1. Usuário
Assine o Estadão
assine

Aécio terá pelo menos cinco superministérios

Marcelo Moraes

quarta-feira 06/08/14

Pastas como Fazenda, Casa Civil, Infraestrutura, Justiça e Segurança Pública e Agricultura terão amplos poderes se senador tucano for eleito presidente

Se for eleito presidente, o senador tucano Aécio Neves já decidiu que promoverá uma espécie de reforma administrativa dentro do governo. O plano é reduzir cargos comissionados e enxugar a hoje inchada estrutura da administração federal, que conta com 39 ministérios. Dentro dessa concepção, o candidato do PSDB decidiu não apenas extinguir pastas, mas fortalecer áreas que considera estratégicas. As discussões ainda não estão concluídas e vem sendo conduzidas pelo ex-governador de Minas Gerais Antonio Anastasia, responsável pelo choque de gestão promovido por Aécio no governo mineiro quando comandou o Estado.
Já se sabe que pelo menos cinco ministérios terão esse status de “super” e com ampla influência. A Casa Civil, que poderá ser comandada pelo próprio Anastasia – candidato ao Senado por Minas – funcionará como uma espécie de gerência geral da nova administração.
A pasta da Fazenda, que deverá ser entregue ao ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, terá o tamanho e prestígio do seu provável futuro titular. O ministério ganhará poderes para implementar medidas que garantam o crescimento do País e a modernização da economia, incluindo a realização da reforma tributária, além de influência na área de Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Esse trabalho, entretanto, não incluirá ingerência sobre o BC, que terá sua dinâmica própria.
Ainda na área econômica, Aécio vai criar a pasta da Infraestrutura, reunindo Transportes, Comunicações, Energia, Portos e Aviação Civil, hoje todas separadas. O setor é considerado fundamental para modernizar o País pelo senador tucano.
Nessa quarta-feira, em sabatina realizada na Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Aécio também confirmou que a Agricultura será outro de seus superministérios, englobando a pasta da Pesca. O movimento de acabar com o status de ministério para a Pesca corrige, na visão dos tucanos, um dos maiores símbolos do inchaço da administração petista. A pasta foi criada pelo ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva em 2003 apenas para acomodar o candidato do PT derrotado ao governo de Santa Catarina José Fritsch. Na ocasião, a acomodação de aliados no primeiro escalão não permitiu nenhum posto nobre para Fritsch. A solução encontrada por Lula, então, foi criar a pasta da Pesca, já que Santa Catarina tem ampla atuação no setor.
Mas o fortalecimento da Agricultura passa pelo interesse do candidato do PSDB em fortalecer uma área que pode garantir resultados para empurrar o crescimento econômico do País. Com muitos aliados no setor ruralista, Aécio também fará uma sinalização política importante para esses parceiros ampliando o poder do setor do agronegócio em seu governo.
A quinta superpasta será a da Justiça e Segurança Pública, que ampliará a atuação que hoje possui o Ministério da Justiça. A ideia é aproveitar a nova estrutura para atacar fortemente a questão da violência urbana.
Dentro do estudo conduzido por Anastasia, Saúde e Educação também deverão ter grande força, como aconteceu durante os dois mandatos do presidente Fernando Henrique Cardoso, quando as pastas foram conduzidas por nomes de peso como José Serra e Paulo Renato de Souza. Mas essa redimensão ainda está sendo feita, segundo interlocutores do candidato tucano.