A importância da Educação Política

Bruno Souza da Silva

08 Maio 2018 | 18h30

Escrito em co-autoria com Rômulo Arthur Guardiano, psicólogo, especialista em Gestão de Recursos Humanos (UNIOESTE) e analista de desenvolvimento organizacional da Tirolez. 

 

Enfim chegou 2018, ano eleitoral. Para algumas pessoas trata-se de um momento importante para conseguirmos avaliar o desempenho dos políticos em exercício de mandato e avaliar se vale a pena reconduzi-los aos cargos que ocupam. Já para muitas outras pessoas as eleições são quase que um fardo, um sacrifício que deve ser feito no primeiro domingo de outubro dos anos pares. Mas o ponto que importa é o seguinte: ano eleitoral é especial pelo fato de ser um período no qual a sociedade olha mais para a política. Agora, será que temos nos preocupado em entender como funciona a política ou, ao invés de debater, muitos têm apenas o hábito de “bater”?

A necessidade de educar os cidadãos para o convívio democrático é uma constante na visão de vários autores. Vem desde a antiga Atenas, com filósofos como Platão e chega, nos tempos modernos, a compor um elemento estrutural da própria da democracia, como na visão do clássico cientista político Robert Dahl, notório em seus estudos sobre os regimes democráticos. Da mesma maneira que não nascemos prontos para andar, nos alimentarmos, trabalharmos etc., sendo necessário o aprendizado cotidiano para a realização dessas atividades, participar politicamente também é um eterno aprender. Mas, para se aprender bem é preciso ter quem nos ensine.

Nos últimos anos vem crescendo as experiências e os projetos de Educação Política suprapartidária pelo Brasil. Em volume da revista acadêmica “Cadernos Adenauer”[1], o Prof. Dr. Humberto Dantas (colega do blog Legis-Ativo do Jornal Estadão), conseguiu reunir mais de uma dezena de experiências formativas no sentido de capacitar os cidadãos a compreender conteúdos básicos de política e, mais do que apenas compreender, a refletirem de maneira crítica a respeito da sua atuação na sociedade. No que toca à sociedade civil os cursos de Iniciação Política na periferia de São Paulo já possuem mais de uma década de vida e formaram milhares de jovens nos últimos anos. No âmbito público, várias Escolas do Parlamento (Poder Legislativo) também têm intensificado ações de Educação Política e compartilhado experiências formativas em rede, como é o caso da Associação Paulista de Escolas do Legislativo e Contas. Já no mundo empresarial, de maneira desafiadora, a Laticínios Tirolez desenvolve um Programa de Educação Política corporativa voltado à formação dos seus milhares de colaboradores a fim de despertar neles a capacidade de olhar para a sua realidade social com vistas a ser um agente de transformação, além de se criar uma mentalidade crítica a respeito do direcionamento do voto. Isso começou em 2002, e se intensificou em 2018 de forma expressiva.

Poderíamos ainda assim nos questionar, mas será que é preciso mesmo educar para a vivência democrática? Em um país no qual após as eleições nacionais quase 50% do eleitorado sequer se lembra quais foram suas opções de voto para deputado federal, por exemplo, educar para a democracia é também colocar em destaque o Poder Legislativo, uma das instituições mais deslegitimadas pela população e alvo de desconfiança juntamente com os partidos. Nesse ano, certamente estamos olhando mais para os vários postulantes à presidência da República e, como de praxe, nos importamos pouco com o Parlamento. Se a caixa de ressonância das sociedades modernas é o Legislativo, o qual expressa toda a pluralidade social e cultural de um país, e a democracia se espalhou pelo mundo do Pós-Segunda Guerra Mundial como regime político adotado pelas nações, educar os cidadãos para viverem de maneira democrática e criarem elos de ligação mais fortes com seus representantes é fundamental. Ainda estamos engatinhando, mas avançando.

 

[1] http://www.kas.de/brasilien/pt/publications/44829/