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Dilma nomeia ministros tapa-buracos e não fatura politicamente com reforma

Marcelo Moraes

14 março 2014 | 12:13

A presidente Dilma Rousseff passou seis meses negociando a reforma ministerial com os seus partidos aliados, tentando garantir mais harmonia e apoio da sua base de apoio. Espera com isso, consequentemente, fortalecer sua campanha pela reeleição. Com a reforma praticamente concluída, o desfecho é muito diferente e extremamente aquém do que a presidente esperava obter.

Na prática, Dilma as negociações e escolhas produzidas por Dilma pioraram o relacionamento com quase todos os partidos de sua base e abriu vaga na Esplanada para uma leva de ministros destinados a cumprir apenas um mandato tampão até o fim desse mandato. É certo dentro do governo que, se Dilma for reeleita, quase todos esses novos ministros serão substituídos por outros, já numa negociação destinada a acomodar as forças de apoio.

Com prazo de validade, a nova tropa ministerial não terá praticamente tempo útil para produzir qualquer medida relevante. Assim, as pastas de Turismo, Ciência e Tecnologia, Agricultura, Desenvolvimento Agrário, Pesca e Cidades terão titulares que, muito provavelmente, apenas continuarão a executar as políticas herdadas de seus antecessores.

Em alguns casos, a transitoriedade do ocupante do cargo é tão escancarada que os antigos ministros deixaram os substitutos já prevenidos sobre sua interinidade. O ministro da Pesca, Marcello Crivela (PRB), passa o cargo para seu suplente no Senado. Eduardo Lopes, da mesma forma que o deixara tomando conta de seu mandato no Congresso enquanto dirigia a pasta. Crivela já combinou com Dilma que se ela for reeleita e ele fracassar na tentativa de se eleger governador do Rio de Janeiro, será novamente convidado para assumir a Pesca. E nem é preciso sentir pena de Lopes, já que, nesse caso, ele ocuparia novamente o mandato de senador deixado por Crivela.

O critério adotado para as escolhas foi tão superficial que a presidente se convenceu a mudar o nome que indicaria para o Turismo apenas para contemplar um setor da bancada do PMDB. A presidente gostaria de colocar o ex-prefeito de Ouro Preto Ângelo Oswaldo (PMDB), seu amigo, para o posto. Apesar de filiado ao PMDB, sua nomeação não agradou ao partido. Sem problemas. Dilma trocou o escolhido por Vinicius Lages, ligado ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Assim, causando muito mais desconforto do que agrados, a presidente acabou falhando na operação política que pretendia melhorar o relacionamento político com sua base.