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Caso Moura: PT ignorou sinais e agiu apenas em ano eleitoral

terça-feira 27/05/14

A Executiva Estadual do PT criou ontem uma comissão para ouvir o deputado estadual Luiz Moura sobre a participação em uma reunião entre perueiros e nove suspeitos de integrar o PCC (Primeiro Comando da Capital), que está sendo investigada pela Polícia Civil de São Paulo. Conforme reportagem de hoje do Estado, a Polícia Civil investiga […]

A Executiva Estadual do PT criou ontem uma comissão para ouvir o deputado estadual Luiz Moura sobre a participação em uma reunião entre perueiros e nove suspeitos de integrar o PCC (Primeiro Comando da Capital), que está sendo investigada pela Polícia Civil de São Paulo. Conforme reportagem de hoje do Estado, a Polícia Civil investiga se há crimes de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro na relação entre perueiros e o PCC.

Moura, assim como o seu irmão, o vereador Senival Moura (PT), mantêm relação com os perueiros da capital. A polícia suspeita da atuação de perueiros como laranjas de integrantes da facção criminosa, que usariam a operação de transporte da capital para lavar dinheiro. O deputado nega qualquer envolvimento com o PCC.

Nos anos 90, Moura foi condenado pela Justiça a 12 anos de prisão por assalto a mão armada. Ficou foragido, depois foi reabilitado (quando a Justiça considera que as dívidas com a lei estão quitadas). Desde o ano passado, quando o Estado revelou a história, algumas lideranças do PT defendiam que algo deveria ser feito em relação ao parlamentar. Mas logo que a poeira baixou, a direção do partido fingiu que não era com ela. Afinal, não era ano eleitoral – e Moura tem relação com pessoas influentes na direção do PT, como o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto.

Aliás, a direção do PT já possuía informações sobre o passado de Moura e sabia do potencial estrago que ele poderia causar na imagem do partido. Quando ele pediu filiação ao PT, em 2006, houve quem questionasse nos bastidores a vinculação partidária. O PT tinha ciência da encrenca que Luiz Moura representava.

Agora, oito anos após a filiação de Moura, que hoje é dono de um patrimônio de R$ 5,1 milhões, a direção do partido se movimenta para evitar que haja estragos na imagem de Alexandre Padilha, pré-candidato do PT ao Palácio dos Bandeirantes. Digamos que não é abonador para nenhum partido, muito menos para um candidato, ter que responder a questionamentos sobre as supostas relações de um colega de legenda com o crime organizado.

Em ano é eleitoral, o PT se prepara para dar uma resposta com a criação dessa comissão, que deu 72 horas para Moura se explicar. É a mesma estratégia usada no caso do deputado e ex-petita  André Vargas (sem partido), que é acusado de envolvimento com o doleiro Alberto Youssef. Atuar depressa para evitar danos eleitorais. Pena que a única preocupação seja a eleição.