O jeito iraniano de lidar com o WikiLeaks

Marcos Guterman

30 Dezembro 2010 | 17h59

O governo do Irã mandou bloquear o acesso ao site do El País, depois que o jornal publicou um documento americano, vazado pelo site WikiLeaks, em que se relata um suposto desentendimento entre o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e o chefe da Guarda Revolucionária, Ali Safari – consta que Safari chegou a estapear Ahmadinejad.

Em defesa do Irã, diga-se que Ahmadinejad nunca teve grande apreço pelo WikiLeaks, considerando o vazamento uma “orquestração” do governo americano contra o regime de Teerã. Diga-se, também, que os documentos vazados reúnem apenas versões dos fatos, narradas por diplomatas nem sempre bem-informados.

Por outro lado, muita gente que festeja o WikiLeaks como a quintessência da democracia, por supostamente desmoralizar o “império americano”, provavelmente minimizará o conteúdo dos documentos referentes ao Irã, como já havia feito em relação ao Brasil. Um exemplo é o presidente Lula, que se solidarizou com o WikiLeaks por “desnudar a diplomacia” dos EUA, mas, por outro lado, considerou “insignificantes” as menções ao Brasil, que diziam respeito a corrupção em seu governo.