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Dilma blinda Mantega e não falará sobre sucessor na pasta até o fim da campanha

sexta-feira 27/06/14

Ministro tem dito que gostaria de se afastar do cargo no final do ano

Para interlocutores, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, já repetiu que não planeja permanecer à frente do Ministério em 2015, na hipótese de a presidente Dilma Rousseff conseguir garantir sua reeleição. Na visão do ministro, sua missão já estaria completa no cargo, depois de mais de oito anos comandando a economia do País.

A questão é que a eventual saída de Mantega abre espaço para o debate sobre quem irá sucedê-lo no Ministério, caso Dilma se reeleja. E o assunto fica mais forte durante o período eleitoral, onde as discussões econômicas do governo são centrais no debate com os adversários durante a campanha.

Até porque o senador tucano Aécio Neves (MG), que ocupa a segunda colocação nas pesquisas de intenção de voto, já tem apresentado o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga como praticamente porta-voz dos temas econômicos de sua candidatura. Dentro do PSDB, Fraga é apontado como o provável futuro ministro da Fazenda caso Aécio consiga vencer a corrida presidencial.

Para Dilma, a questão tem outra dimensão. Além de disputar a eleição presidencial, ela precisa também governar. E sabe que no momento em que anunciar um eventual sucessor para Mantega estará automaticamente enfraquecendo seu papel como ministro da Fazenda e esvaziando sua importância na tomada de decisões dentro do governo.

Por conta disso, Dilma tem dito a interlocutores próximos que não fará qualquer movimento no sentido de antecipar a escolha para essa eventual substituição antes do final da disputa eleitoral. Até porque antes de anunciar qualquer futuro ministro, ela precisa garantir a própria vitória.

Além disso, a presidente entende que o ministro tem sido um leal e eficiente integrante de seu time, apesar das críticas sofridas pela equipe econômica pelo baixo crescimento do País, aumento da inflação, retomada dos juros altos e uso de contabilidade criativa para fechar o caixa do governo. Dilma despacha praticamente todos os dias com Mantega quando está em Brasília. É com ele que tem discutido as medidas para ajudar setores da indústria para tentar melhorar o desempenho da economia.

Assim, sua estratégia para tratar desses temas será bem clara. Durante a campanha, sempre que o debate focar na economia, ela própria assumirá a tarefa de defender seu governo ou caberá ao ministro tratar do assunto, caso seja algum tema muito específico. Se for perguntada sobre quem será seu ministro, a resposta é uma só: o ministro da Fazenda é Guido Mantega.

Hoje também não existe uma sucessão natural para a cobrir a saída de Mantega. Até porque o ministro tem um perfil difícil de ser reproduzido. Ele pertence ao grupo petista, o que garante forte apoio partidário. Mas também sabe manter distanciamento técnico para tratar de questões que envolvam, por exemplo, Estados administrados por políticos adversários sem misturar a rivalidade partidária.

Ainda conseguiu estabelecer um bom relacionamento de confiança com Dilma. Outro ministro que também foi capaz de juntar essas facetas foi Antônio Palocci, mas que construiu esse perfil durante as campanhas presidenciais de Lula e Dilma.

Apesar disso, alguns nomes aparecem como possibilidades mais fortes para uma eventual substituição. As principais opções passam pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Paulo Caffarelli. Embora tenha a confiança de Dilma, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, não tem chance já que sofre forte resistência do mercado e foi criticado até mesmo pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora ele alegue que tratava-se de uma brincadeira.