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Se oposição vencer, PSDB e PSB farão aliança dentro do Congresso para sustentar novo governo

Marcelo Moraes

02 maio 2014 | 12:27

O PSDB do senador Aécio Neves (MG) e o PSB do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos já têm um projeto para organizar uma base de sustentação política reunindo os dois partidos dentro do Congresso caso um dos dois candidatos consiga impedir a reeleição da presidente Dilma Rousseff. A ideia é juntar a bancada eleita por PSDB e PSB, agregar os parlamentares das legendas aliadas, como a Rede, de Marina Silva, DEM, Solidariedade e PPS, e formar com eles a espinha dorsal da base desse novo governo no Senado e na Câmara. A esse grupo também se juntaria o PSD do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, cada vez mais parceiro de Aécio e Campos nas alianças políticas regionais.

Sem juntar suas forças, tanto Aécio como Eduardo teria muita dificuldade para formar maioria parlamentar dentro do Congresso, na hipótese de vencer a eleição. Sem essa aliança, precisariam apelar para a cooptação de antigos adversários através do toma lá dá cá de cargos e emendas orçamentárias.

Se Dilma for derrotada, o PT assumirá naturalmente a condição de principal partido de oposição do País. A novidade no movimento de Aécio e Campos é que a aliança entre esses grupos permitiria excluir o PMDB da base do novo governo e acabar com uma das máximas mais tradicionais da política de Brasília: a de que não sabe quem será eleito presidente, mas se sabe que o PMDB estará na base aliada seja qual for o escolhido nas urnas.

Embora mantenham boas relações com alguns setores do PMDB, a proposta é que o partido fique fora da base institucionalmente. Grupos pemedebistas que estão se alinhando já na campanha terão outro tratamento, como é o caso da Bahia, Rio de Janeiro e Pernambuco, por exemplo.

Na campanha, Aécio e Eduardo não poderão se aliar no primeiro turno, até pela previsão que apenas um deles tem chance de estar no segundo turno contra Dilma. Ambos negam a existência de um acordo para o apoio mútuo no caso de realização de segundo turno, mas esse acordo já está selado.

A parceria entre Aécio e Eduardo já se desenhou em eleições passadas, garantindo vitórias em Minas Gerais na prefeitura de Belo Horizonte, com Márcio Lacerda. Também levou ao poder o tucano Beto Richa, quando este vencer a corrida pela prefeitura de Curitiba, antes de se eleger governador do Paraná. Agora, PSDB e PSB estarão juntos na disputa pelos governos de Minas e Pernambuco, Estados de Aécio e Eduardo.