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Moura assombra candidatura Padilha e dá combustível à fase ruim

Julia Duailibi

08 julho 2014 | 13:08

Não bastasse o desembarque de aliados da campanha, o candidato do PT ao governo paulista, Alexandre Padilha, ainda terá que lidar com decisão da Justiça de São Paulo que, em caráter provisório, anulou a convenção estadual do partido, segundo informou a Folha de S. Paulo. A decisão da Justiça, que pode ser revertida, ocorreu em resposta a ação movida pelo deputado estadual Luiz Moura, que foi suspenso pelo PT em junho, ficando sem registro partidário para disputar a reeleição.

O PT aplicou a sanção depois de se tornar pública a participação de Moura em reunião com perueiros, aos quais é ligado e na qual estavam integrantes do PCC. Quando a história surgiu, no meio da pré-campanha de Padilha, o PT correu para colocar na rua uma operação de redução de danos e evitar que o caso atingisse a imagem do partido e do candidato.

Não adiantou. O parlamentar, pelo que se viu, recorreu à Justiça e causa agora um estrago ainda maior para a campanha petista ao colocar em jogo o registro da candidatura de Padilha. Não só trouxe de volta a polêmica da qual o PT quer distância – o suposto envolvimento de um parlamentar do partido com o PCC – como ainda agregou um elemento novo, a questão da Justiça, que, se mantida, pode invalidar as candidaturas do partido no Estado.

A decisão da Justiça, mesmo que revista, tornou inútil o esforço do PT de estancar a polêmica do caso Moura. O partido sabe há muito tempo quem é Luiz Moura. Muito antes da história da reunião com o PCC vir a público, alguns líderes petistas admitiam nos bastidores que ele era “um cara complicado”, mas nada fizeram para questionar sua permanência no partido. O mantiveram por lá.

Para o PT, teria sido mais coerente – além de ter evitado o desgaste atual – se em 2006 tivesse negado a entrada de Moura na legenda ou se pronunciado quando o Estado revelou a biografia do parlamentar, em junho do ano passado - ele já foi condenado por assalto à mão armada e ficou anos foragido da Justiça.

Agora, tudo o que o PT não queria, que era deixar Padilha na defensiva tendo de falar sobre o assunto Moura, volta a assombrar. Pior ainda. Num momento em que a campanha perdeu o apoio de aliados, como o PP, e ainda não deslanchou nas pesquisas de intenção de voto.