A treta de Santos
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A treta de Santos

Sozinho, desastrado-geral da federal não conseguirá livrar Temer de suas ligações com Cunha, Loures, Libra e Codesp

José Nêumanne

14 Fevereiro 2018 | 11h52

Em Paracaima, RR, Temer evitou comentar a lambança do desastrado-geral da PF sobre portos. Foto: Beto Barata/PR

Não é à toa que o desastrado-geral da PF, Fernando Por qué no te callas? Segóvia – é contestado após ter dito que o inquérito sobre eventual participação de Temer no favorecimento da empresa Rodrimar no porto de Santos deverá ser arquivado. Pois toda ampliação de concessão (decretada por Temer em maio de 2017) só indica favorecimento. Assim como é suspeitíssimo o fato de a Libra, que doou R$ 1 milhão à campanha de Temer, dever à estatal Codesp R$ 2,7 bilhões, a dívida está sob arbitragem, mantida sob sigilo sob controle da Advocacia Geral da União. É estranho. E mais ainda o é o coronel João Baptista Lima Filho não ter comparecido ainda à PF para depor no inquérito, alegando problemas de saúde. Será que ele tem padrinho forte na polícia para driblar essa treta de Santos?

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na quarta-feira 14 de fevreiro de 2018, às 7h30m)

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Abaixo, a íntegra da degravação do comentário:

Eldorado 14 de fevereiro de 2018 – Quarta-feira

Haisem As declarações do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Fernando Segovia — apontando a falta de indícios que incriminem o presidente Michel Temer em inquérito aberto para investigar irregularidades no decreto dos portos —, continuam a gerar reações dentro e fora da própria corporação. Quais foram as últimas?

O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (APDF), Edvandir Felix de Paiva, disse que Segovia pode ter violado o código de ética da PF. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). da oposição ao governo federal, avalia entrar com uma ação popular na Justiça Federal de Brasília para pedir o afastamento do delegado do cargo.
O código de ética da PF é de 2015 e veda algumas condutas dos integrantes da instituição. Um policial federal, por exemplo, é proibido de “utilizar-se de informações privilegiadas, de que tenha conhecimento em decorrência do cargo, função ou emprego que exerça, para influenciar decisões que possam vir a favorecer interesses próprios ou de terceiros”.

Um policial também não pode “comentar com terceiros assuntos internos que envolvam informações sigilosas ou que possam vir a antecipar decisão ou ação da PF ou, ainda, comportamento do mercado”. É proibido ainda “expor, publicamente, opinião sobre a honorabilidade e o desempenho funcional de outro agente público” e de “conceder entrevista à imprensa, em desacordo com os normativos internos”.

Como abordei ontem, Temer se esquivou de falar sobre o desastrado-geral da Polícia Federal e encarregou seu anspeçada Carlos Marun para dizer que as críticas a Fernando Por qué no te callas Segóvia são meramente políticas e ainda se referiu às flechas de Janot, dizendo que elas saíram pela culatra.

Aproveito aqui a oportunosa ensancha para lembrar que o decreto de Temer em maio de 2017 amplia as concessões do Porto de Santos, que é o alvo da intervenção absurda do policial, de 25 anos para 35 e torna as prorrogações indefinidas e, não como eram antes, limitadas. Moreira Franco comentou, então, que dessa forma o decreto estava introduzindo o Brasil no século 21, saindo do século 19. Talvez fosse o caso de dizer isso se o maior porto do país tivesse sido privatizado. Toda ampliação de concessão só indica, como diria a Reuters, favorecimento. Assim como é suspeitíssimo o fato de a Libra, acionista minoritária da Companhia de Docas do Estado de São Paulo e que doou R$ 1 milhão à campanha de Temer, deve à estatal R$ 2,7 bilhões, a dívida está em processo de arbitragem, mantido sob rigoroso sigilo sob controle da Advocacia Geral da União. É tudo muito estranho. Mais do que estranho é o fato de o coronel João Baptista Lima Filho não ter comparecido ainda à PF para depor no inquérito, alegando problemas de saúde. Isso já completou oito meses e, enquanto ele estiver dodói, ficará sempre a suspeita de que tem padrinho forte na polícia para driblá-la.

Carolina Depois de um fim de semana de terror, a situação da segurança no carnaval do Rio melhorou ontem?

Depois de uma onda de violência no carnaval, com uma série de assaltos e arrastões em Ipanema, a promessa do governo do Estado de reforçar a segurança nas ruas com 17 mil policiais militares finalmente foi cumprida. Ao menos, na orla. Na terça-feira de carnaval, as praias de Copacabana, Ipanema e Leblon amanheceram ocupadas por homens deslocados da Região dos Lagos, da Baixada Fluminense, de Campos e até da tropa do Batalhão de Choque que estava na Rocinha, onde há cinco meses acontece uma guerra do tráfico. Patrulhas que circulam nas vias expressas da cidade foram enviadas para a Zona Sul, onde há grande concentração de foliões e de turistas. O GLOBO percorreu a região e constatou que somente entre os postos 8 e 9, num trecho de 650 metros em Ipanema, havia 12 viaturas, além de soldados fazendo o patrulhamento a pé. O aumento do contingente só aconteceu após terem ocorrido, entre sábado e domingo, pelo menos três ataques na orla, e um recorde de turistas roubados e agredidos
Apesar dos problemas, o governador Luiz Fernando Pezão e o prefeito Marcelo Crivella estão longe de suas atividades administrativas. Pezão descansa em Piraí, sua cidade natal, no interior do estado, e Crivella viajou para a Europa, justamente, segundo ele, para buscar soluções para a área de segurança. No domingo, o porta-voz da Polícia Militar, major Ivan Blaz, reconheceu a situação de descontrole ao sugerir que os foliões não ostentassem joias e evitassem usar os celulares para fazer selfies. Na segunda-feira, a Delegacia de Atendimento ao Turista (Deat) registrou, entre as 8h e as 16h, 26 ocorrências de visitantes atacados por ladrões, o que dá três casos por hora, contra a média normal de seis queixas deste tipo por dia. Com medo de vaias, as autoridades fugiram do carnaval. A atriz global Juliana Paes foi assaltada por um arrastão indo para o desfile fantasiada. O caminhão do Capital Inicial também foi afastado. Um policial foi executado, o 15.ºdo ano. Enquanto isso, Temer foi da restinga de Marambaia a Roraima anunciar que dobraria o contingente das tropas na fronteira da Venezuela, passando de 100 para 200, o que, no mínimo, é ridículo. Temer, Pezão e Crivella fugiram do problema e deixaram a antiga Cidade Maravilhosa, que se tornou antessala do inferno Brasil, ao deus-dará ou, para ser mais exato, ao diabo que carregue população e turistas.

Haisem Quem também sumiu no carnaval foi a filha do ex-presidiário Roberto Jefferson, indicada pelo pai e por Temer para o Ministério do Trabalho, protagonizando um intervalo na novela Vai, ministra?

É, a deputada Cristiane Brasil tomou doril e sumiu, mas o blog do Fausto Macedo no Estadão nos advertiu nos últimos dias a respeito de suspeitas de associação ao tráfico durante a campanha eleitoral de 2010 nunca investigadas na esfera eleitoral. A denúncia é de uma suposta coação de eleitores e consta de inquérito criminal da Polícia Civil revelado pelo Estado no dia 3 de fevereiro. As acusações foram recebidas pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) em 10 de agosto de 2010 e, nove dias depois, enviadas ao Ministério Público Estadual. O procedimento correto seria a abertura de um procedimento investigatório, o que não ocorreu. Ao Estado, a Procuradoria Regional Eleitoral admitiu não ter registro da denúncia. Em 19 de agosto de 2010, a denúncia chegou ao 7.º Centro de Apoio Operacional do Ministério Público Estadual, segundo registro do Tribunal. E, conforme a movimentação eletrônica, está lá até então. A notícia do blog do Fausto não deixa dúvidas de que a novela Vai, ministra está longe de ter revelado toda a capivara de Cristiane PTB.O Carolina Você diria que este ano o Brasil viveu de Norte a Sul um “carnaval do protesto nos sambódromos e nas ruas?

De fato, desfiles e blocos não pouparam de críticas políticos, Judiciário e políticas públicas em escolas de samba do Rio e blocos de Salvador, Recife e Belo Horizonte. Em São Paulo as críticas foram mais tímidas, mas também existiram. No Rio, a escola Beija-Flor traçou paralelo entre “Frankenstein”, de Mary Shelley, com o momento do Brasil. Ratos representaram políticos e sobraram críticas à criminalidade, ao sucateamento das redes de saúde e educação e à corrupção. A Paraíso do Tuiuti apresentou o presidente Michel Temer como vampiro no último carro alegórico —e temas como racismo, escravidão e leis trabalhistas foram contemplados no enredo. As críticas dos blocos são mais sinceras, as das escolas, mais hipócritas. Afinal, até os patos dos lagos de Brasília e os da Fiesp, lembrados no desfile “antigolpista” da Tuiti na Marquês de Sapucaí sabem que essas agremiações são financiadas pelo tráfico de drogas, que mandam e desmandam nas periferias das metrópoles. E esse tipo de crime é tão ou mais hediondo do que os denunciados nos desfiles.

Haisem Será que o boloivariano Nicolás Maduro resistirá à pressão internacional contra seus mais recentes arreganhos ditatoriais?

Dizem que Temer foi a Roraima na verdade para avisar indiretamente a Maduro que não se aventure com tropas pela Guiana, vizinha de Brasil e Venezuela. Coincidentemente com a viagem do presidente brasileiro, em mais um ato de pressão internacional contra o regime de Maduro, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA), publicou na segunda-feira em Washington um relatório de mais de 200 páginas sobre a situação humanitária na Venezuela. Considerando a situação do país “alarmante”, a comissão afirma que agora, com as leis promulgadas no fim de 2017, todos os venezuelanos estão com suas liberdades restritas e medo de serem presos. O relatório da CIDH pede que a comissão possa visitar o país para entender a real situação do povo venezuelano. A última pesquisa sobre qualidade de vida, a Encovi, feita por universidades e ONGs, apontou que, há um ano, 81,8% dos venezuelanos estavam na pobreza, sendo 51,5% em condição extrema. Outros levantamentos apontados no relatório, que já haviam sido publicados antes, lembram que cerca de 70% das crianças venezuelanas têm problemas de desnutrição e que nove em cada dez famílias não conseguem comprar os alimentos básicos. Mas tais dados podem estar ainda piores.

— Estamos vendo uma piora contínua no país — disse Soledad García Muñoz, relatora especial sobre direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais da comissão. — Estamos vendo um crescimento significativo da pobreza e da pobreza extrema, bem como da escassez de alimentos e medicamentos. Hoje, na Venezuela, uma simples infecção respiratória, uma simples gripe podem custar muito caro, em termos de vida e de saúde de qualquer pessoa. Como diria a Reuters, tudo indica que a batata do chavismo está assando. Mas nem isso convenceu o Papa Francisco, que não veio ao Brasil porque não aceita o governo “golpista”, abra a boca em castelhano materno para denunciar o genocídio bolivariano.

Carolina Parece que a batata também está assando em Israel e na África do Sul, não é mesmo?

Pois é. Policiais que investigam os casos de corrupção que envolvem o primeiro-ministro do Israel, Binyamin Netanyahu, recomendaram que a Procuradoria-Geral do país indicie o premiê em duas das investigações que podem torná-lo suspeito. E a cúpula do Congresso Nacional Africano (CNA) – partido que governa a África do Sul desde o fim do apartheid – determinou nesta terça-feira, 13, ao presidente Jacob Zuma que renuncie ao cargo, a pouco mais de um ano das eleições gerais de 2019. A vida dos corruptos também está piorando fora do Brasil. Mas aqui ainda tem muito gatuno protegido pelo tal do foro privilegiado.

Haisem Este carnaval não poderia deixar de terminar com uma pílula sobre a rainha da bateria petista Gleisi Hoffmann. O que ela aprontou agora?

A presidente do PT, escreveu no Facebook que “em reconhecimento à boa administração do governo do PT na Bahia”, o cantor Léo Santana, do alto de um trio-elétrico em Salvador, cumprimentou o governador Rui Costa (PT) e puxou a música “Vai dar PT”. Na verdade, o hit do carnaval baiano nada tem a ver com seu partido. PT, no caso, é “Perda Total”. A composição conta a história de uma moça de 18 anos que “foi pro baile muito louca a fim de se envolver”. Bebe todas. No fim, “vai dar PT, vai dar PT”. Lembra a batatada do Forza Luca que virou Forza Lula. Nós é que precisamos de força para suportar essa gente cínica e burra.

SONORA Marcha da quarta-feira de cinzas, Nara Leão

https://www.youtube.com/watch?v=HXp_k4bj8x8