O Afeganistão dos sonhos de Obama

Marcos Guterman

16 Dezembro 2010 | 18h19

O presidente Barack Obama disse nesta quinta-feira que os EUA estão no caminho certo para atingir seus objetivos na Guerra do Afeganistão. Ele declarou que houve “avanços significativos” no combate à Al-Qaeda e manteve o calendário da retirada americana – entre 2011 e 2014.

O discurso de Obama, contudo, omite elementos cruciais, resenhados pela própria inteligência americana. O principal deles é a má vontade do Paquistão no combate ao Taleban. Os paquistaneses estão cada vez menos inclinados a se envolver numa guerra para ajudar os EUA, que, por seu lado estão cada vez mais inclinados a considerar a Índia como seu principal aliado na região – e o Paquistão, como se sabe, não gosta nem um pouco da Índia. Como resultado disso, os paquistaneses não só têm deixado os EUA na mão, como também alguns deles têm financiado e treinado os insurgentes islâmicos no Afeganistão.

Os outros elementos omitidos por Obama explicam a urgência da retirada americana. A violência no Afeganistão não para de crescer, a despeito dos esforços da Otan; a corrupção é endêmica e alimenta a insurgência; a ajuda não chega a quem precisa; e, sobretudo, a Guerra do Afeganistão, que há muito tempo deixou de ser vital para os EUA, custa US$ 125 bilhões anuais – para um país com déficit de US$ 1,5 trilhão previsto para 2011, parece um grande desperdício.

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