Novo presidente da Petrobrás já assume cargo enfraquecido

Sem conseguir alternativas de peso no mercado, governo apela para nome "caseiro" e sinaliza que manterá total influência na empresa

Marcelo de Moraes

06 Fevereiro 2015 | 12h08

Pressionado pelo tempo para indicar um novo presidente para a Petrobrás, o governo acabou decidindo por Aldemir Bendini, uma solução “caseira” e sem o peso que o mercado e empresários esperavam para a ocupação do cargo. Na prática, a partir do momento em que foi surpreendida pela decisão de renúncia coletiva da diretoria da Petrobrás, a presidente Dilma Rousseff precisou indicar até hoje um nome para assumir a empresa. Como nunca pretendeu substituir sua amiga Graça Foster no comando da empresa, jamais procurou, de fato, uma alternativa para sucedê-la. Quando fez, empurrada pela pressa, não encontrou perfis de peso que se dispusessem a matar no peito a difícil missão de administrar a estatal no momento em que enfrenta grave crise por conta das descobertas de corrupção.

Como presidente do Banco do Brasil, Bendine é um “player” do jogo governamental. Sem ter a qualificação profissional para o posto, assumirá a empresa como uma tarefa designada por Dilma. É tudo o que o mercado não esperava, que aguardava por uma opção que tramsmitisse o sinal de profissionalização do comando da empresa e não a manutenção da influência do Palácio do Planalto em suas ações. Bendine ainda carrega o peso de precisar explicar denúncias – que nega – de ter, por exemplo, facilitado empréstimos fora dos padrões do banco para a socialite Val Marchiori, sua amiga. Ou falar sobre denúncias feitas por um ex-motorista do banco que diz ter, supostamente, transportado dinheiro para ele. Bendine também nega e pode estar coberto de razão nas duas situações. Mas já larga precisando falar de assuntos desconfortáveis.