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2018 com jeito de 2006

Aécio conseguiu um grande feito: o melhor desempenho do PSDB nas últimas quatro eleições, mas será difícil o mineiro fazer frente à maquina paulista que trabalhará por Alckmin

Julia Duailibi

27 Outubro 2014 | 01h57

O resultado da eleição, com o triunfo da polarização entre tucanos e petistas, aponta para a possibilidade de reedição do confronto de 2006 na disputa presidencial de 2018: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo PT, contra o governador paulista, Geraldo Alckmin, pelo PSDB. A diferença é que a oposição, depois de quatro derrotas consecutivas, buscará agora unidade não só nas fotos e nos discursos, mas também numa chapa presidencial representada por São Paulo e Minas.

Lula é candidatíssimo a disputar a Presidência daqui a quatro anos. O petista, porém, não vai colocar em risco o seu capital político se a maré não estiver favorável. A entrada em campo dependerá da aprovação de Dilma Rousseff na reta final de seu segundo mandato. Apesar da atual relação distante entre criador e criatura, Lula buscará uma influência maior no próximo governo, principalmente na economia, com o objetivo de preparar o terreno para 2018.

Do lado oposicionista, o confronto acirrado entre PT e PSDB no segundo turno deu sobrevida aos tucanos. Aécio conseguiu um grande feito: o melhor desempenho do PSDB nas últimas quatro eleições. Mas será difícil o mineiro fazer frente à maquina paulista. Alckmin, apesar de ser considerado um político com apelo restrito ao eleitor paulista, guarda alguns trunfos: é mais velho que Aécio, não pode mais se reeleger, tem nas mãos a estrutura governamental do maior colégio eleitoral do País e onde se concentram os principais doadores. Isso sem contar com o crédito que ficou com Aécio – Alckmin se empenhou por sua eleição porque acreditou no compromisso feito pelo mineiro a ele no começo do segundo turno, o de que acabaria com a reeleição.

Aécio ainda coleciona dois reveses. Primeiro, a derrota em Minas. Depois, a perda dos holofotes como principal nome oposicionista no Senado. A partir do ano que vem, dividirá espaço com José Serra, que pode se alinhar ao projeto presidencial de Alckmin em troca do apoio na disputa pelo governo do Estado em 2018. Nesse contexto, ganha força no PSDB a defesa da dobradinha Alckmin-Aécio. O paulista encabeçaria a chapa tendo o mineiro na vice, caso Aécio não volte a disputar o governo de Minas (e também se a crise do abastecimento de água em São Paulo não derrubar as pretensões do governador paulista). Alckmin também se comprometeria com o fim da reeleição e apoiaria Aécio em 2022.


A terceira via, representada por Marina Silva (PSB), correrá por fora com o discurso da nova política, apesar de a Rede, com a vitória do PT, ter se tornado um projeto ainda mais sonhático. A ex-candidata é uma peça para 2018 e tentará se fortalecer articulando a atuação em bloco, não só no Congresso, mas eleitoral, dos partidos que a apoiaram na eleição deste ano.

Todo esse cenário dependerá ainda de como será a composição de forças na corrida municipal de 2016. A largada, no entanto, foi dada ontem.