Jovens: vamos votar! Edição especial pro voto dos cidadãos de 16 e 17 anos

Humberto Dantas

04 Maio 2018 | 13h03

Com base em texto publicado pela Justiça Eleitoral, lembramos que quem deseja votar em 2018 tem até o dia 9 de maio para tirar o título de eleitor. Os brasileiros de 16 e 17 anos PODEM tirar o título de eleitor. O procedimento é simples e pode ser iniciado pela Internet, por meio do Título Net. Depois de fazer a solicitação on-line, o cidadão comparece às unidades de atendimento da Justiça Eleitoral, munidos da documentação exigida, para concluir os serviços pedidos e receber o título.

Ao iniciar o pedido pelo Título Net, será informada ao cidadão a unidade de atendimento à qual deverá comparecer. Caso o sistema não consiga identificar a zona eleitoral à qual o cidadão será vinculado, este deverá, então, comparecer ao cartório eleitoral mais próximo de sua residência. Esses endereços podem ser obtidos em consulta aos sites dos Tribunais Regionais Eleitorais.

Abaixo alguns dos colunistas voluntários do Legis-Ativo descreveram suas experiências como eleitores. Como eles tiraram o título? Como foi esse momento essencial em nossa democracia?

 

Michelle Fernandez

Em 2002, eu era uma baiana recém-chegada à Brasília. Fui para a capital federal em busca do sonho de cursar ciência política na UnB. Neste mesmo ano tirei o meu título de eleitor. E, assim, ao mesmo tempo, comecei a estudar o mundo da política e a atuar na política pelas vias formais através do voto. Votei pela primeira vez para eleger deputado distrital, governador, senador e presidente da república.

 

Joyce Luz

Desde pequena, sempre fui votar com os meus pais. Aos 13 anos tentei votar em um candidato contrário ao que meu pai queria. Levei uma bronca. Nunca mais pude ir junto votar. Quando fiz 16 anos, peguei o ônibus, fui até o cartório eleitoral e disse: – Moça, eu quero tirar o meu título. 2008, primeira eleição em que EU pude ESCOLHER. E, pelo menos para os jovens de 10 anos atrás, não havia coisa melhor do que adquirir a LIBERDADE de ESCOLHA. Essa é minha história. Qual vai ser a sua?

 

Marcela Tanaka

O ano era 2010. A idade: 17. Queria poder dizer que tirei meu título de eleitor pela vontade democrática de exercer meu voto, mas não foi. A obrigatoriedade de tirar meu título foi decisiva. Disse minha mãe: “você não vai tirar seu título esse ano?”. Eu sequer havia me dado conta que precisava, mas lembro que foi ela quem me levou ao cartório eleitoral, e não demorou mais que 15 minutos. Saí de lá um voto a mais a ser disputado, mas pensei comigo mesma: se é para votar que eu vote direito. Lembro de passar a acompanhar, ainda que minimamente, a campanha presidencial daquele ano. Foi a primeira vez que levei um debate televisivo entre presidenciáveis a sério. No fim, o barulhinho da urna era o som da democracia comemorando. Aquele momento me deu uma sensação única, mesmo que por obrigação: eu havia escolhido quem eu queria que governasse um país e isso não é pouca coisa.

 

Ana Paula Massonetto

Completei 16 anos em 1992, na efervescência do impeachment de Fernando Collor. A discussão sobre os rumos do país predominava na imprensa e nas aulas de história. Sem conhecimentos suficientes sobre o funcionamento do sistema político para análises realmente críticas a respeito do cenário, com toda a esperança juvenil, as manifestações populares eram um misto de luta e festa. Predominava o sentimento da esperança.

Tirei meu título de eleitor num contexto com diversas semelhanças ao que vivemos atualmente e com a certeza de que a responsabilidade por um país melhor é de cada um de nós brasileiros. Dependemos de ações efetivas, no âmbito das relações individuais e da coletividade, começando pelo voto, passando por evitar as corrupções diárias individuais, avançando em participação efetiva de controle social sobre nossos representantes. A esperança continua, cada ação de cada brasileiro significa o presente e o futuro do país. #cadavotoimporta

 

Graziella Guiotti Testa

Fazia pouco que eu havia feito 16 anos quando meu pai meu buscou no colégio para tirar meu título de eleitor. Me lembro muito pouco, lembro que estava com fome e que meu pai estava muito feliz. Na semana seguinte minha mãe perguntou do meu título porque também queria me levar. Que eu me lembre nunca votei nos mesmos candidatos que meus pais e acho que se meu pai soubesse disso naquela tarde quente esperando na fila sem almoçar isso não teria diminuído em nada a alegria dele.

 

Humberto Dantas

Era 1992, eu tinha 17 anos e devo ser o mais velho desse time de cientistas políticos. A mãe de um amigo muito querido disse: “chega! Está na hora de vocês escolherem o que preferem pro país”. Nos colocou no carro e nos levou pro cartório eleitoral. Sua mãe, avó do meu amigo, foi uma das fundadoras do Movimento Voto Consciente, onde eu chegaria dez anos depois, de tanto ouvir Dona Glorinha Ferraz falando de seu ativismo. Acho que no fundo elas sabiam onde eu chegaria, e hoje me sinto feliz por ter cumprido meu compromisso cidadão desde o primeiro instante em que isso foi possível legalmente. Como menor de idade votei no pleito municipal de 1992 e no Plebiscito de 1993. Fiz o que achava certo, por mais que hoje pense diferente. Isso é do jogo. E me orgulho muito dessa história.

 

Lucas Ambrozio

Foi muito natural, votei assim que pude. Já não aguentava mais esperar e queria muito fazer algo para melhorar a sociedade. Já tinha participado de debates sobre o referendo do desarmamento e de uma audiência pública para a discussão do Plano Diretor da minha cidade natal, Ibitinga-SP. Em ambas as experiências eu tinha saído com a clareza de que pensava diferente dos que detinham a maior parte do poder. Estava disposto a lutar pelas minhas ideias e sentia-me preparado para votar. Embora não soubesse que o Plano Diretor não era o espaço para reivindicar uma política de coleta seletiva para o município, mas que servia para reivindicar mais áreas públicas de lazer, fiz constar minhas demandas. Mais de 12 anos depois a gestão dos resíduos sólidos continua sendo um problema e ainda não há um só parque na cidade. Desistir? Jamais! Agora tenho mais meios para lutar por tudo o que acredito. Também já tivemos muitas vitórias de lá para cá. Tenho certeza que nossa geração, que cresceu na democracia, dará uma contribuição importante para o país. Ou seja: vamos, mas vamos logo!

 

Bruno Souza da Silva

Motivado pelos meus professores da escola fui até o Cartório Eleitoral sozinho numa tarde de segunda, beirando os 40 graus. Por sorte o cartório ficava a duas quadras da minha casa. Logo cheguei, fui chamado e, de maneira muito rápida a atendente registrou o meu título e disse: “parabéns e responsabilidade no ano que vem meu jovem”. Em 2006 fui para as urnas e registrei minhas preferências de maneira indignada, votei em todos os candidatos que eram do contra. Nenhum deles ganhou, mas me senti participando, interagindo com aquilo tudo que ouvia na rádio e via na televisão. Lembro de selecionar alguns discursos e, no dia da apuração, torcer pelo meu candidato favorito. À época eu era antissistema. No entanto, não compreendia como funcionava esse sistema do qual era contra (o sistema proporcional), embora tivesse uma vaga ideia de que o mais votado nem sempre acessa a representação política (isso graças ao meu avô que sempre falou muito de política no café da manhã). Mal sabia do futuro de cientista político e educador político, e de bolar jeitos criativos e didáticos para explicar o nosso sistema político.