A liderança comunista chinesa odeia/adora os EUA

Marcos Guterman

22 Maio 2012 | 10h00

Os líderes comunistas da China adoram falar mal dos EUA, mas, na hora de escolher uma boa escola para os filhos, eles não ficam na dúvida. Dos nove integrantes mais graduados do Politiburo chinês, pelo menos cinco têm filhos ou netos que estudaram ou estão estudando nas melhores (e mais caras) instituições de ensino dos EUA, informa o Washington Post.

“Há algo sobre o elitismo que diz que, se você nasceu na família certa, você irá à escola certa para perpetuar a glória da família. Ir a uma escola de elite é uma extensão natural disso”, diz Hong Huang, enteada de Qiao Guanhua, que foi chanceler de Mao. Ela fez parte de uma das primeiras gerações dos chamados “princelings”- os “príncipes herdeiros”, isto é, os filhos dos líderes comunistas chineses – que foram estudar nos EUA.

Ou seja, existe uma presunção, entre esses privilegiados burocratas, de que a vanguarda comunista deve ter mais do que os outros chineses. Embora as universidades chinesas tenham melhorado muito, e várias delas competem de igual para igual com as americanas, o que importa para a elite do país é matricular seus filhos nas caríssimas escolas dos EUA – como um insuperável sinal de status. Orville Schell, que dirige um comitê de relações sino-americanas em Nova York, resumiu tudo: “Na China, há um grande fascínio com marcas: assim como eles querem vestir Hermès ou Ermenegildo Zegna, eles querem ir para Harvard. Eles acham que isso os coloca no topo da cadeia alimentar”. Houve o caso de uma “princeling” que gastou US$ 7.500 por um cursinho de 15 dias no MIT para executivos com “curiosidade intelectual”, somente para poder botar o nome do prestigiado instituto no currículo.

O mais famoso “princeling” é Bo Guagua, filho de Bo Xilai, que se tornou uma estrela no Partido Comunista Chinês por defender o retorno aos ideais igualitários previstos na Revolução Cultural maoísta e por atacar a política econômica voltada para o mercado. Mas esses princípios não serviram para o filho. Bo Guagua levava uma vida de playboy quando estudava em Oxford e em Harvard, como dá para ver na foto abaixo. Como se sabe, Bo Xilai caiu em desgraça em março, num escândalo que misturou traição, espionagem e corrupção.

Bo Guagua: aprendendo muito nos EUA