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Depois do quase rompimento, governo passa a depender do PMDB para conter CPI da Petrobrás

Marcelo Moraes

03 abril 2014 | 09:59

O governo federal passou os primeiros meses do ano brigando em praça pública com o PMDB, principal partido aliado dentro do Congresso. Os peemedebistas se queixavam – e muitos seguem reclamando – do tratamento ruim que recebiam do Palácio do Planalto, seja na liberação de emendas parlamentares, na ocupação de cargos ou na formação de alianças regionais para as próximas eleições. Depois de a parceria quase romper, o governo conseguiu atender algumas das demandas mais urgentes dos peemedebistas e conteve a crise.

Como o mundo da política é dinâmico e dá sempre muitas voltas, menos de um mês depois dessa crise de relacionamento, o governo se vê agora nas mãos do aliado para conseguir barrar, ou pelo menos controlar, a CPI da Petrobrás no Congresso.

Na sessão de ontem do Senado, o apoio do partido foi decisivo para impedir que a oposição conseguisse instalar a comissão para investigar exclusivamente a estatal, algo que o Planalto quer impedir para evitar um eventual prejuízo eleitoral na campanha pela reeleição da presidente Dilma Rousseff.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), jogou como aliado do governo e sem precisar fazer o papel explícito de “coveiro” da CPI, aceitou abrir a comissão ampliada, incluindo itens como o cartel de trens de São Paulo e o porto de Suape, em Pernambuco, como desejava o governo para tentar pressionar a oposição, a quem, em tese, os novos itens afetariam.

Para não assumir o ônus de bancar a CPI “do fim do mundo”, Renan jogou a decisão para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. É um jogo jogado. Lá, o governo tem maioria e aprova o que quiser e dá a Renan a desculpa que precisa para não arcar com o custo de barrar sozinho a CPI da Petrobrás nos moldes que a oposição quer.

E, de quebra, o processo mantém o governo sob a dependência do PMDB. Renan já tinha sido contemplado pelo Planalto com a indicação do novo ministro do Turismo. Vinicius Lages. Agora, na CCJ, o governo volta a se encontrar com um velho conhecido das negociações da reforma ministerial. Indicado pelo PMDB e por Renan para o ministério da Integração Nacional e esnobado pela presidente Dilma Rousseff, o senador Vital do Rego (PMDB-PB) é o comandante justamente da CCJ. Ou seja, será o principal interlocutor dos governistas durante o processo de apreciação da abertura ou não da CPI.

Como precisará, de agora em diante, do PMDB para evitar que a CPI funcione ou, caso seja aberta, fuja do controle, a presidente Dilma Rousseff ficará cada vez mais dependente dos humores do partido aliado, conhecido por suas habituais pressões políticas.