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A casa caiu

Empreiteiro acusado de corrupção diz que apartamento no Guarujá é de Lula: a casa caiu

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José Nêumanne

21 Abril 2017 | 14h03

Leo Pinheiro, da OAS, diz que tríplex é de Lula

Leo Pinheiro, da OAS, diz que tríplex é de Lula

O empreiteiro Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, contou ontem ao juiz Sérgio Moro em depoimento em Curitiba que o o tríplex 164-A do Condomínio do Edifício Solaris, no Guarujá, litoral de São Paulo era do ex- presidente Luiz Inácio Lula da Silva e também que este lhe deu ordens para destruir toda a documentação que juntou contendo dados sobre depósitos de propinas. Ontem em Curitiba o ex-ministro da Fazenda de Lula e da chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff, Antônio Palocci, se dispôs fornecer fatos, nomes, endereços e documentos que darão trabalho por pelo menos mais de um ano à força-tarefa da Operação Lava Jato. Ou seja, a casa de Lula caiu e a batata dos ex-presidentes petistas pode queimar mais cedo do que se pensava.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na sexta-feira 21 de abril de 2017, às 7h30)

Para ouvir clique aqui e, em seguida, no play

Para ouvir Ladrão de gravata, com Detonautas, clique aqui

Caso lhe interesse, poderá ler abaixo a íntegra da degravação do comentário

Eldorado 21 de abril de 2017 Sexta-feira

SONORAS Léo Pinheiro triplex era de Lula Palocci se oferecendo a Moro

Detonautas – Ladrão de gravata, a partir de 2:34

https://www.youtube.com/watch?v=HJi_zdRwsqg

O empreiteiro Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, contou ontem ao juiz Sérgio Moro em depoimento em Curitiba que o o tríplex 164-A do Condomínio do Edifício Solaris, no Guarujá, litoral de São Paulo era do ex- presidente Lula’. Você diria, então que a casa caiu?

SONORA DE Léo Pinheiro

“O sr. entende que deu a propriedade do apartamento para o presidente?”, indagou o advogado de Lula Cristiano Zanin Martins.

“O apartamento era do presidente Lula. Desde o dia que me passaram para estudar os empreendimentos da Bancoop já foi me dito que era do presidente Lula e sua família e que eu não comercializasse e tratasse aquilo como propriedade do presidente”, afirmou o empreiteiro.

Durante o depoimento, Zanin questionou Léo Pinheiro sobre a chave do apartamento.“Não existia a chave, porque não existia o andar feito”, afirmou.

Manchete do Estadão: triplex era do Lula

A denúncia do Ministério Público Federal sustenta que Lula recebeu 3 milhões e 700 mil reais em benefício próprio – de um valor de 87 milhões de corrupção – da empreiteira OAS, entre 2006 e 2012. As acusações contra Lula são relativas ao recebimento de vantagens ilícitas da empreiteira OAS por meio do triplex no Guarujá, no Solaris, e ao armazenamento de bens do acervo presidencial, mantido pela Granero de 2011 a 2016. O detalhe é que o advogado de Lula, genro de seu compadre Roberto Teixeira, não tugiu nem mugiu na sala do depoimento depois da resposta peremptória do executivo da empreiteira acusada de corrupção. Mas, na rua, voltou a seu blábláblá de sempre, garantindo que os documentos provam que o apartamento é da empresa, e não do ex-presidente e que Léo Pinheiro está mentindo em benefício próprio, para atender aos interesses da força-tarefa da Lava Jato e, com isso, reduzir as penas que terá de cumprir pelo crime confesso. Em seguida, Zanin Rodrigues distribuiu a nota de praxe com sua versão, que agora, coitado, não resiste ao sopro que faz uma pena voar.

E teve mais: Léo Pinheiro disse que Lula o teria orientado a destruir provas de pagamentos via caixa dois ao PT no exterior. “Se tiver destrua!”, foi a ordem de Lula, segundo o empresário. Isso não seria ainda mais devastador para Lula do que a ocultação de patrimônio?

Léo Pinheiro disse: “Eu tive um encontro com o presidente em junho (de 2014), bom isso tenho anotado na minha agenda”. “São vários encontros onde o presidente, textualmente, me fez a seguinte pergunta. ‘Léo’, até notei que ele tava um pouquinho irritado, ‘Léo, você fez algum pagamento ao João Vaccari no exterior? Eu disse: ‘não presidente, eu nunca fiz pagamento dessas contas que temos com Vaccari no exterior’.”

Lula insistiu, ainda de acordo com as revelações do empreiteiro. “Como é que você está procedendo os pagamentos para o PT através do João Vaccari?”

“Estou fazendo os pagamentos através de orientação do Vaccari, de caixa dois, de doações diversas que fizemos a diretórios.”

E Lula, então, deu a ordem, segundo o empreiteiro. “Você tem algum registro de encontro de contas, de alguma coisa feita com Vaccari com você? Se tiver destrua.”

Ainda ontem, o ex-ministro de Lula e de Dilma, Antônio Palocci, prometeu ao juiz Sérgio Moro que se dispõe a citar ao chefe da Operação Lava Jato nomes, endereços e documentos que darão trabalho por pelo menos um ano. Por que não o fez ontem? E o que significa essa oferta?

SONORA de Palocci

Significa que na casa que caiu, a batata de Lula e, quem sabe, de Dilma, está submetida a fogo lento e logo pode queimar.

De fato, o ex-ministro da Fazenda de Lula e ex-chefe da Casa Civil de Dilma, Palocci, pediu a palavra para fazer uma oferta enigmática ao juiz Sérgio Moro. Ao fim do depoimento, o petista sugeriu entregar informações ‘que vão ser certamente do interesse da Lava Jato’.

“Fico à sua disposição hoje e em outros momentos, porque todos os nomes e situações que eu optei por não falar aqui, por sensibilidade da informação, estão à sua disposição o dia que o sr. quiser. Se o sr. estiver com a agenda muito ocupada, a pessoa que o sr. determinar, eu imediatamente apresento todos esses fatos com nomes, endereços, operações realizadas e coisas que vão ser certamente do interesse da Lava Jato.”

Palocci surpreendeu o magistrado ao derramar elogios à maior operação contra a corrupção já desfechada no País – por obra do próprio Moro -, e que levou para a cadeia ele próprio e outros quadros expressivos do PT. O ex-ministro, preso desde setembro de 2016, disse que a Lava Jato ‘realiza uma investigação de importância’.

“Acredito que posso dar um caminho, que talvez vá dar um ano de trabalho, mas é um trabalho que faz bem ao Brasil”, acenou.

Palocci foi interrogado em ação penal sobre lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva relacionados à obtenção, pela empreiteira Odebrecht, de contratos de afretamento de sondas com a Petrobrás.

Segundo a denúncia, entre 2006 e 2015, Palocci estabeleceu com altos executivos da Odebrecht ‘um amplo e permanente esquema de corrupção’ destinado a assegurar o atendimento aos interesses do grupo empresarial na alta cúpula do governo federal. O Ministério Público Federal aponta que no exercício dos cargos de deputado federal, ministro da Casa Civil e membro do Conselho de Administração da Petrobrás, Palocci interferiu para que o edital de licitação lançado pela estatal e destinado à contratação de 21 sondas fosse formulado e publicado de forma a garantir que a Odebrecht não obtivesse apenas os contratos, mas que também firmasse tais contratos com margem de lucro pretendida. Palocci nega tudo, mas prometeu mais.

Segundo reportagem publicada esta semana no blog de Fausto Macedo no Estadão, os delatores da Odebrecht revelaram acerto de 40 milhões de euros ao lobista José Amaro Pinto Ramos, que representava a DNSC, de 1 milhão e meio de euros e 1 milhão e 200 milhões de reais para o ex-presidente da Eletronuclear Othon Luis Pinheiro da Silva e de 50 milhões para o PT. O que essa revelação traz de novo para a devassa sobre a corrupção deslavada do passado e do presente?

Em 18 de abril, o estadão publicou que o responsável pelo setor de geração de propinas da Odebrecht, Marcos de Queiroz Grillo, afirmou em sua delação premiada para a Lava Jato que desviou recursos de um contrato para gerar R$ 98 milhões de caixa 2 para pagamentos de propinas no Contrato de Desenvolvimento de Submarino. Segundo delatores houve pagamento de propina de 40 milhões de euros ao lobista José Amaro Pinto Ramos. O Globo também publicou anteontem que José Amaro Pinto é apontado por delatores da Lava-Jato como intermediário de repasses na Suiça. Diz o Globo que o lobista José Amaro Pinto Ramos já é velho conhecido em esquemas de fraudes no metrô de São Paulo. Pinto Ramos tem seu nome envolvido em escândalos pelo menos mais de 20 anos.

Pinto Ramos, é um lobista internacional, amigo de empreiteiros, indiciado pelo Ministério Público da Suiça, em 2011, por crimes de lavagem de dinheiro, corrupção de agentes públicos e pagamentos de propinas no escândalo da gestão tucana em São Paulo – o escândalo Alston. Pinto Ramos já deveria ter sido pego há muito tempo atrás. Não foi porque houve um abafa geral.
Depois das delações da Odebrecht, Pinto Ramos saiu das sombras, virou uma fratura exposta, graças ao Ministério Público de Curitiba, porque o Ministério Público de São Paulo, engavetou o pedido de cooperação da Suiça de 2011. A questão é porque Pinto Ramos foi tirado da sombra, somente agora, pelo Ministério Público de Curitiba e não pelo Ministério Público de São Paulo em 2011?

A Polícia Federal deflagrou esta semana uma operação para investigar a aquisição de ações do Banco Panamericano, hoje  apenas PAN, pela Caixapar no ano de 2009. O banco foi posteriormente vendido ao BTG Pactual. O negócio gerou prejuízo ao banco público e os investigadores apuram se houve crime de gestão fraudulenta. Que novidades essa operação, batizada de Conclave pode se acrescentar à cada dia mais avantajada capivara do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva?

Um dos alvos da operação é o irmão de Silvio Santos, fundador do Panamericano, Henrique Abravanel. Outro é o banqueiro André Esteves, sócio do BTG Pactual e figurinha carimbada na devassa de fraudes financeiras durante os mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A investigação identificou três núcleos criminosos: o de agentes públicos, responsáveis pelas assinaturas de pareceres e contratos, o de consultorias, contratadas para dar legitimidade aos negócios, e o de empresários, que conheciam a real situação das empresas. Os investigados poderão responder por gestão temerária ou fraudulenta, crimes que tem penas de até 12 anos de reclusão. Segundo O Globo, a venda do Panamericano para a Caixa, através da Caixapar, foi articulada em negociações no Palácio do Planalto na época, com a participação do ex-presidente Lula e de Sílvio Santos, então dono do Panamericano. Na época, a presidente da Caixa Econômica Federal estava a cargo de Maria Fernanda Ramos Coelho. Com dinheiro público, o banco estatal comprou 49% do capital votante e 20,7% das ações preferenciais do Banco PanAmericano, por R$ 739,3 milhões, em dezembro de 2009. Investigações posteriores descobriram que as perdas causadas ao banco pelas operações fraudulentas chegavam a R$ 3,8 bilhões. Nesse rombo havia mais de R$ 1,4 bilhão em crédito que o banco havia vendido a outras instituições que foram mantidos em seus balanços. O banco foi socorrido em 2010 na primeira eleição de Dilma Rousseff e Michel Temer pelo Fundo Garantidor de crédito (FGC), que é mantido pelos bancos. Para corresponder ao favor do “amigo” de Odebrecht, o SBT mudou a direção de seu departamento de jornalismo e reduziu o papel da âncora de seu noticiário mais importante, Raquel Sheherazade ao papel de mera locutora. Ou seja: Lula, desmascarado por Emílio Odebrecht, que contou que lhe comprou controle de greves na Bahia, teve também descoberto seu papel de líder vendido à burguesia mais corrupta do Brasil. O episódio revelado na Operação Conclave descobriu que ele salvou o barão da comunicação Sílvio Santos comprando o banco Panamericano usando dinheiro de banco público, ou seja, do povo, e assegurando a cumplicidade do então presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, hoje o pai das reformas de Temer. Então, Lula pode até ainda ser a mãe dos trabalhadores, mas é o pai dos bilionários do Brasil.

SONORA Detonautas Ladrão de gravata A partir de 2:34

https://www.youtube.com/watch?v=HJi_zdRwsqg

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