É isto um democrata?

Marcos Guterman

18 Dezembro 2010 | 00h04

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, conseguiu aprovar uma lei que lhe dá o poder de governar por decreto nos próximos 18 meses. É a quarta vez nos últimos 12 anos que a Assembleia, controlada por Chávez, lhe faz essa bondade, sob o argumento de que é preciso enfrentar alguma urgência, normalmente criada pela crônica má administração chavista. Na verdade, até as pedras do Palácio Miraflores sabem que Chávez correu para aprovar essa lei porque não terá, no próximo Congresso, a maioria necessária para aprovar automaticamente as medidas esdrúxulas que encaminham a Venezuela para o desastre do “socialismo do século 21”.

Ao promulgar seus novos superpoderes, o “democrata” Chávez deu seu recado: disse que os novos deputados não poderão aprovar “nenhuma nova lei” e voltou a qualificá-los de “piti-ianquis”, um gracejo típico da truculência chavista. O fato de que esses deputados foram eleitos pelo voto popular lhe parece irrelevante. Para ele, a oposição é simplesmente “inimiga do povo”. E previu que haverá uma “batalha ideológica e moral na Assembleia Nacional da Venezuela”.

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