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Baldy e Marun vêm de outros Estados, mas representarão no governo mandachuvas do Rio

José Nêumanne

22 Novembro 2017 | 11h26

Baldy saiu do Podemos para representar Maia no multibilionário Ministério das Cidades Foto: Dida Sampaio/Estadão

Carlos Marun, fiel escudeiro de Eduardo Cunha, foi indicado pelo PMDB para ocupar o ministério que cuida das articulações do governo Temer com o Congresso. E Alexandre Baldy será ministro das Cidades,  saindo do ostracismo nos ermos de Goiás e tendo emergido do relatório da CPI, protagonizada pelo conterrâneo Carlinhos Chacoeira, bicheiro e figurinha carimbada no escândalo em que caíram o símbolo maior da hipocrisia nacional, Demóstenes Torres, e Valdomiro Diniz, o crupiê da roleta manipulada por José Dirceu no primeiro governo Lula. Baldy desempenhou um lance ousado: já que o Planalto não aventava sua nomeação, ele mesmo a anunciou na própria rede social. Agora se sabe que é primo do poderoso marqueteiro de Temer e homem de confiança de Maia Elsinho Mouco. Isso tudo no momento em que o País angustiado acompanha a agonia do estado de direito no Estado do Rio, praça da roubalheira do godfather Sérgio Cabral e seus três mosqueteiros Picciani, Albertassi e Melo e base de Cunha e Maia. Pode? Deus nos acuda.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na quarta-feira 22 de novembro de 2017, às 7h30m)

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Abaixo, a íntegra da degravação do comentário:

Eldorado 22 de novembro de 2017 – Quarta-feira

Que papéis estão representando na política brasileira nestes dias em que o Rio tem sido o cenário da maior degradação possível os políticos de destaque daquele Estado?

De um lado sabe-se que o Tribunal Regional Federal da 4.ª Região reduziu a pena dada pelo juiz Sérgio Moro ao ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha de 14 anos e 4 meses para 13 anos e 6 meses. enquanto isso, os jornais noticiam que seu aliado mais leal, mais fiel que chegou a visitá-lo na prisão em Curitiba, mesmo morando em Brasília, Carlos Marun, deputado do PMDB pelo Mato Grosso, é o mais cotado nome para ocupar o ministério que cuida da articulação política, atualmente o tucano Eduardo Imbassahy, da Bahia. Marun faz parte da bancada dos suspeitos investigados na Lava Jato, mas nunca teve o menor pudor de ser o braço forte visível de Eduardo Cunha antes e agora de Michel Temer. Ou seja, é elemento da linha de frente do grupo que o enxotado e enxovalhado Rodrigo Janot apelidou de Quadrilhão do PMDB. E a Coluna do Estadão, de Andreza Matais e Marcelo de Moraes, já o apontaram como nome certo para o cargo mais importante da comunicação entre os Poderes Executivo e Legislativo. Outro nome vindo do Rio e que se destaca no noticiário atual é o de Rodrigo Maia, filho do ex-prefeito carioca César Maia, que foi homem de confiança da economia do socialista moreno Leonel Brizola e depois enveredou pela carreira solo à direita editando um blog que dá o que falar. Expoente do DEM, Rodrigo elegeu-se presidente da Câmara e, nessa condição, tornou-se importante articulador das vitórias consagradoras do presidente Michel Temer na Câmara dos Deputados. De 17 de maio, quando foram publicadas as estripulias presidenciais, pareceu tomar gosto pela hipótese de presidir a Republica, mas teve seus ânimos contidos pela mãe, Mariángeles Maia, que o advertiu que não deveria trair o chefe e ocupante do lugar que ele ambicionava. Caiu em desgraça, mas logo, ao compreendeu que seu papel era outro, tornou-se eminência parda da República da mochila. Nos últimos meses foi a maior garantia da permanência de Temer, não pelo lado positivo, mas pelo negativo: a direita financeira, o chamado mercado, nunca admitiu que ele viesse a substituir Temer, considerando-o pouco o confiável. Quis o destino que agora fosse uma eminência parda do jogo federal, fazendo o papel que o gaúcho Pinheiro Machado desempenhou na Republica Velha no governo do Marechal Hermes da Fonseca. O condestável da República do Jaburu está agora indicando o novo ministro das Cidades para o lugar de outro tucano, Bruno Araújo, para gerir um dos maiores sonhos de consumo em matéria de verbas orçamentárias da Esplanada dos Ministérios. Alexandre Baldy, o indicado, saiu dos ermos de Goiás, tendo emergido do relatório da CPI protagonizada pelo conterrâneo Carlinhos Chacoeira, bicheiro e figurinha carimbada no escândalo em que caíram o símbolo maior da hipocrisia nacional, Demóstenes Torres, e Valdomiro Diniz, o crupiê da roleta manipulada por José Dirceu logo no alvorecer da era petista da limpeza dos cofres da viúva. Baldy emerge do ostracismo para desempenhar um lance ousado: já que o Planalto não aventava sua nomeação, ele mesmo anunciou em sua rede social. Agora se sabe que é primo do poderoso marqueteiro de Temer e homem de confiança de Maia Elsinho Mouco. Isso tudo no momento em que o País angustiado acompanha a agonia do estado de direito no Estado do Rio, praça da roubalheira do godfather Sérgio Cabral e seus três mosqueteiros Picciani, Albertassi e Melo. Deus nos acuda.

Isso no momento em que Raquel Dodge, diz ao STF que Rio é ‘terra sem lei’ e a procuradora-geral entra com ação no Supremo Tribunal Federal para suspender resolução da Assembleia Legislativa que revogou, na sexta-feira, 17, os decretos de prisão dos deputados Jorge Picciani, Edson Albertassi e Paulo Melo, todos do PMDB?

É o que relata reportagem publicada no Estadão hoje com assinatura de Rafael Moraes Moura e Breno Pires, direto de Brasília.

A procuradora questiona a fundamentação da resolução da Alerj, que menciona o julgamento do STF no mês passado sobre a aplicação de medidas cautelares a parlamentares – diversas da prisão – para embasar o texto de revogação da detenção dos deputados estaduais do Rio.

Para Raquel, ao contrário do que presumiu a Alerj, a decisão do STF naquele caso é “inaplicável” à decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) que determinou a prisão de Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi. Naquele julgamento, os ministros do STF decidiram que a imposição de medidas cautelares – diversas da prisão – que dificultem o exercício regular do mandato de parlamentares deverá ser submetida ao aval da Casa Legislativa. Dodge ecoou palavras dos desembargadores do Rio, especialmente Abel Gomes, o relator do caso:

“A decisão do Supremo Tribunal Federal não pode ser aplicada por analogia aos deputados estaduais, nem a Suprema Corte autorizou a extensão de seus efeitos aos Estados e Municípios”.

Para Raquel, a resolução da Alerj “afrontou” o princípio da separação dos poderes e o sistema federativo. Ela ecoou palavras dos desembargadores do Rio, em especial Abel Gomes, que foi implacável

SONORA 2211 GOMES

O parecer de Dodge relata com a precisão de uma boa reportagem a afronta da Alerj à Justiça e, portanto, ao estado de direito em geral e a cada cidadão brasileiro que preza a própria liberdade e seus direitos na atual democracia. O caso do Rio assemelha-se a um câncer que debilita o organismo democrático num Estado importante na Federação e pode avançar como uma metástase para o resto do País se o governo federal não intervier lá. Só que a intervenção arquiva as reformas, que o presidente quer fazer e depende de uma autoridade moral que Temer não tem.

Por falar na urgência das reformas, o que você nos tem a dizer sobre o retrato do Brasil feito pelo Banco Mundial, um País que gasta muito e mal e que terá de fazer escolhas duras para ajustar suas contas?

O documento divulgado pelo Banco Mundial ontemresulta de um estudo encomendado em 2015 – pelo então ministro da Fazenda Joaquim Levy – para propor medidas que reduzissem os gastos do setor público. O resultado foi um receituário liberal, com propostas que vão desde o congelamento do salário dos servidores ao fim do ensino superior gratuito.

Intitulado “Um ajuste justo”, o relatório mapeia medidas que permitem enquadrar o gasto brasileiro à regra do teto de despesas – que impede que os gastos cresçam acima da inflação do ano anterior. Entre elas, estão também a revisão da Zona Franca de Manaus e do Simples Nacional, o fim das deduções de despesas com saúde no Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), a revisão dos programas sociais e a redução das amarras do Orçamento federal.

O relatório antecipa, na prática, o debate econômico das eleições de 2018. E desde anteontem, logo depois do anúncio oficial, no Ministério da Fazenda, já provocou forte reação nas mídias sociais, principalmente por causa da proposta do fim da gratuidade nas universidades.

No ano que vem, independentemente das articulações políticas, o País se verá diante de uma decisão crucial: ou corta os gastos de forma drástica e inédita nas últimas três décadas, ou corre o risco de interromper o crescimento. “Tem escolhas”, disse o diretor do organismo no Brasil, Martin Raiser. “A macroeconomia tem maneiras de solucionar problemas que os políticos não solucionam.” Para ele, é melhor enfrentar essa discussão agora com transparência.

As sugestões envolvem também um enxugamento de 1,29% do PIB nos gastos de Estados e municípios, elevando o potencial de economia a 8,36% do PIB. “O grande mérito do relatório é sistematizar o que já se sabe há muito tempo. O Brasil poderia estar fazendo muito mais do que gasta”, avaliou o presidente do Insper, Marcos Lisboa. Para ele, a medida mais importante é a reforma da Previdência.

O banco calcula que a reforma economizaria o correspondente a 1,8% do PIB. “Trata-se de um mapa de como gastar menos e aumentar o desempenho das contas públicas”, afirmou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Segundo ele, se houver consenso sobre as propostas, elas serão incorporadas à política pública.

Mas o condestável Maia não é tão otimista quanto o ministro:

SONORA 2211 MAIA

É cruel e doloroso, mas absolutamente correto, justo e precisa ser levado em conta no debate eleitoral de 2018, muito embora eu pessoalmente não tenha muita esperança de que isso ocorra com o mínimo da serenidade exigida. Acredito mais na velha polarização nociva e na paixão ideológica desenfreada que tira o Brasil dos eixos e está nos levando ao abismo. O documento permite um diagnóstico realista do Brasil e toca nas distorções que impedem o País de avançar, mas quem lhe dá atenção?

A MP da reforma trabalhista já recebeu recorde histórico de emendas. Em que isso ajuda a melhorar a situação do trabalhador?

Mesmo sem os números fechados, já é possível dizer que o interesse dos parlamentares já superou a mobilização pela MP 793 – que trata do programa de refinanciamento de dívidas do setor rural – que registrou 745 emendas. Segundo Fernando Nakagawa, da sucursal do Estado em Brasília, a reforma trabalhista bateu recorde na mobilização de parlamentares no Congresso Nacional. A Medida Provisória 808 que altera determinações da nova Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) já recebeu quase 900 emendas, novo recorde histórico. Deputados e senadores da oposição e também da base governista propõem uma série de mudanças que vão desde ajustes na redação do texto até a revogação total da reforma. Entre as emendas, há sugestão de um novo sistema de financiamento sindical e regras para garantir um salário mínimo ao trabalhador intermitente.

Às 20h15 de ontem, 21, último dia para o recebimento de emendas, o sistema do Congresso Nacional registrava 882 emendas à MP 808. A inclusão de emendas é encerrada à meia-noite e o número final de emendas será conhecido daqui a pouco.

Mesmo sem os números fechados, o interesse dos parlamentares já superou a mobilização pela MP 793 – que trata do programa de refinanciamento de dívidas do setor rural – que registrou 745 emendas, o antigo recorde do Congresso Nacional. Entre as quase 900 emendas, há sugestões radicais como a do senador Paulo Paim (PT-RS), que pede a revogação de toda a reforma e pede o restabelecimento da redação anterior da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) aprovada em 1943.

A reforma trabalhista é a jóia da coroa do governo Temer, mas o próprio presidente encarregou-se pessoalmente de jogar no lixo o esforço monumental e brilhante do relator Rogério Marinho, do PSDB do Rio Grande do Norte, que punha o Brasil no concerto mundial contemporâneo das relações trabalhistas com sua mistura de frouxidão e esperteza que resultou nesse mostrengo de aparência inadministrável. De dar dó.

SONORA Metal contra as nuvens Legião Urbana