1. Usuário
Assine o Estadão
assine

Marina e o ônus da ‘revolução’ política num partido convencional

Julia Duailibi

08 setembro 2014 | 10:00

A campanha da presidenciável Marina Silva (PSB) passa por uma crise. Depois dos episódios envolvendo a compra do avião em que morreu o presidenciável Eduardo Campos e as erratas do seu programa de governo, Marina agora é confrontada com o surgimento do nome do ex-governador de Pernambuco num esquema de pagamento de propinas delatado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Com apenas dois minutos na TV, a campanha de Marina quer evitar que ela passe o tempo todo na defensiva. Ciente dessa agenda negativa, o partido tenta blindá-la, escalando quadros do PSB para responder aos episódios, conforme relatou Ricardo Galhardo no Estadão hoje.

Independentemente da veracidade das acusações, Marina é a chefe maior da campanha, e os eleitores querem ouvir dela as explicações sobre as denúncias  envolvendo o PSB, ainda que sejam “campanha difamatória dos adversários”. Terceirizar o discurso é coisa da velha política tão criticada por Marina.

É claro que Marina tem sido alvo de uma onda de ataques dos adversários. Quem ameaça levar a eleição sempre vira vidraça. Em 2002, Lula cunhou a expressão “Lulinha Paz e Amor” que definia sua postura distante da agenda negativa protagonizada por Ciro Gomes e José Serra, que se engalfinhavam por uma vaga no segundo turno. Passou a campanha num pedestal porque naquele momento não havia nenhuma denuncia que pegava em cheio a campanha petista.

A situação de Marina é diferente. Dona do slogan da nova política e herdeira dos votos dos eleitores que estão cansados da polarização PT e PSDB, a candidata terá que explicar as polêmicas envolvendo o PSB. É o preço que paga por estar numa legenda tão convencional e pregar um discurso revolucionário. O PSB, assim como os demais partidos, faz a velha e tradicional política brasileira.

Colocar a cara para fora e responder às denuncias recentes pode dar sobrevida à agenda negativa da qual Marina quer sair. Mas é o ônus que ela deverá arcar se quiser manter a coerência entre discurso e prática. Vestir o figurino “paz e amor” neste momento é inaceitável.