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Contra-ataque de Kassab

Julia Duailibi

21 junho 2014 | 12:13

Com Pedro Venceslau

Informado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) da negociação para conceder a vice ao PSB, de Eduardo Campos, o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) foi para o contra-ataque. Na própria quinta-feira, Kassab se encontrou à tarde, em São Paulo, com o candidato do PMDB ao Palácio dos Bandeirantes, Paulo Skaf. Os peemedebistas querem dar a vice ao ex-prefeito para engordar o tempo de TV de Skaf e torná-lo mais competitivo – os tucanos temem mais a candidatura do peemedebista do que a do petista Alexandre Padilha, por acreditarem que é mais fácil derrotar o PT em São Paulo.

Para aliados de Kassab, Alckmin está puxando a corda para ver se o PSD aceita apoiá-lo em troca da vaga do Senado, e não mais da vice. A concessão da vice para Kassab, que estava praticamente fechada, foi revertida depois da resistência interna de tucanos próximos ao governador, que ainda veem Kassab como um desafeto de Alckmin e questionavam a entrega do governo de São Paulo para o ex-prefeito em 2018, quando Alckmin, se reeleito, deve se desincompatibilizar para disputar a Presidência ou o Senado. As pesquisas de intenção de voto, que mostraram Alckmin com uma liderança mais consolidada, também aumentaram o cacife do governador nas negociações com os potenciais aliados.

Como resposta a Alckmin, Kassab também puxa a corda para o seu lado. Ao se encontrar com Skaf, ameaça o governador a se bandear para o lado do adversário. No começo da semana, Kassab já havia se encontrado com o presidente do PT estadual, Emídio de Souza, e o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), para falar de uma aliança com Padilha. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer o ex-prefeito apoiando a chapa petista.

A negociação de Alckmin com o PSB em São Paulo foi bem recebida pelos aliados do presidenciável tucano Aécio Neves. Embora o partido seja do adversário Eduardo Campos, para Aécio é melhor que o PSB fique com a vice na coligação de Alckmin do que com o Senado, outro posto em disputa. Isso porque o PSB poderia usar o tempo de TV do candidato ao Senado para fortalecer Campos no maior colégio eleitoral do País. Por outro lado, Aécio também quer atrair o PSD, de Kassab, para a sua chapa, entregando a vice para o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles.