Assange, Amorim e o “mérito” do crime sexual

Marcos Guterman

10 Dezembro 2010 | 19h47

O ainda chanceler brasileiro, Celso Amorim, também deu sua opinião sobre o caso WikiLeaks. Para ele, não há dúvida de que Julian Assange, organizador do site, está sofrendo “perseguição” – referindo-se ao processo por crime sexual, que, segundo Amorim, foi “desencavado” para prejudicá-lo.

O chanceler admitiu que não tem “informação privilegiada” sobre o caso, mas isso não impediu que ele tirasse conclusões definitivas, afirmando que Assange está preso porque “foi inconveniente”.

Sobre a acusação de crime sexual, Amorim praticamente absolveu Assange: “Não sei o que o rapaz fez ou não fez lá, não vou entrar no mérito disso”. Isto é, para nosso chanceler, não importa se Assange cometeu crime ou não. Importa é que ele é o herói da “liberdade de expressão” e está sendo “perseguido” por isso.

A esse propósito, Amorim se disse “a favor da total liberdade de expressão” e afirmou que a divulgação dos documentos obtidos pelo WikiLeaks “não pode ser cerceada”. Talvez por não ter “informação privilegiada”, o chanceler se confundiu: nenhum veículo de comunicação foi impedido até agora de divulgar as informações vazadas pelo WikiLeaks; portanto, não há censura de nenhuma espécie no caso.

Como bem sabe Amorim, paladino da “diplomacia discreta”, os diplomatas precisam trabalhar com algum grau de sigilo. Por outro lado, como defensor da “total liberdade de expressão”, o chanceler talvez devesse então abrir os arquivos do Itamaraty e revelar a correspondência diplomática brasileira, principalmente sob o governo Lula. A não ser que a “liberdade de expressão” só valha para os segredos dos EUA.

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