A desconstrução do oposicionismo no PMDB da Câmara

Vítor Oliveira

22 Outubro 2015 | 11h29

Em 02 de Outubro, a presidente Dilma Rousseff anunciou uma reforma ministerial cujo objetivo oficial (e genérico) seria o de “atualizar a base no Congresso” e ampliar a famigerada “governabilidade”.  Não obstante o discurso, quem observa atentamente as mudanças promovidas pelo Planalto percebe – entre outras coisas – que houve um objetivo mais específico e velado: fortalecer a ala governista do PMDB na Câmara.

Desde o início do ano, quando o PT relutou em acordar com o PMDB um candidato de consenso para a presidência da Câmara dos Deputados, o governo teve sua governança do processo legislativo desafiada e, por que não, roubada – ainda que este roubo nada tenha de ilegítimo. Os novos donos da governança eram muitos; mais de 150 deputados, de seis partidos diferentes, arregimentados em um mesmo bloco sob a liderança de Leonardo Picciani (PMDB/RJ), também líder da bancada do PMDB. Eram estes os responsáveis por conferir a base do poder a seu grande líder – Eduardo Cunha (PMDB/RJ), o todo-poderoso presidente da Câmara. Eram.

Ouvindo atentamente aos peemidebistas da Câmara, sedentos por maior controle de recursos de governo em véspera eleitoral, Leonardo Picciani deixou de lado a orientação oposicionista de Cunha e negociou indicações para o novo gabinete de Dilma Rousseff com a nova equipe de coordenação política do Planalto.

Em um contexto de redução do número total de ministérios, o PMDB ganhou mais uma pasta, enquanto todos os outros partidos da coalizão – na melhor das hipóteses – mantiveram o que já possuíam. Se havia insatisfação entre os parceiros menores, ela se manteve, diferentemente do que ocorreu com o Partido do Movimento Democrático Brasileiro.


Durante a reforma ministerial, não houve “atualização da base”, mas sim um esforço para desidratação do poder de Eduardo Cunha e do bloco oposicionista da Câmara. Ao oferecer uma das joias da coroa – o Ministério da Saúde –, além de uma participação significativa no controle de outros recursos de governo, o Planalto colocou em choque as preferências dos próprios peemedebistas.

Se atendesse ao oposicionismo de Eduardo Cunha e recusasse o convite para indicar ministros, Picciani desafiaria a base do PMDB na Câmara a teria sua posição de líder da bancada fragilizada. Contudo, ao aceitar a negociação com o Planalto, não teve como manter unido o bloco partidário – aquele responsável pela eleição de Eduardo Cunha – sob o seu comando.

Assim, menos de uma semana após o anúncio da reforma, o bloco foi rompido. De um lado, PMDB e PEN com 67 deputados; de outro, PP, PTB, PSC e PHS, com 81. Dizem em Brasília que o rompimento ocorreu por sugestão do próprio Cunha, cada vez mais exposto em função das denúncias de corrupção que pesam contra si.

Por mais combalido que esteja o governo Dilma Rousseff, a reforma mostrou que ainda há muito que o Planalto possa fazer para melhorar sua situação política, antes que decretem seu fim.