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Na TV, Dilma e Aécio disputam bandeira da mudança; ele fala de Deus, ela de Lula

Redação

terça-feira 19/08/14

Publicado no Estadão Noite. Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) estrearam hoje na propaganda eleitoral no rádio e na TV buscando um “lastro” para suas propostas. Em seu programa de mais de onze minutos, exibido no começo da tarde na televisão, Dilma colou sua gestão na de Lula e apresentou um depoimento no qual […]

Publicado no Estadão Noite.

Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) estrearam hoje na propaganda eleitoral no rádio e na TV buscando um “lastro” para suas propostas. Em seu programa de mais de onze minutos, exibido no começo da tarde na televisão, Dilma colou sua gestão na de Lula e apresentou um depoimento no qual o ex-presidente defende a sua reeleição. “Por isso, quero falar a você que está em dúvida se deve votar ou não na Dilma: vote sem nenhum receio”, disse Lula.

No programa do começo da tarde, Aécio não citou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que diz ser figura central em sua campanha. Nas inserções de 15 segundos na TV, falou em Deus. Numa entrevista ensaiada, de perguntas e respostas curtas, uma apresentadora pergunta a Aécio: “Um caminho?”. Ele responde: “Ética e eficiência e uma inabalável crença em Deus”.

O programa do PT admite o clima de mudança no País e tenta apresentar Dilma como a que pode promover “muito mais futuro e muito mais mudança”. O baixo crescimento do País é colocado na conta da crise financeira internacional. “Como não vivemos numa ilha, a crise também nos afetou e reduziu um pouco nosso ritmo de crescimento”, disse a presidente.

Lula e Dilma mandam um recado para os críticos do governo, que têm engrossado o coro por mudança. “Você plantou o que vai colher no segundo mandato. E tem mais coisas a plantar”, disse a petista. “O meu segundo mandato foi melhor que o primeiro. Tenho certeza que com Dilma será assim também”, afirmou Lula.

Aécio tenta fixar em sua campanha o carimbo da mudança. “Seja bem-vindo a um novo jeito de governar”, diz o slogan do programa. “A verdade é que hoje o Brasil está pior do que estava há quatro anos atrás (sic). O fato é que algumas das principais conquistas que nos trouxeram até aqui hoje estão em risco”, diz o tucano citando a inflação. “O problema é a forma como o Brasil vem sendo governado”, conclui Aécio, com uma música melancólica ao fundo.

Do ponto de vista técnico, o programa de Dilma reedita fórmulas usadas por João Santana: intercala entrevistas informais com o candidato, imagens do “Brasil grande” e jingle emotivo, com boa fotografia. Tenta mostrar Dilma como uma mulher comum, dona de casa, que cuida do jardim e cozinha. Destaque para a foto do neto na mesa de trabalho no Alvorada. Com mais de dez minutos, o programa vai perdendo o ritmo e fica enfadonho no final.

O programa de Aécio, feito por Paulo Vasconcelos, é convencional e sem emoção. A fala do tucano remete a um político das antigas, com uma entonação forçada, de quem está falando de cima de um palanque. Os olhos de Aécio percorrem a tela do TP (teleprompter), o que é ruim, porque tira a naturalidade do discurso. Fora que o candidato aparece com os lábios muito rosados e o rosto muito branco, conseqüência da maquiagem.

O programa da Coligação Unidos pelo Brasil, do PSB e da Rede Sustentabilidade, fez uma homenagem a Eduardo Campos. Imagens do ex-governador em campanhas passadas foram exibidas ao som de Anunciação, de Alceu Valença, fugindo do tom fúnebre. Marina aparece como mera coadjuvante, nas imagens de fundo. O programa conseguiu não ser excessivamente emotivo. Foi respeitoso e elegante.

Lula, no programa de Dilma, e Aécio também fizeram elogios a Campos na TV.