Lula, Assange e a “liberdade de informação”

Marcos Guterman

09 Dezembro 2010 | 14h54

O presidente Lula condenou duramente nesta quinta-feira a prisão de Julian Assange, o organizador do WikiLeaks. Ao formular “o primeiro protesto” contra o cerceamento à liberdade de expressão na internet que estaria caracterizado pela prisão de Assange, Lula declarou que o australiano “estava apenas colocando (no site) aquilo que ele leu”. “Se ele leu é porque alguém escreveu, o culpado não é quem divulgou, o culpado é quem escreveu. Portanto, em vez de culpar quem divulgou, culpe quem escreveu a bobagem, porque senão não teria o escândalo que tem. Então, Wikileaks, minha solidariedade pela divulgação das coisas e meu protesto contra (o cerceamento à) liberdade de expressão.”

Lula não tinha a mesma opinião em 2007, quando vazaram informações sobre investigações da Polícia Federal. “Nós ficaremos muito mais tranquilos se não permitir que um processo vaze para alguém antes de ser concluído, criando uma imagem negativa da pessoa”, afirmou o presidente na ocasião.

Alguns dirão que uma coisa são documentos diplomáticos, e outra são os dados de uma investigação policial. No espírito do debate sobre a liberdade de informação, no entanto, essa diferença parece irrelevante. A única coisa clara nisso tudo é que pimenta nos olhos dos outros é refresco.

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