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Alckmin prestes a fechar apoio do PSD e PSB; Kassab é o vitorioso

Julia Duailibi

03 junho 2014 | 05:28

O ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB) estão a um passo de anunciar a aliança para a reeleição do tucano em outubro. Kassab deve ser vice de Alckmin e já mira o Palácio dos Bandeirantes em 2018, mas mantém um pé no governo federal com o apoio à reeleição de Dilma Rousseff (PT). O anúncio, porém, ainda depende da chancela do PSB paulista, que pleiteia a vaga e que terá uma reunião na sexta-feira para definir se aceita a coligação com os tucanos.

A expectativa no Palácio dos Bandeirantes é a de que o partido de Eduardo Campos aceite a fechar a aliança, mas que jogue a definição sobre o cargo que ocupará na chapa para o dia 21 de junho, data da convenção estadual do partido. O PSB paulista, comandado pelo deputado Marcio França, prefere a vice, mas o mais provável é que fique com a vaga para o Senado.

Os tucanos avaliam que, com o acerto, vão asfixiar a candidatura de Paulo Skaf (PMDB), maior temor entre os aliados de Alckmin. Para eles, o adversário preferencial no segundo turno é o PT, de Alexandre Padilha. Apostam que a rejeição ao PT no Estado inviabiliza a vitória do ex-ministro da Saúde.

Vitória - O maior vitorioso dessa costura é Kassab, que quer ser governador e sabe que a melhor forma de chegar à cadeira é usando o atalho de vice. Em 2018, Alckmin renunciaria para se candidatar à Presidência, e Kassab se tornaria governador, disputando a reeleição daquele ano com o apoio do PSDB – os tucanos dizem que não há nenhuma negociação desse tipo em jogo, mas os aliados de Kassab já falam, sim, em “retribuição” do PSDB em 2018.

Para quem não lembra, foi a mesma estratégia usada em 2004, quando Kassab moveu mundos e fundos para se tornar candidato a vice-prefeito de José Serra (PSDB). Assim como Alckmin hoje, Serra também não morria de amores por Kassab. Ameaçou até não se candidatar, caso tivesse que ceder a vice para o então presidente estadual do PFL.

O ex-prefeito é hábil nas articulações políticas. Se movimenta nos bastidores de maneira que se torna quase indispensável. Criou um partido com uma bancada que lhe dá tempo de TV, um ativo cobiçado por quem vai disputar uma candidatura majoritária. Na eleição deste ano, seus minutos na TV passaram a valer ainda mais para os tucanos, quando surgiram os boatos de que Kassab se tornaria aliado dos adversários de Alckmin. Kassab foi o beneficiário direto desses vazamentos seletivos.

Kassab sempre quis ser candidato a vice, de preferência na chapa do PSDB – Alckmin aparece como favorito na disputa eleitoral deste ano. Texto publicado no Estado em 2013 já falava das reais pretensões do ex-prefeito. Ele se lançou pré-candidato ao governo do Estado, se valorizou na disputa, mas, como era esperado, desistiu. Em 2004, o roteiro foi parecido. Disse “um dia quero ser vice”, mas afirmou que aquele ainda não era o momento de ocupar o cargo. Três dias depois estava ele anunciando a participação na chapa de Serra.

Alckmin e Kassab já falaram coisas impublicáveis um sobre o outro. O primeiro enfrentamento dos dois foi em 2008, quando Kassab, prefeito, era candidato à reeleição com o apoio dos tucanos serristas. O distanciamento se aprofundou em 2011, quando Kassab criou o seu PSD e levou aliados de Alckmin para a sigla. O governador viu na ação uma tentativa de enfraquecê-lo politicamente no Estado e retaliou Kassab, demitindo o vice-governador Guilherme Afif Domingos da Secretaria de Desenvolvimento Econômico – Afif e Kassab são amigos e parceiros políticos.

Mas como os profissionais não agem com o fígado, a aliança entre Alckmin e Kassab está para sair do forno. Mesmo assim um tradicional aliado do ex-prefeito vê com ressalvas a parceria. “Essa aliança é o triunfo da esperança sobre a experiência. Será o terceiro casamento entre Alckmin e Kassab. Os dois anteriores não deram certo”, disse.

Os “dois casamentos anteriores” terminaram em litígio. Além de Afif, vice de Alckmin em 2010, Cláudio Lembo, que foi vice de Alckmin em 2002 por indicação de Kassab, é rompido com o governador até hoje.

PS: Com a cadeira do Senado com o PSB, o ex-governador José Serra deve disputar mesmo uma vaga na Câmara dos Deputados.