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Com Aloysio, Aécio tenta neutralizar próprio ‘veneno’

Julia Duailibi

30 junho 2014 | 20:26

Texto publicado hoje no Estadão Noite

Com a escolha do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) para vice na sua chapa, o tucano Aécio Neves busca uma vacina contra estratégia aplicada por ele mesmo em 2006 e em 2010, que acabou por prejudicar a eleição nacional do PSDB.

Não é segredo que, nessas duas disputas, Aécio não se empenhou pelos candidatos a presidente do seu partido em Minas, segundo maior colégio eleitoral do País. Agora, com Aloysio, Aécio quer uma proteção contra a traição dos tucanos em São Paulo.

Em 2006, Aécio se beneficiou do “Lulécio”, a chapa informal entre ele, candidato a governador em Minas, e Lula, candidato à Presidência. Resultado: o PSDB perdeu no Estado. Alckmin teve apenas 34,81% dos votos, contra 65,19% de Lula –  enquanto isso, Aécio foi eleito no primeiro turno, com 71% dos votos.

Em 2010, a história se repetiu. Aécio, em relação conturbadíssima com Serra, também não se empenhou pela eleição do correligionário. Fez vistas grossas para o “Dilmasia”, chapa entre o candidato a governador Antonio Anastasia, ligado a ele, e a candidata a presidente Dilma Rousseff.

O PSDB perdeu no Estado. Serra teve 41,55% dos votos contra 58,45% dos de Dilma. No mesmo dia em que a derrota foi anunciada, integrantes da campanha de Serra apontavam Aécio como maior culpado.

Nas duas eleições, valia mais politicamente para Aécio não mergulhar de cabeça na campanha presidencial do PSDB. Em 2006, sabia que se associar a Lula, mesmo que de maneira informal, o ajudaria mais do que se empenhar pela candidatura de Alckmin, que não animava ninguém no PSDB.

Depois, em 2010, com a Presidência já na mira, sabia que a eleição de Serra dificultaria seu caminho no médio prazo. Se Serra fosse eleito, disputaria a reeleição e depois se empenharia em fazer um sucessor – que obviamente não seria Aécio.

Agora, ao escolher Aloysio, o candidato tenta evitar que prevaleça nesta eleição entre os tucanos paulistas o pragmatismo político que o levou a operar por conta própria nas disputas anteriores.

Alckmin é um dos candidatos à Presidência em 2018. Assim como Aécio em 2010, para o governador é melhor que o mineiro não seja eleito e deixe o caminho livre para daqui a quatro anos.

Tanto que Alckmin não teve o menor constrangimento em dar palanque no maior colégio eleitoral do País para o adversário de Aécio no PSB, Eduardo Campos – o vice de Alckmin é Márcio França, aliado de Campos.

Aécio sabe desse movimento de Alckmin. Ontem, durante a convenção do PSDB que oficializou o nome do governador à reeleição, disse: “Me dêem a eleição em São Paulo que darei a vocês uma nova Presidência da República”.

A escolha de Aloysio é uma tentativa de dar esse combustível para a campanha tucana em São Paulo e forçar o envolvimento de pelo menos um grupo do PSDB. Mas com o governador mirando 2018, talvez a ação não tenha efeito.