Politica

2018

Bolsonaro: “Serei o candidato da direita à Presidência em 2018”.

Deputado federal mais votado no Rio de Janeiro e criticado por comportamento homofóbico e autoritário, Bolsonaro quer atrair eleitor antipetista defendendo propostas como a redução da maioridade penal e trabalhos forçados para presidiários

Marcelo de Moraes

30 Outubro 2014 | 13h03

Reeleito como o deputado federal mais votado no Rio de Janeiro, com 464 mil votos, o polêmico Jair Bolsonaro (PP), ex-capitão do Exército, já tem um plano político mais ousado. Para o blog, ele anunciou que será a candidato à Presidência em 2018 como “representante da direita”. “Sou de direita mesmo e não tenho vergonha de dizer. Vou disputar o Planalto. Se meu partido não me apoiar, mudo de legenda para concorrer”, afirma.

Na sua “plataforma”, o deputado, conhecido e criticado por ter posturas consideradas homofóbicas e autoritárias, desfila uma série de planos extremamente controvertidos, como redução da maioridade penal, flexibilização das leis trabalhistas, alterações no Bolsa Família, defesa de trabalhos forçados para presidiários. É, como ele mesmo cita, uma candidatura de “direita, sem vergonha”.

Para ele, existe um claro eleitorado que não aprova o governo petista. É atrás desse eleitor que Bolsonaro vai partir. “A maioria dos eleitores que votou no Aécio Neves fez isso por ser antipetista. Inclusive, eu. Quero ser essa alternativa”.

A seguir, principais trechos da entrevista de Bolsonaro para o blog:

– O senhor foi reeleito como o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro. Pensa em concorrer à Presidência em 2018?

Bolsonaro: “Serei candidato à Presidência em 2018. Só vou negociar dentro do meu partido o PP para ver como viabilizarei isso”.

– Seu partido apoiou a presidente Dilma Rousseff na campanha. Acha que eles estão dispostos a lhe dar legenda para concorrer?

Bolsonaro: “Para ser franco, duvido que aceitem. Acho que vão compor novamente com o PT. Mas quero conversar com eles antes para ver se me autorizam a trocar de partido sem perder o mandato por infidelidade. Mas se eles não toparem, mudo de partido no último ano, perco o mandato por esse período, e concorro por uma legenda diferente”.

– O senhor é criticado dentro do Congresso por suas posturas muitas vezes consideradas homofóbicas e autoritárias. Com esse perfil, acha que o eleitor não vai rejeitá-lo?

Bolsonaro: “Podem me chamar de maluco, de homofóbico. Mas eu tenho propostas. Se tivesse sido candidato, não teria dado sossego para a presidente Dilma nos debates e não darei para o Lula se ele for o candidato em 2018. Porque a maioria dos eleitores que votou no Aécio Neves fez isso por ser antipetista. Inclusive, eu. Eu quero ser essa alternativa”.

– É verdade que Aécio Neves barrou sua presença ao lado dele num evento no Rio?

Bolsonaro: “É verdade. Eu já tinha sido reeleito e ele não me deixou subir no carro de som. Eu ainda falei para o pessoal dele: ‘já estou reeleito. Não preciso disso para me promover’. Mas acabei não subindo”.

– Se concorrer, qual será sua principal proposta de campanha? Que tipo de projeto vai defender?

Bolsonaro: “Na verdade, acho que a gente tem até lei demais. O Brasil precisa de menos leis.  Mas vou defender redução da maioridade penal, por exemplo. Só não defendo adoção da pena de morte, embora seja a favor, porque é uma cláusula pétrea da Constituição e precisaria convocar uma constituinte para discutir o assunto. Mas gostaria de instituir, pelo menos, trabalhos forçados para os criminosos”.

– O senhor vai se apresentar abertamente como um candidato de direita?

Bolsonaro: “Claro que vou. Sou de direita mesmo e não tenho vergonha de dizer isso”.