Lula e a utopia do “espaço aberto” aos imigrantes

Marcos Guterman

17 Dezembro 2010 | 12h16

O presidente Lula declarou nesta sexta-feira, na cúpula do Mercosul, que o bloco “não criminaliza a imigração”. “Aqui construímos um espaço aberto”, declarou o quase ex-presidente, em mais uma canelada nos EUA e na Europa, que têm ampliado as barreiras aos imigrantes.

Um exame apenas superficial do tema, porém, revela que o presidente, mais uma vez, deixou-se enamorar pelo som de sua própria voz, ignorando as condições sub-humanas em que vivem os imigrantes bolivianos e paraguaios no Brasil e na Argentina.

Recentemente, os argentinos testemunharam o ataque xenófobo a um assentamento desses imigrantes, sob o olhar indiferente do governo de Cristina Kirchner. No Brasil de Lula, por sua vez, os trabalhadores bolivianos são tratados como escravos.

Com o crescimento da economia brasileira, é muito provável que, num futuro próximo, a imigração seja uma questão cada vez mais aguda no país, porque será essa mão de obra barata que será recrutada para fazer o serviço desprezado pela classe média em expansão. A despeito da utopia demagógica lulista, esses indivíduos já são tratados como cidadãos de segunda classe, algo muito próximo do racismo “cordial” tipicamente brasileiro.

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