Dilma discute se próximo ministro da Fazenda será Barbosa ou Levy

Ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa foi chamado até Brasília para se reunir com a presidente e discutir sua provável entrada no governo na Fazenda ou no Planejamento

Marcelo de Moraes

21 Novembro 2014 | 10h30

A presidente Dilma Rousseff continua discutindo com seus principais interlocutores qual solução dará para sua equipe econômica. Pela manhã, se reuniu no Palácio do Alvorada com o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e recebeu também o ainda ministro da Fazenda, Guido Mantega para decidir quem será seu próximo ministro da Fazenda. Depois de várias conversas ontem em São Paulo, a escolha se afunilou em torno de dois nomes: o ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda Nelson Barbosa e o ex-secretário do Tesouro Joaquim Levy. Barbosa viajou para Brasília para se encontrar com a presidente, mas ainda não é certo qual será seu destino, podendo ocupar Fazenda ou Planejamento.  A decisão de Dilma poderá ser anunciada hoje no fim da tarde, logo depois que o mercado financeiro já estiver fechado. Mas complicações para fechar as escolhas ameaçam empurrar a decisão para segunda-feira.

Na prática, Dilma está trabalhando agora com uma espécie de plano B para a Fazenda. Ela sabe que, com os problemas que a economia enfrentou no seu primeiro mandato, precisa fazer uma sinalização expressiva indicando que as coisas serão diferentes na sua segunda gestão. Assim, decidiu, ainda na campanha, anunciar a demissão do ministro da Fazenda, Guido Mantega, o que provocou enorme mal estar dentro do governo. Surpreendido e aborrecido com o anúncio, Mantega chegou a pensar em abandonar o cargo imediatamente mas foi convencido a ficar até o fim da campanha.

Agora, para fazer as sinalizações de mudança que precisa para sua segunda gestão, Dilma queria apresentar um nome de peso, reconhecido pelo mercado por sua competência. O preferido era o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, que recusou o convite, aumentando o desgaste já causado nesse processo.

Sem o plano A, Dilma decide hoje qual é o melhor plano B. Joaquim Levy tem maior simpatia do mercado por suas ideias e ajudaria a aumentar a confiabilidade do governo. Já Nelson Barbosa é visto como um economista competente e que pode apontar caminhos melhores para o governo na sua área. Dilma poderá até acabar aproveitando os dois na equipe ministerial, com a entrada de Barbosa no Planejamento no lugar da ministra Miriam Belchior que também deve deixar o governo.


A dúvida no mercado, porém, é saber o quanto de autonomia para operar o próximo ministro terá. O estilo de Dilma é considerado centralizador demais, algo que teria até ajudado a afastar Trabuco de topar a missão de comandar a economia nacional. Especialistas temem que Dilma acabe concentrando muito as decisões e impeça o novo ministro de operar com a liberdade operacional necessária.