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AMBIENTALISMO

Se Marina disputar eleição, governo terá que mudar tática do “nós contra eles”

Se for nomeada como substituta da Campos, Marina trará uma candidatura fora dos eixos tradicionais

Marcelo de Moraes

14 Agosto 2014 | 08h37

Ainda sob forte impacto emocional da morte de Eduardo Campos, o PSB e sua candidata a vice-presidente, Marina Silva, sabem que o relógio eleitoral está correndo. Precisam decidir até os próximos nove dias se o partido se retira da disputa ou se efetiva Marina ou algum outro candidato no lugar de Campos. Enquanto essa decisão não é anunciada, os aliados da presidente Dilma Rousseff já se preparam para a entrada de Marina na campanha e para uma mudança completa de estratégia.
No cenário anterior, a eleição estava polarizada entre Dilma e o tucano Aécio Neves. Esse era a situação considerada ideal pelos governistas, uma vez que reproduzia a situação das cinco eleições passadas, que opuseram tucanos e petistas na disputa direta pelo Palácio do Planalto. O cenário trazia um conforto para o modelo de campanha desejado pelos petistas. Com esse quadro, o discurso foi construído para comparar gestões de PT e PSDB, confrontando números, indicadores e visões de País. Sempre dentro do tema “nós contra eles”, uma espécie de zona de conforto para os estratégicas petistas.
Se for a candidata, Marina trará um potencial político de rompimento dessa lógica. Seu perfil se identifica com as críticas apresentadas nas manifestações de junho do ano passado e que estavam órfãos de candidatos no quadro anterior. Marina prega a nào política, criticando acordos políticos convencionais. Seus aliados se movem com grande desenvoltura pelo campo das redes sociais e ela traz para o debate um discurso que inclui ambientalismo, desenvolvimento sustentável e novas práticas políticas. Agrega ainda voto conservador por ser evangélica. Em compensação, é vista com desconfiança pelo mercado e com imensa preocupação pelo setor do agronegócio.
Como Campos, Marina é uma dissidente dos governos petistas. Depois de ter sido ministra do Meio Ambiente com Lula, Marina tem criticado diretamente o atual modelo de governo. Em 2010, pelo PV, teve apenas um minutos de televisão para fazer campanha e somou quase 20 milhões de votos. Se conseguirá ampliar esse cacife, ainda é um mistério. Mas para que essa resposta surja, PSB e Marina precisam tomar a decisão sobre seu futuro político na disputa presidencial.