quer ter algum futuro tem que ser digno pelo menos de seu passado resgatando essa bandeira que não é do governo, mas do país.

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Abaixo, a íntegra da degravação do comentário:

Eldorado 28 de novembro de 2017 Terça-feira

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, diz que aceita assumir comando do PSDB em nome de unidade partidária. Será que agora os tucanos se unem mesmo?

“Se for esse o caminho para unir o partido, nosso nome está à disposição”, afirmou o governador de São Paulo, segundo reportagem de Pedro Venceslau no Estado de hoje.

SONORA 2811 ALCKMIN

O novo presidente da legenda será oficialmente definido na convenção nacional do partido, marcada para o próximo dia 9, em Brasília. O senador Tasso Jereissati (CE) e o governador de Goiás, Marconi Perillo, desistiram da disputa e, com o gesto, abriram caminho para Alckmin assumir a legenda, buscar a unificação da sigla e fortalecer seu nome como eventual candidato à Presidência da República em 2018.

Isso tudo ocorreu após jantar no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, com Tasso, Perillo e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

A articulação para evitar uma disputa interna entre a ala dos “cabeças pretas” – representada por Tasso e crítica ao presidente Michel Temer – e a dos “cabeças brancas” – de Perillo, que defende o peemedebista – foi coordenada por FHC.

A movimentação pró-Alckmin busca uma solução para o impasse que quase levou o PSDB à implosão após o presidente licenciado, Aécio Neves (MG), destituir Tasso do comando interino da legenda e substituí-lo pelo ex-governador Alberto Goldman.

Alckmin foi questionado também sobre sua posição em relação ao desembarque do PSDB da gestão Temer. “Minha posição nunca mudou. Sempre achei que não devia ter entrado, mas a decisão majoritária na época foi outra”, afirmou.

Entre os tucanos uma aliança com o PMDB não está descartada, mas uma eventual defesa do governo na campanha é uma questão que ainda divide o partido. Apesar do posicionamento de Alckmin, o Palácio do Planalto, com o acordo que vai evitar um confronto pelo comando do PSDB, vê agora brecha para uma possível composição eleitoral no próximo ano.

Conforme mostrou o Estado no sábado, Temer articula uma frente de centro-direita para defender sua gestão e tentar isolar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A aliança seria formada pelo PMDB e mais seis partidos, incluindo o PSDB – mas Alckmin, à frente do partido, terá de se reaproximar do partido de Temer.

Discutir aliança eleitoral agora é colocar o carro à frente dos bois, como dizia meu avô Chico Ferreira. A hora agora é de aparar arestas e, sobretudo, de unir forças para aprovação da reforma da previdência. É decepcionante que o PSDB ainda esteja a exigir de forma demagógica e irresponsável que o governo torne a reforma, que, segundo reportagem do Estado de ontem, só atingirá um terço dos trabalhadores, não se decida por um fechamento de questão que adie esse problema terrível de caixa para o próximo governo, seja ele qual for. Afinal, o partido já cuspiu no eleitor e rasgou sua história. Se quer ter algum futuro tem que ser digno pelo menos de seu passado resgatando essa bandeira que não é do governo mas do país.

O engenheiro da Odebrecht Emyr Diniz Costa Junior, responsável pelas obras do sítio em Atibaia, atribuído pelo Ministério Público ao ex-presidente Lula, entregou ao juiz federal Sérgio Moro planilha de pagamentos do departamento de propinas da empreiteira no valor de R$ 700 mil para custear as reformas no imóvel. Será que agora a casa caiu para o ex-presidente ou ele continua negando?

Um dos 77 delatores da construtora, Emyr alegou que, para solicitar os valores para bancar a reforma, mantinha contato com a secretária do setor de operações estruturadas – departamento de propinas -, Maria Lúcia Tavares. A secretária passava a Emyr Diniz uma senha que deveria ser dita ao entregador do dinheiro.

“Eu liguei para ela e pedi os 500 mil. Como eu nunca tinha manejado em uma obra uma soma dessa natureza, eu comprei um cofre especificamente e coloquei dentro de um armário na minha sala, dentro do meu escritório”, relatou, em delação.

Após acessar o Drousys, sistema do departamento de propinas da Odebrecht, a defesa do engenheiro relatou ao juiz federal Sérgio Moro que encontrou registros de pagamentos de R$ 700 mil para o sítio.

Segundo os advogados, ‘a entrega dos valores foi realizada no escritório do Aquapolo, obra de saneamento localizada na Região do ABC Paulista, onde o colaborador à época trabalhava’.

Ele ainda entregou notas fiscais referentes aos gastos que teve para conduzir as obras do sítio.

O imóvel em Atibaia, em nome de Fernando Bittar, filho de Jacó Bittar, ex-prefeito de Campinas pelo PT, é pivô de mais uma ação penal em que Lula é réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O Ministério Público Federal sustenta que as reformas bancadas pela Odebrecht e a OAS dissimularam pagamentos de propinas de R$ 1 milhãoao ex-presidente.

A defesa de Lula, contudo, continua afirmando que Lula nunca possuiu o sítio e que não há nas planilhas apresentadas à Justiça seu nome registrado em nenhum lugar. Talvez fosse o caso de dar a esse estágio da investigação o sítio de Operação Batom na Cueca, usando a expressão popular que significa a prova irrefutável e definitiva. A verdade, contudo, é que qualquer pessoa com um mínimo de sensatez sabe perfeitamente que a lógica e as evidências dispensam a prova impossível e a batata do ex-presidente evidentemente está assando e pode torrar.

Integrantes das forças-tarefas da Lava-Jato no Rio de Janeiro, Paraná e São Paulo defenderam ontem que a sociedade se mobilize para incluir o combate à corrupção na pauta eleitoral do ano que vem. É mesmo o caso de se fazer esse tipo de mobilização ou se trata de um exagero que pode enfraquecer a posição dos procuradores?

Após reunião no Rio para aprimorar a colaboração entre os grupos de trabalho da operação, os procuradores afirmaram que o resultado das eleições vai definir o futuro das investigações — a renovação do Congresso deverá determinar o avanço das investigações no país, disseram. Os investigadores pediram aos eleitores que candidatos envolvidos em denúncias de mau uso do dinheiro público sejam rejeitados nas urnas. O grupo divulgou carta na qual afirma que 144 pessoas já foram condenadas a mais de 2.130 anos de prisão. Ao todo, 416 foram acusados de crimes. Segundo o procurador Deltan Dallagnol, da força-tarefa paranaense, mais de 100 integrantes atuais do Congresso estão envolvidos em denúncias. Além dos parlamentares, a corrida presidencial também tem pré-candidatos no radar das investigações — o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já foi condenado pelo juiz Sérgio Moro; e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), é alvo de um pedido de abertura de inquérito no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Dallagnol pediu renovação nos cargos políticos do país.

A procuradora Thaméa Danelo falou sobre a importância de eleger políticos comprometidos com o combate à corrupção.

SONORA 2811 DANELO

Concordo em tese com tudo, principalmente com o que a procuradora de São Paulo disse. Mas hoje os procuradores não representam mais aquela unanimidade do passado e exatamente por isso. A militância não os fortalece, mas fragiliza. Eu concordo em tese, faço até a campanha do não reeleja ninguém, mas a grande contribuição que o Ministério Público Federal pode dar ao combate ao corrupção está nos números inquestionáveis apresentados no Rio e não na pregação política ou na pressão sobre o Congresso.

Você diria que o tal acordo para salvar a Oi está indo pro saco?

Matéria publicada ontem no Estadão, de autorai da colega Anne Warth registra que  o Conselho de Administração da Oi deve manter o diretor jurídico Eurico Teles na presidência da companhia. O problema é que este novo presidente da Oi é réu e essa decisão em nada ajuda a definir agora o capítulo final dessa novela que não parece ter fim.

Devo recordar que Eurico Teles em 2016 se tornou réu pela 3 Vara Criminal de Passo Fundo, que aceitou denúncia feita pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul por formação de quadrilha, estelionato, patrocínio infiel e lavagem de dinheiro. O esquema consistia, segundo a denúncia, em subornar um escritório de advocacia que defendia mais de 13 mil clientes em ações contra a companhia, em troca do encerramento das ações judiciais. Isso tudo foi tornado público em matéria da Época de 19/08/2016.

Segundo matéria dos jornalistas Rodrigo Caro e Heloísa Magalhães do Valor Econômico de ontem, “o novo presidente da Oi é considerado um executivo que tem aprovação do governo e, agora, isso passou a ser atributo importante, na visão da administração e dos acionistas da Oi.”

Sem comentários, ou melhor, a Oi tem um presidente à altura. E o governo Temer insiste a investir em executivos com problemas com a polícia e a justiça até num caso complicado como este.

Mais uma matéria do Valor Econômico dessa segunda sobre a Oi, melhor dizendo sobre o aconista da Oi, Tanure. Diz a matéria das jornalistas Graziell Valentine Juliana Schincariol que o Ministério Público Federal investiga Nelson Tanure por uso de informação privilegiada numa operação envolvendo ações da companhia de petróleo e gás Petro Rio. Segundo o Valor, Tanure abriu processos judiciais  contra administradores e acionistas resistentes a seus planos. Depois fez acordos para encerrar a maior parte das divergências. Diz a matéria que a história da Petro Rio e da Oi se cruzam porque a Petro Rio incestiu na Oi e outorgou a Tanure o direito de representá-lo em assembléias.

Só faz piorar essa história da Oi. Alô Juarez Quadros, alô Kassab!

E, para concluir, como diria Mané Caixa d’Água, o que você me diz da reação de Lula à informação publicada na Folha de S.Paulo de que os procuradores da Lava Jato só aceitam delação de Sérgio Andrade, dono da Andrade & Gutierrez se incluir Lula e o filho Lulinha?

Nesse fim de semana o ex-presidente Lula reagiu contra o Ministério Público, que segundo a matéria que você citou da Folha de S.Paulo, sem Gamecorp, Lulinha e Teles, não tem acordo de delação premiada com a Andrade Gutierrez. A Lava Jato quer saber por que a Oi colocou R$ 82 milhões na Gamecorp do Lulinha.  Quando li a matéria, previ na hora  qual seria a resposta da defesa de Lula. Olhe aí, é perseguição mesmo. Ora bolas! A história é cabeluda mesmo e serve para mostrar quem era no escândalo de corrupção revelado pela Lava Jato eram o PT e seus maiorais. É até didático que isso ocorra agora para que a população não esqueça o papel do PT nessa bandalheira e não imagine que o noticiário recente sobre PMDB e PSDB, que também devem ser investigados, os inocenta.

Ai, meus caros, só tenho a dizer que quem não deve não teme e que aí tem!!!

SONORA Agora ou nunca mais Betty Guzzo começar do começo