1. Usuário
Assine o Estadão
assine

Comando do PSDB se reúne para montar palanques regionais de Aécio e atrair dissidentes do governo

Marcelo Moraes

21 abril 2014 | 13:11

Na reta final para fechar suas candidaturas regionais, o PSDB reúne sua Executiva Nacional, em Brasília, nesta terça-feira, para analisar a situação do partido em cada Estado e organizar os palanques de apoio para o senador Aécio Neves (PSDB). O partido estima que 80% de seus diretórios regionais já tem esses palanques definidos. Mas existe um plano extra nessa montagem de alianças. Os tucanos querem mapear dissidências dentro da base política da presidente Dilma Rousseff e tentar atrai-las para seu lado, enfraquecendo a candidatura adversária.

A estratégia de atrair dissidentes da base já começou a surtir efeito, especialmente por conta das divergências políticas regionais, que acabam pesando nessa montagem de acordos. Como Dilma aglutina muitos partidos na se base, é natural que as diferenças locais acabem colocando aliados no plano nacional em campos opostos nas disputas locais.

Assim, Aécio já capturou oficialmente o apoio do PMDB baiano. Conseguiu o aceno dos dirigentes do PMDB do Rio de Janeiro. Além de Aécio, o presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, também candidato ao Palácio do Planalto, atraiu, por exemplo, o PMDB pernambucano e pode conquistar os pemedebistas do Rio Grande do Sul. Nesse mesmo Estado, Aécio deverá receber o apoio da senadora Ana Amélia Lemos, forte candidata do PP ao Rio Grande do Sul.

A lista de dissidentes em potencial, especialmente dentro do PMDB, é grande e pode incluir os diretórios do Acre, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Amapá e Roraima. Mas no Ceará se concentra o próximo alvo imediato dos tucanos. Nessa terça, Aécio vai conversar com o ex-governador Tasso Jereissati para convence-lo definitivamente a concorrer ao Senado! fornecendo um palanque importante no Estado para sua candidatura nacional.

A cereja do bolo seria amarrar essa candidatura a um apoio ao senador Eunício Oliveira (PMDB) na disputa pelo governo cearense. Como não conseguiu apoio do governador Cid Gomes e seu irmão Ciro para ser candidato, Eunício vai lançar sua campanha mesmo sabendo que os adversários são os aliados prioritários de Dilma no Ceará. Assim, a negociação política que vem sendo articulada por Aécio inclui uma dobradinha entre Eunício e Tasso, criando um palanque expressivo para o PSDB entre os eleitores cearenses.