"O islã precisa de uma revolução sexual"

Marcos Guterman

14 Outubro 2009 | 00h00


Seyran Ates: os jovens muçulmanos estão “queimando de paixão”

A escritora turco-alemã Seyran Ates, autora de “O Islã Precisa de uma Revolução Sexual”, deu entrevista à Der Spiegel, que começa assim:

Der Spiegel – Em seu controverso livro, a senhora defende uma revolução sexual no mundo islâmico.

Seyran Ates – Você não tem idéia do quanto isso é necessário.

Der Spiegel – Mas o que a senhora quer dizer quando fala em “revolução sexual”?

Ates – Meu uso do termo é baseado em Wilhelm Reich e seu livro sobre revolução sexual (“A Revolução Sexual”, de 1945, em que o autor sustenta que a civilização ocidental criou uma moral sexual destrutiva e que havia necessidade de se libertar dessas amarras para a verdadeira emancipação humana). Eu acredito que o mundo islâmico precise enfrentar as conseqüências da rígida moral sexual. Deve perseguir o caminho da mudança, assim como qualquer sistema totalitário deve fazer quando se transforma numa sociedade democrática. Parte do processo é reconhecer que a sexualidade é algo que cada indivíduo determina para sim mesmo. Instituições como a polícia moral e religiosa devem ser abolidas. As pessoas que fazem sexo antes do casamento não podem ser punidas ou marginalizadas pela sociedade. Os pais devem encarar a questão sobre por que eles não devem deixar sua filha de 16 anos ter um namorado, enquanto seu filho pode ter quantas namoradas quiser. A educação sexual deve ser ensinada na escola. As pessoas que determinaram sua própria vida sexual no mundo islâmico devem se sentir mais confiantes e ter sua voz ouvida.