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Pemedebistas que se queixaram do PT pelo twitter representam meio milhão de votos

Marcelo de Moraes

05 Março 2014 | 11h30

O clima de insatisfação entre os parlamentares do PMDB com o governo e com o PT transformou as redes sociais num palco dessas divergências. Bastou o líder pemedebista na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), usar seu twitter para dizer que se convencia a cada dia que a aliança nacional com o PT precisava ser repensada por conta da falta de respeito do aliado, para que colegas de partido entrassem na conversa e reforçassem as críticas.

O deputado federal gaúcho Osmar Terra endossou a queixa do líder: “O PT nunca respeitou o PMDB. Somos só 6 minutos de Propaganda eleitoral para eles. Nada mais”, disse, respondendo ao twitter de Cunha.

Na mesma conversa, o deputado baiano Lúcio Vieira Lima foi mais longe no ataque aos petistas: “O PT gosta de falar mal do PMDB, tá fácil de resolver, não nos queira na aliança”, tuitou.

Um eventual rompimento com o governo federal e PT ainda parece improvável. Mas o tom de insatisfação dos parlamentares envolvidos na discussão mostra que pode se tornar difícil para o governo ter o comprometimento desses, em tese, aliados, durante sua campanha.

Os números são claríssimos e mostram o tamanho do prejuízo eleitoral que o governo pode ter com a crise de relacionamento com os parlamentares do PMDB. Levando em conta apenas os três deputados que se dispuseram a disparar críticas públicas pelo twitter contra a aliança com o PT, em plena terça-feira gorda, o saldo é pesado.

Eduardo Cunha foi o quinto deputado federal mais votado em 2010 no Rio de Janeiro, com 150 mil votos. Lúcio Vieira Lima foi o segundo mais votado na Bahia, com 221 mil votos. Já Osmar Terra foi o oitavo preferido dos eleitores gaúchos com 130 mil votos. Somados, os três representam 502 mil eleitores. Também popularmente conhecido como meio milhão de votos.

É essa a conta que o governo tem esquecido de fazer e os parlamentares do PMDB estão entregando depois do deterioramento da relação com o Planalto e com os petistas.