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PP dá musculatura para ‘pesadelo’ de Alckmin

Julia Duailibi

01 julho 2014 | 20:42

Publicado hoje no Estadão Noite

Não só o PT, mas  o PSDB, do governador Geraldo Alckmin, também sai derrotado com a decisão do PP de romper com o petista Alexandre Padilha e apoiar Paulo Skaf (PMDB) na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes.

A nova adesão dá cerca de um minuto a mais de tempo de TV no horário eleitoral para Skaf, que já estava com a maior exposição na propaganda política entre os concorrentes ao governo do Estado.

Para o Palácio dos Bandeirantes, era melhor que o partido de Paulo Maluf continuasse com o PT. Acham que é mais fácil derrotar o PT no Estado (alegam que o partido é freguês em São Paulo) do que um candidato novo, fora da órbita petista (pelo menos oficialmente) e que tem um partido com estrutura, como Skaf no PMDB.

O pior cenário para o PSDB paulista sempre foi o segundo turno com Skaf, que parece hoje o mais provável, embora o PT também tenha razão ao dizer que a campanha só começa depois da Copa e com a propaganda na TV. Fernando Haddad, em 2012, demorou para decolar, e Celso Russomanno (PRB) liderou as pesquisas de intenção de voto por um bom tempo.

Mas é bom lembrar também que Russomanno tinha muito pouco tempo de TV e não contava com um time de profissionais, como o marqueteiro Duda Mendonça ou o vice-presidente Michel Temer, que dão musculatura à campanha de Skaf.

Skaf teve ainda uma grande imersão de mídia nos últimos anos ao estrelar os comerciais da Fiesp – já larga com uma vantagem em relação ao desconhecido Padilha. Também chega com um discurso moldado especialmente para o eleitor de 2014: se venderá como uma mudança no momento em que já há certo cansaço com o PSDB, mas ainda uma resistência ao PT, principalmente no interior.

Alckmin poderia ter evitado o embarque de aliados na campanha do adversário, mas embalado pelas pesquisas de intenção de voto mais recentes que o colocavam como líder na corrida estadual achou que poderia abrir mão de alguns partidos.

O  xadrez de composição da chapa se mostrava um jogo duro, e os tucanos começaram a desistir de algumas peças, de acordo com a conveniência – o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), que queria ser vice para se tornar governador em 2018, foi o primeiro a dançar.

Só que Kassab deu o contragolpe em Alckmin e abriu a temporada de embarque na candidatura Skaf. Na sequência, Maluf viu a oportunidade, aproveitou a demanda da bancada que queria a coligação proporcional com o PMDB e seguiu os passos de Kassab – também aproveitou e deu o troco no governador, que havia prometido entregar ao PP a área de habitação, mas que a manteve com o PSDB.

Alckmin vive agora o pior pesadelo, com o adversário mais forte do momento ganhando ainda mais musculatura.