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Vice de Aécio pode ficar para depois da convenção

Julia Duailibi

segunda-feira 28/04/14 14:52

A escolha do candidato a vice-presidente na chapa do tucano Aécio Neves tende a ficar para depois do dia 14 de junho, data da convenção nacional em que será formalizada a candidatura do senador ao Palácio do Planalto. A ideia é postergar eventuais desgastes com partidos que vão compor a chapa do PSDB e ataques de adversários. O mais provável para a indicação hoje é o senador Aloysio Nunes Ferreira (SP), que teve 11 milhões de votos em 2010. A escolha dele faz parte da estratégia de Aécio de fortalecer seu desempenho em São Paulo,  maior colégio eleitoral do País.

A legislação brasileira permite que o vice não seja definido na mesma convenção que o candidato. O PSDB deve formalizar o nome de Aécio e, depois, em ato da Executiva do partido chancelar o nome do candidato a vice-presidente. A chapa completa tem de ser apresentada até o dia 5 de julho à Justiça Eleitoral.

Como parte dessa estratégia de buscar os votos paulistas, Aécio também tem dado prioridade às agendas no Estado. Hoje participou de palestra na Associação Comercial de São Paulo. Ontem foi a jantar na casa do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), presidente do PSD, partido que apoiará o tucano em alguns Estados, como Rio e Minas.

Na última eleição presidencial, São Paulo deu a vitória para o candidato do PSDB, José Serra, ajudando-o a passar para o segundo turno, ao compensar a diferença de votos do PT em regiões como o Nordeste. No segundo turno, Serra teve 1,9 milhão de votos a mais que Dilma Rousseff (PT) no Estado. Essa diferença, porém, virou pó com a derrota do tucano em Minas Gerais, terra de Aécio. Lá Dilma teve 1,8 milhão de votos a mais que Serra, o que levou os serristas a culparem Aécio pela derrota na eleição.

De fato, em 2010, Aécio não se empenhou pela eleição de Serra. Agora, com o foco em São Paulo, inclusive com a indicação de um vice paulista, o senador trabalha para evitar que os tucanos paulistas lhe deem o troco. Escolheu o ex-governador Alberto Goldman, próximo a Serra, para coordenar a campanha no Estado. O vereador Andrea Matarazzo, outro serrista, deve ser o coordenador na capital, ao lado do presidente municipal do partido, Milton Flavio – Aécio encontrou nessa segunda-feira os vereadores do partido na capital. E o presidente do PSDB, Duarte Nogueira, é um dos parlamentares mais envolvidos na campanha de Aécio hoje, responsável por montar as numerosas agendas no Estado.

Diferentemente de Serra em 2010, que não conseguiu diminuir a resistência a seu nome em setores do partido, Aécio tem tido sucesso na operação.