A direita raivosa roubou o sonho de Israel

Marcos Guterman

27 Outubro 2009 | 00h59

A ONG Repórteres sem Fronteiras, que monitora a situação da liberdade de imprensa no mundo, colocou Israel na 93ª posição em seu ranking. O país, que se auto-intitula “a única democracia no Oriente Médio”, ficou atrás de Kuwait, Emirados Árabes e Líbano, entre outras razões porque tem prendido muitos jornalistas, tanto nacionais quanto estrangeiros.

A ONG Anistia Internacional, que monitora a situação de direitos humanos no mundo, acusou Israel de impedir que os palestinos tenham acesso à água em Gaza e na Cisjordânia. Segundo o relatório, Israel, que se orgulha de sua política humanitária em relação aos civis palestinos, consome 80% da única fonte aqüífera da região disponível para os palestinos. Boa parte desse volume vai para assentamentos judaicos ilegais.

Multiplicam-se denúncias como as mencionadas acima. A resposta padrão de Israel tem sido a de desqualificar os denunciantes ou então embaralhar questões ideológicas e políticas para se colocar como vítima. A “clareza moral” do governo israelense impede qualquer tipo de discussão racional sobre esses e outros temas que têm contaminado as relações do país com seus vizinhos, sem falar das relações com os EUA.

Desse modo, as ações israelenses se tornam cada vez mais inexplicáveis, em qualquer perspectiva que sejam colocadas – política, econômica ou humanitária. Somente a razão desvairada de uma direita irredutível na sua relação com a afirmação de um ideal nacional proto-fascista pode explicar tamanha inabilidade. No limite, o sonho sionista de uma Israel soberana e amiga, como realização urgente de um lar nacional para os judeus oprimidos mundo afora, está sendo roubado por um bando de “líderes” cuja cegueira só alimenta a lista de inimigos mortais e fragiliza a própria soberania do país, principal razão de ser de Israel.