Os nomes dos mortos: derrota do nazismo

Marcos Guterman

22 Dezembro 2010 | 21h45

O Yad Vashem, instituição de Israel responsável pela preservação da memória das vítimas da Shoah, anunciou que já identificou 4 milhões de judeus mortos pelos nazistas e seus associados durante a Segunda Guerra. Obter os nomes dos assassinados é essencial para restituir-lhes justamente aquilo que Hitler tentou lhes tirar: o sinal de sua própria existência como seres humanos, como indivíduos, como detentores de uma história pessoal. É nessa ausência de sinais que se baseiam os negacionistas do genocídio, em sua nefasta tentativa de tirar desses judeus o direito de ter reconhecida sua própria morte.

O Yad Vashem informou que, na última década, cerca de 1 milhão de nomes foram adicionados ao banco de dados, graças a novos testemunhos e a documentos recentemente liberados pela Rússia. O Yad Vashem espera obter pelo menos mais 1 milhão nos próximos anos – a estimativa é que 6 milhões de judeus tenham sido mortos.

O trabalho, porém, é muito difícil, como explica o presidente do Yad Vashem, Avner Shalev: “Espero que possamos reunir muito mais nomes, mas de algumas vítimas tudo desapareceu, inclusive a memória sobre eles. É possível que sejamos capazes de completar os nomes dos assassinados na Europa Ocidental. A investigação se torna mais complicada à medida que nos deslocamos para o leste da Europa, onde povoados inteiros foram destruídos. Desses, não há listas de transporte, nem registros, nem familiares sobreviventes, nada”.

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