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Abrigo a Marta Suplicy tem recepção fria no PMDB

Julia Duailibi

17 novembro 2014 | 13:56

Ao sair do governo batendo porta, Marta criou dificuldades para ela mesma; a leitura hoje é que a ex-prefeita está buscando algo para além da candidatura municipal pelo PT em 2016

Em entrevista à colunista do Estado, Dora Kramer, publicada neste domingo, a senadora Marta Suplicy (PT) falou sobre seu futuro político e disse que a troca de partidos é uma das possibilidades com as quais trabalha. O PMDB é uma opção, principalmente porque o marido dela, Márcio Toledo, está no partido e tem boa relação com o vice-presidente Michel Temer, o que facilitaria a ida da ex-prefeita para a legenda.

O entusiasmo com a ideia na seara peemedebista pode ser medido por declaração do próprio Temer, também em entrevista ao Estado, publicada no domingo: ”(Marta) é um quadro extraordinário, não tenho a menor dúvida. Agora, é uma questão política, né? Se houver conversa, nós vamos examinar. Não há nada concreto neste momento”.

Se Temer estivesse animado com a proposta, a resposta seria, no mínimo, um pouco mais efusiva. Ela reflete a forma cautelosa como a eventual entrada de Marta é vista no partido. A interlocutores Temer destacou que a maneira como ela deixou o governo, com críticas à presidente Dilma e à condução da economia, dificulta a construção de pontes com o PMDB, que faz parte do governo. Fora que dar guarida a ela neste momento poderia criar um ruído na relação do vice com a presidente. Líderes do partido em São Paulo tampouco se animaram com a ideia, abordada em reunião na semana passada.

Ao sair do governo batendo porta, Marta criou dificuldades para ela mesma. A avaliação no PMDB, no PR, partido do seu suplente, Antonio Carlos Rodrigues, e outra legenda cotada para dar lugar a ela, e principalmente no PT é a de que Marta agiu intempestivamente e quis chamar a atenção.

No PT, Marta não tem hoje força para vencer uma prévia se quiser se candidatar a prefeita em 2016, embora ainda seja boa de voto, principalmente na periferia paulistana. O partido vive às turras com o prefeito Fernando Haddad, mas ninguém aposta em outro candidato daqui a dois anos. Apesar dos pesares, dizem os petistas, a candidatura é dele. 

Em 2012, Marta insistiu na tese de que queria ser a candidata a prefeita em São Paulo, mas na realidade mirava um ministério de Dilma. Por isso a leitura hoje é que Marta, com o anúncio de que pode sair do PT, está buscando algo para além da candidatura municipal. Talvez a promessa do próprio PT de que ela será a candidata ao governo do Estado em 2018. Talvez alguma influência na máquina partidária, algo que perdeu nos últimos anos. Talvez até mesmo um novo partido onde poderia voltar a ter projeção.

A única certeza é que, no momento, a má vontade com ela é grande.