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Governo não se entende com PMDB e reforma ministerial emperra

Marcelo Moraes

05 fevereiro 2014 | 17:09

Com uma base aliada gigantesca e uma coordenação política confusa, o governo sofre para concluir a reforma ministerial. Depois de resolver, sem grandes traumas, as nomeações para Casa Civil, Saúde, Educação e Secretaria de Comunicação Social, a presidente Dilma Rousseff não acertou a mão nas conversas com o PMDB, justamente o maior partido de sua base de sustentação.

Quem andasse ontem por qualquer canto do Congresso ouviria parlamentares do PMDB se queixando da falta de habilidade do governo no trato com os aliados. Os pemedebistas da Câmara reclamam que deputados indicados pelo partido foram vetados pelo Planalto para ocupar as vagas que serão abertas nos ministérios do Turismo e Agricultura.

 Os do Senado protestam contra a não aceitação do nome do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) para Integração Nacional, depois Turismo e até para Portos.

 Reclamam ainda da proposta feita para que o líder da bancada no Senado, Eunicio Oliveira (CE), ocupasse a Integração Nacional sem qualquer consulta aos dirigentes do partido, apenas para impedir que ele se candidate ao governo do Ceará atrapalhando os planos do grupo do governador do Estado, Cid Gomes (Pros), que deseja lançar outro nome para sua sucessão.

Na Câmara, a bancada já decidiu que abrirá mão de indicar qualquer nome para as vagas abertas. Os parlamentares garantem que seguirão apoiando Dilma, mas é aquela coisa. Cada votação de interesse do governo passará a ser um drama diário, com os pemedebistas condicionando seus votos ao humor do dia.

Para o governo, a irritação do PMDB e a conclusão da reforma acaba se tornando o primeiro teste do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, no papel de articulados político do governo. Até agora, a avaliação de líderes pemedebistas é que as primeiras movimentações do novo ministro não ajudaram a produzir algum tipo de acordo. Mas, como se sabe, o apetite do PMDB é sempre difícil de se satisfazer.